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sábado, 3 de julho de 2010

Monumento filosófico

Relembrando um poema monumental



Pedra Filosofal
Poeta António Gedeão, o Professor Rómulo de Carvalho



Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.


Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.


Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.


Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.



In Movimento Perpétuo, 1956

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segunda-feira, 29 de março de 2010

Grande Gedeão

Só um Grande ser humano escreve esta grande obra.



Para pensar.

Os meus olhos são uns olhos,
e é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos,
onde outros, com outros olhos,
não vêem escolhos nenhuns.


Quem diz escolhos, diz flores!
De tudo o mesmo se diz!
Onde uns vêem luto e dores,
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.


Pelas ruas e estradas
onde passa tanta gente,
uns vêem pedras pisadas,
mas outros gnomos e fadas
num halo resplandecente!!


Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos!
Onde Sancho vê moinhos,
D.Quixote vê gigantes.


Vê moinhos? São moinhos!
Vê gigantes? São gigantes!"


Impressão digital

Com o agradecimento ao Fernando, que me indicou o poema.

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Um Mulher excepcional



Drª Rita Levi-Montalcini

A italiana Rita Levi-Montalcini, que completou 100 anos no dia 22 de Abril de 2009, recebeu o Prémio Nobel de Medicina quando tinha 77. Nasceu em Turim, Itália, em 1909, e obteve o diploma de Medicina na especialidade de Neurocirurgia. http://pt.wikipedia.org/wiki/Rita_Levi-Montalcini

Presidente Honorária da Associação Italiana de Esclerose Múltipla, deu no dia 22/12/2005 uma entrevista de que registo três temas que mostram a sua elevada craveira.

- Como está seu cérebro?
- Igual quando tinha 20 anos! Não noto diferença em ilusões nem em capacidade. Amanhã voo para um congresso médico.

- Mas terá algum limite genético?
- Não. Meu cérebro vai ter um século... mas não conhece a senilidade... O corpo se enruga, não posso evitar, mas não o cérebro!

- Como você faz isso?
- Possuímos grande plasticidade neural: ainda quando morrem neurónios, os que restam se reorganizam para manter as mesmas funções, mas para isso é conveniente estimulá-los!

- E o que você faz?
- Trabalho para dar uma bolsa de estudos para as meninas africanas para que estudem e prosperem ... elas e seus países. E continuo investigando, continuo pensando.

- E, hoje, ajudando as meninas da África para que estudem, lutamos contra a enfermidade, a opressão da mulher nos países islâmicos por exemplo, além de outras coisas...

- A religião trava o desenvolvimento cognitivo?
- A religião marginaliza muitas vezes a mulher perante o homem, afastando-a do desenvolvimento cognitivo, mas algumas religiões estão tentando corrigir essa posição.


Vale a pena ler a entrevista em  http://www.slideshare.net/viveremalegria/dra-rita-levi-montalcini-presentation

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