quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Besuntos




Aparecem lambuzadas,
fingidos beiços, vermelhões,
mostram cabeças vergadas
a trapaceiros vendilhões.


Escravas da propaganda
do mentiroso "parece",
calam o "ser" em debanda;
os besuntos como prece.


Os olhos enfarruscados,
toda a fronha pintalgada,
poros e pêlos tapados,
a beleza renegada.


Mesmo carinhas larocas
sarapintam com esfregalho;
depois das tintas baldrocas
conquistam ar de espantalho.


Nem muito finas pestanas
se safam desta borrada,
os olhares por persianas
dão sinal de carneirada.


A decadência assumida,
cativas da impostura,
natureza reprimida,
a cara caricatura.


Só mulher inteligente,
de lucidez comprovada,
assume contracorrente:
sorri de cara lavada.




© Manuel A. Madeira
16 de Dezembro de 2014

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