domingo, 10 de outubro de 2010

Contrastes botânicos

Jardim Botânico
Rua da Escola Politécnica
Lisboa











sábado, 9 de outubro de 2010

Propaganda e seu impacto

Foligno, Itália

A cidade está recheada da cartazes de Berlusconi e só vi um com este "comentário".

Aqui fica em nome da ragazza que me dise que a Itália é bonita, mas prefere ir viver para outro país.



Ferita con buon viso


Sem sinais de sequelas, o recobro do percalço de anteontem continua a bom ritmo.

O mundo pode ficar tranquilo, os amigos sossegados e a família de olhos secos.

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Vacina municipal

Conspurcam candeeiros e telhados, ruas, cabeças e casacos e não há quem ponha cobro a esta falta de higiene.

Tarda uma intervenção municipal a montante da génese de tanta porcaria.

Em tempos de aperto orçamental, que reduz o encaminhamento de dinheiros para a manutenção e substituição de equipamentos públicos, há que pensar em acabar com a praga.



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Um sinal respeitável

Uma boa ideia Made in Italia


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Ferito nel compimento della missione

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Em Foligno, pelas 20H30 de ontem, um português destacado em manobras caminheiras sofreu um lamentável acidente.

Prontamente socorrido pela dona do hotel que trouxe o gelo e pela graciosa estudante de línguas que forneceu a gaze desinfetante e o penso rápido, está livre de perigo e com um galaroiço empoleirado numa sobrancelha.

A culpada porta de vidro transparente foi alvo de imediato corretivo. Levou com duas valentes tiras de fita branca, à espera das avisadoras barras vermelhas, tão vermelhas como as onze gotas de sangue vertidas pelo caminheiro do Ar Livre.

O galo, esse, irá cantar durante vários dias, especialmente quando estiver em Portugal… mas de saudades de Itália.

!!!

Errei


Começado a 16 de Setembro, o dia da coisa, este apontamento já é publicado a frio, dissipada a ira, pecado mortal da ideologia católica.


O facto
No Continente do CC Colombo, as caixas automáticas têm bichas individuais. Sei-o bem, pois vou lá frequentemente.

Vendo várias pessoas na bicha de uma dessas caixas e dirigi-me a outra, esta só com uma cliente a ultimar o pagamento.

Mal cheguei à barra vermelha Aguarde a sua vez, uma rapariga quase nos trinta aproximou-se ostensivamente a passo estugado e postou-se à minha frente, de viés.

Senti imeditamente o sangue a ferver mas mantive-me calado, a pensar no que faria à intrometida. Ainda admiti não a deixar ultrapassar-me. Teria de usar força e isso ponderei! Também ponderei dizer-lhe, a título de informação benevolente, que eu estava à sua frente, mas que a deixaria passar graças à minha tolerância à carneirada. Mas isso seria mentir...

O sangue em brasa é que não foi nada indulgente e atirei-me a ela, assanhado, berrando-lhe que eu tinha primazia por não haver bicha única para o conjunto destas caixas. Entretanto, a empregada apontou a placa Uma fila por caixa.

A atrevida fez a compra a vociferar, embora sem grosserias, valha a verdade, enquanto eu bradava lógica que ela não atendeu. Ou não entendeu. Ou não quis entender para não dar o braço a torcer.


Ao vê-la de abalada ainda a zurzi: "Venha cá ler o que aqui diz!". Fez de conta que não ouviu.

Os erros
Ter-me deixado levar pela fúria avassaladora que senti invadir-me, instante a instante, arrastada por uma boa litrada de adrenalina, obra do arrogante atropelo à minha inequívoca prioridade. Eu, que cultivo as precedências...

Não ter contado até dez, até vinte, até cem...


As lições
1. Nunca agir à Maria vai com as outras, que é uma afronta à cidadania responsável. Mesmo nunca, nunca por nunca.

2. A justiça não é pecado: aos chicos e às chicas-espertas, mesmo que obtusos, não se toleram atrevimentos.

3
Há bons instrumenos sancionatórios, sem impropérios nem gritaria:
....3.1. Ácida tirada pedagógica, das que fazem mossa, mas se largam com sorriso escarninho;

....3.2. Fina ironia sobranceira, as palavras dardajando e sobrolho carregado;
....3.3. Obstrução firme, sem violência, mas com cara de pau.


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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Ecco!

A arte do negócio e o negócio da dita








Contra a falsidade católica

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Uma única recomendação: leia o artigo.


São mais de 300 páginas com centenas de histórias pouco santas sobre a vida sexual dos Papas da Igreja Católica http://www.ionline.pt/conteudo/78038-delitos-papais-vida-sexual-nada-santa-dos-papas

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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Maria PBX

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Sempre muito organizada,
vá Maria p’ra onde for,
sai de casa preparada,
carregada com o estupor.


A geringonça é pequena,
muito útil, maneirinha,
leve como uma pena,
e toca de manhãzinha!


Dá música ao acordar,
tem agenda das mezinhas,
e dez teclas para laçar
amigos e francesinhas.


Trabalha por encomenda
e diz horas mendigadas,
sabe da dor e da prenda
e combina almoçaradas!


Só ele lhe chama estupor,

não é Maria a dizê-lo,
que chora o abusador
ser um Velho do Restelo!


Com o dele encafuado,
desprezado, muito infeliz,
usa o dela, descarado:
faz da Maria Pê Bê Xis!



Manuel A. Madeira
23 de Abril de 2010

Uma boa mochila de caminhada

Da última vez que comprei uma mochila vi-me em palpos de aranha. As que vi ou lhes faltavam bolsas ou eram demasiado grandes. Se tinham boa compartimentação, faltavam-lhes elásticos para prender um casaco tirado em andamento.

E hoje dei com uma que satisfaz as minhas necessidades de caminheiro. Boa de bolsas para garrafas de água, fechos que dão acesso expedito a compartimentos bem dimensionados, circulação de ar nas costas e tapa-chuva. Com tamanho adequado.


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É a Marvão 40 da



Não tenho ações nem comissões desta empresa.

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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Pombo montês?

Que as cabras montesas vão onde houver que comer, já se sabe. Não há escarpa, oliveira ou pico serrano com uns raminhos que elas não alcancem. Ágeis e dotadas de notável equilíbrio, são trepadeiras exímias.




O que não sabia era que os pombos fossem invejosos. Não lhes basta o voo sereno nem o pouso firme, são também instáveis equilibristas. Com a vantagem, sobre as ditas cabras, de não darem os tombos que a elas estão sujeitas.

!

Um século de República


Temos problemas? Pois temos, mas, mesmo assim, a República é uma democracia integral. Não um arremedo, em que uma súcia de peralvilhos pavoneia a sua ociosidade com chapéus farfalhudos e medalhas de fancaria, sugados do esforço alheio.

Elegemos e somos elegíveis e os certificados de estratificação sanguínea foram abolidos na Constituição de 1911.

E não temos adiantamentos à casa real. Estes adiantamentos eram pedidos pelo penúltimo rei, apesar da penúria de então, para alimentar as suas vaidades. Agora, os saudosistas chamam-lhes amor à cultura, às artes e à ciência.

Porém...

Cavaco teve lucros mal explicados com as ações sugeridas pelo amigo Dias Loureiro!? Sim, mas não canta de galo, que todos os dias alguém lho lembra.

Não acreditamos no PM, pois não, mas um dia vai embora, por mais ampla que seja a sua corte protetora. Temos de o empurrar mais.

E estamos mal de dinheiros. Pois é, mas também porque não assumimos a cidadania, impedindo devaneios dos políticos. E caímos no consumismo – as famílias e o Estado – um regabofe que vamos pagar com desilusões e apertos.

E a “justiça” e o desemprego e os cursos balofos e a droga e o luxo e a pobreza e os políticos aldrabões e sindicalistas eternos vivendo à tripa forra e a corrupção e o português mal dito e escrito e a frustração dos professores e o frustrante ensino e a frágil aprendizagem e os bancos feitos com os governos e o consumidor desarmado e a burrice arrogante da secretária do Governo Civil de Lisboa e a arbitragem do futebol e os chico-espertos e os maus gestores e os madraços e a "cultura" subsídio-dependente e as listas de espera cirúrgicas e o chegar atrasado e o escarrar no chão e e e e e ...

Contudo

Somos livres e Portugal é o 25º no índice da democracia;

Temos bons instrumentos de afirmação da cidadania (que pouco usamos, lamentavelmente);

Somos o 22º país quanto a corrupção, segundo a Transparência Internacional (21º se descontarmos a maior lavadora mundial de dinheiro sujo, a Suiça);

Estamos no 34º lugar do Índice de Desenvolvimento Humano;

Temos a posição 32 ou 27 quando ao PIB per capita, conforme o FMI ou o Banco Mundial;

A nossa esperança de vida é de 78,1 anos e a mortalicade infantil é de 3,3/1000, a 26ª do mundo.


Por tudo isto


Viva a República

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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Europa esfarrapada


Desculpas
A crise, a crise do símbolo ou o símbolo da crise?

Lisboa, 13 de Setembro de 2010

A mesma bandeira dois dias depois
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domingo, 3 de outubro de 2010

Pérola lisboeta


Degradada, mas pérola
Jardim Botânico
Rua da Escola Politécnica








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Contito: Zefa

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Zefa
Contito



Inda sontro dia Ti Tóino Zéi tava gabando a fragneti, qu’era como se fosse novinha em folha, sempre pronta pás iscas… Tã boa, tã boa, cá tarde cande lhe meteu a chavi, a magana zuniu, zuniu e nã passou disso. Com um baracinho, inda apertou um tubito que tava meio cediço, ma nada. Osdespois, com um esticanito na chave, o motori deu um estramelo, coisa pôca, e calô-si logo com uma piêra de pirua choca.

A Zefa dele ficô marafada, tã marafada que chorava lágrimas que nem bolegos. Acabavam-se-lhe as andanças de rabo alçado pra todo o lado. Embezerrada, dê tamanho pontapé na canita, a Caturra, ca bicha metia dó, gania, gania, desensofrida, com as ventas arrojo.

O Ti Tóino Zéi dê cabo da paciência, ma nada, parecia que tinha dado uma pataleta na fragneti. Arrumou a turgia e assentô-se no pial da porta do quentali, magicando naquele pedaço de lata, só manhas. Descorçoado, pegou numa enchapota e ca navalhita foi desbastando, foi desbastanto, distraído, até cuma pua se enfiou no sabugo do dedo grandi e aí esperneou:

– Ah, puta da mana, hoji, até o ladrão do tanganho embirra comigo!

Atão a Zefa chigô-se a eli, agachô-si e prantô-lhe uma mão num joelho e disse, já más branda:

– Olha lá, oh Tóino Zéi , nã podes ficar assim tã escarapoado… ind’é piori!

– Iss'é munto bonito, mas qué quê faço sem a fragneti!? Tenho um carrego d'azêtona do rabisco e nã no posso dêxari no frajáli. Ó quéris ficar sem azêti nem conserva pró ano entêro?

– Nã senhori, quero a azêtona, pois atão…

– Nunca me tinha fêto uma pirraça destas, e logo agora… tarraço dum cabrão!

– Qual tarraço qual carapuça, não podes é desanimari. S'aquilo andou sempre, mais muenga menos muenga, nã sará hoji que te vai dar fezes, se calhári é só um quebranto, logo le passa. Oh Tóino Zéi, tará zagolina?

– Oh melhéri, aquilo é a gazóli…

– Mas tem-i!?

O Ti Tóino Zéi nã respondeu, mas alevantou-se e foi pr’o caramachão onde a carrinha ainda tava de porta aberta. Ligou a chave e ficou de olho no coisito piquinino, o azuli, confirmando que o depósito tava vazio. Nem piscla…

Espreitou o motori e nem sináli de fuga; metê-se debaxo, charaviscando, a ver se a desencantava, mas deu no mesmo. Até ca mulheri le bradou, precurando:

– Será ist'aqui, homem?

Era mesmo. Um rasgão a todo o comprimento tinha escalavrado o depósito, que já mal pinguechava.

– And’ê nisto há tantos anos e é a melhéri a descubrir o azar, a porra do buraquinho!

– Buracão, Tóino Zéi! Buracão, qu'é do tamanho da rebera de Selmes; cabe lá o olivali da Herdade da Bujarrona.

E foi assim ca Zefa salvou a conserva e a maquia d'azeti. E que ficou Zefa do buracão, cand’a aldeia soube do assucedido. Mas as maganas das vezinhas, umas trongas, chamam-lhe Zefa buracona; às escondidas, com medo d'algum mondrongo…





Manuel A. Madeira
Lisboa, 17 de Agosto de 2010

sábado, 2 de outubro de 2010

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Bandarilhas na inteligência

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Na RTP1, há minutos, diz um comentador de touradas:

Não foi leal!

O "Espevitado", nome do boi, não foi leal porque marrou de forma diferente da desejada pelo sobredito!!!

É preciso espezinhar o sentido das palavras para dizer tal coisa. A que ponto leva o fanatismo cruel desta gente... Arvoram-se em peritos, assumem um linguarejar pomposo e chamam à crueldade cultura e à tortura arte.

A ministra da Cultura e o seu ajudante Summavielle marcaram presença no Campo Pequeno, assim exibindo o apego do governo sócrates ao suplício dos animais.

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Terrorismo anti-botânico

Jardim Botânico
Rua da Escola Politécnica
13. Setembro.2010













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Ser racista não é ser judeu

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Académico americano, filho de judeus polacos, sobreviventes do Holocausto, Norman Finkelstein informa:

Não tenho qualquer sentimento de agressividade, ódio, inimizade para com Israel. Mas para mim não é um Estado judaico porque ser militarista não é ser judeu, ser racista não é ser judeu, ser arrogante não é ser judeu...

Uma entrevista a ler ponto por ponto, para perceber melhor o que se passa no médio-oriente:

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