quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Marc Sijan – Escultor ultra realista

 
 


Estas obras-primas não podem ficr no baú.

Por isso aqui se divulgam com a chapelada devida a tão insigne artista e a sugestão de visita a http://marcsijan.com/.








 


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Grande boneco retrata campanha patriótica

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Eis a peça mais eloquente dos últimos meses da cena política portuguesa.

Nem a inspeção da troica ao Terreiro do Passos teve o relevo da Grândola Vila morena no nosso palco político. Até o governo se sentiu na obrigação de emitir uma nota oficiosa...

Passos está aflito e o aldrabão do Relvas nem se fala, todo encolhido, tão tão, que usou um exílio temporário em Moçambique para respirar um pouco.

O povo canta Grândola ao Passos e aos ministros e ao Relvas nem deixa falar e S. Bento e sus muchachos fizeram um escarcéu.

Ai as liberdades, ai a democracia, mas a verdade é que os estudantes de Gaia mais não fizeram que o uso pleno da liberdade que a democracia protege.

Até parece que a corte do Passos e a trupe do Relvas já se esqueceram do tráfico de influências que "deu" a este 32 disciplinas de um curso de 36!?

Sem Ética nem Dignidade, o "governo" ainda instalado desonra Portugal e macula a nossa imagem externa.

Tivéssemos nós Presidente da República...


[O papa-reformas de Belém, caladinho que nem um rato, anda a ratar os milhares do BPN que lhe cairam do céu em vez de agir]

Parabéns ao autor do boneco.

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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O tirinho dos correios

 
É ilusão ótica ou o postilhão foi esfolado?


A carta registada foi registada, dois e quarenta e seis, o senhor quer recibo? E uma cautela? Há dias de sorte…

Os CTT ainda não foram privatizados, mas a motivação já o foi. Os seus funcionários funcionam à percentagem. Comissionistas. 

A senhora simpática sorriu ao não, mas voltará ao refrão, à cautela, à comissão, a mais um tostão. 

Longe do paralelo, lembra a velha Feira Popular e as barracas do Oh jeitoso, vai um tirinho?

Aliciava para a espingarda de pressão de ar e talvez mais… 

O tirinho dos CTT fica-se pela lotaria, pelos livros, postais e telemóveis. Não se fala aqui de selos, que esse é o negócio âncora.
 
Ou era. E por isso mesmo, ainda havemos de ver Certificados de Aforro em saldo, promoções de correio expresso e de encomendas personalizadas em celofane verde e laçarote vermelho. Bilhetes de avião, hotéis em Bali e reparação de computadores, quem sabe, talvez um dia.

Os telegramas acabaram, o correio em papel caiu a pique e já não há quem telefone da cabine dos correios. Por isso, há que faturar noutras áreas. 

São tirinhos mercantis. Sinais do tempos, tempos de reajustamento económico e ajustamento comercial, de oferta global.
 
E quem vai contra a corrente corre sérios riscos de afogamento. Os CTT querem manter a cabeça fora da linha de água.
 
É este o preço para termos vales em Alcaria da Serra, cartas em Guadramil e encomendas na Ilha do Corvo.
 
???
 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Fernanda Câncio e o chico esperto encartado

 

Li, concordo e subscrevo, apenas rasurando “…que fez uma licenciatura…”.
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Não fez licenciatura coisíssima nenhuma; traficou um diploma!!!
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Não é, portanto, licenciado nem diplomado; apenas chico esperto encartado.


Não ser Relvas
 
FERNANDA CÂNCIO
Jornalista
22 fevereiro 2013

Não gosto de Miguel Relvas. Mesmo nada. Não gosto do ministro, não gosto do político, deploro o discurso, a pose e o historial. Execro o que fez - não tenho dúvida de que fez - a Maria José Oliveira, a jornalista do Público que ameaçou com revelação de factos da sua vida privada para tentar evitar que ela o questionasse sobre declarações suas no Parlamento a propósito da relação com o ex-espião Jorge Silva Carvalho. Execro o facto de, na oposição, ter afirmado que a família do anterior primeiro-ministro, os filhos, deveriam ter vergonha dele - a vergonha, precisamente, de que o próprio demonstrou não ter pinga, ao manter-se, e ser mantido, em funções quando o próprio presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social diz não ter dúvidas sobre o facto de o ministro ter ameaçado a jornalista. E, por fim, deploro que haja quem o convide para falar de jornalismo, passado, presente ou futuro, depois de tal se ter passado: se a pessoa Relvas não percebe que não pode continuar ministro, que ao menos jornalistas e órgãos de comunicação social evidenciem não lhe reconhecer dignidade para tutelar o sector.

Compreendo e sinto a justa fúria que tantos sentem ante um governo que diz governar "lixando-se para as eleições" quando, para ganhar as últimas, garantiu que faria tudo ao contrário do que está a fazer. Compreendo quem se lembra de ver Relvas insurgir-se contra aumentos de impostos e austeridade e desemprego e jurar que tudo seria diferente com o PSD, para agora sugerir que quem está mal que emigre. Compreendo quem se indigne por um ministro que fez uma licenciatura à pala de equivalências estar no mesmo governo que chamou às Novas Oportunidades "certificação de incompetência". Compreendo quem recorda Relvas a vituperar os ministros socialistas quando se insurgiam contra manifestações insultuosas ao ver o PSD clamar por "respeito democrático" pela "dignidade das funções" se tal se passa com os seus ministros - exigindo até ao PS que se lhe junte na reprovação "enfática".

Mas não gosto de ver pessoas acossadas. Aliás, não gosto sequer de ver pessoas a serem humilhadas, menos ainda publicamente - por mais que sejam culpadas de humilhar um país e de desrespeitar a democracia e a Constituição que agora querem como mártires (!) invocar. Daí que, pese tudo o que penso e sinto, me tenha desagradado ver Relvas insultado no chamado "clube dos pensadores", ainda com aquele sorriso apalhaçado com que tentou fazer coro no Grândola com quem protestava. Não gostei de o ver, em pânico, pelos corredores do ISCTE, sob os gritos dos estudantes, à procura de abrigo, de uma porta por onde sair de cena. Por mais que queira isso mesmo, que Relvas saia, que este governo se vá, não deve ser assim. Não decerto por ele, não decerto por eles: por nós, que não somos Relvas. Que não temos da democracia o entendimento oportunista e canalha de quem dela se serve em vez de a servir e honrar.


 
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Morena vibrante

 


Cantada em Gaia para apupar o aldrabão Relvas,
cantada ao ministro da saúde e
cantada ao MAI,
foi, pela última vez, já hoje, cantada ao ao ministro da economia, Álvaro Pereira.

Quem disse que a Vila Morena era uma balada histórica, mas retirada dos palcos!?

Ela aí está, cantada pelos que enfrentam aquele aldrabão e outros afundadores do Estado Social.

Merecem um aplauso, por isso, todos os que deixam o resignado sofá e fazem frente a quem nos afunda.

A cantiga aqui fica, merece a honra!



Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade
Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Aldrabão

 


Ao tacho tão aferrado,
O Relvas pantomineiro,
foi em Gaia bem gozado
pelo povo verdadeiro.


No Clube dos Pensadores,
pensou lavar a imagem,
com sócios bajuladores
em ato de vassalagem.


Saiu-lhe a carta furada:
Grândola, ardente canção,
Vila Morena cantada,
inflamou a encenação.

Apupado por estudantes,
Dentro de ti, oh cidade,
com versos tão imponentes
exigiram dignidade.


Aldrabão envergonhado,
a chacota disfarçando,
gargarejou, estonteado,
a balada abastardando.

Com voz de cana rachada
e trejeitos timoratos,
com a boca encarquilhada,
gaguejou sons caricatos.

Sorrisos, apertos de mão
e traficâncias fraternas:
chegou altaneiro, um pimpão;
partiu de rabo entre as pernas!

 
 

Manuel A. Madeira
21 de Fevereiro de 2013

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Um dia histórico na Ética em Portugal


19 de Fevereiro de 2013
Um dia histórico

 

Hoje é um grande dia. Um dia histórico, um dia em grande.
 
Hoje à tarde Miguel Relvas foi impedido de falar no ISCTE, numa conferência da TVI sobre o jornalismo. http://www.publico.pt/politica/noticia/manifestantes-impedem-miguel-relvas-de-falar-1585064

Os estudantes, com cartazes e gritos de "Demissão, demissão" travaram a sua ambição de limpar a imagem com palavras ocas. Ocas porque mentiroso mente. Incluindo no ISCTE, obviamente.

 

Os estudantes do ISCTE abreviam, com a sua cidadania ativa, o enterramento do cadáver político do Relvas.

E são merecedores do maior respeito, pois não usaram violência, mesmo quando a segurança extraiu um Relvas acossado do edifício por esconsos corredores.



Deram mais um empurrão, um belo empurrão, na sequência das 33 Relvas rua! frente à Assembleia da República. Falta agora o safanão final, o toque de finados, pois o aldrabão não poderá tão cedo mostrar-se em qualquer palco nem com mil guarda-costas.

Parabéns aos Estudantes que levantaram o estandarte da Ética.
 
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Mulheres – Mamas, mitos, negócios



O fotógrafo Matt Blum anda há anos a fotografar mulheres nuas, sem máscara nem besuntos e em ambiente caseiro. Tem mamas e perfis os mais diversos; mamas e focagens mais descaídas…

 
 
E o Público, que dá a notícia, diz que são “retratos de mulheres bonitas nas suas imperfeições”.
 
 
 
De facto, Blum captou a beleza, embora pouco intimista, pois muitas das posturas são de “peito à objetiva”. Mas nem as cozinhas nem os quartos e nem sofás nem paredes dissiparam alguma vergonha. E os tapumes e sorrisos amarelos são de quem não está totalmente à-vontade.


 
Independentemente das posturas, mostrar mulheres como elas verdadeiramente são é um notável contributo para a sua humanização. Em boa verdade, nestes tempos em que o parecer domina o ser, a esmagadora maioria das mulheres submeteu-se ao mercantilismo besunteiro. Abulicamente, não põem pé fora de casa sem uma sombra, um creme, uma loção, uma tinta, uma máscara.

Subornadas pelo negócio dos besuntos, deixam-se moldar por um artificialismo que corrompe o livre arbítrio, degrada a personalidade e afunda os valores da beleza e da autenticidade.

Convertem a sociedade numa mascarada, um teatro cujo encenador as enche de mitos e mentiras, ilusões e frustrações enquanto enche os seus próprios bolsos à custa da fragilidade dessas mulheres.
 
Haverá pior escravidão que a das escravas que veneram grilhetas!?
 
Em boa hora Matt Blum denuncia um comércio que vive da publicidade enganosa com que manipula a genuinidade cultural dos povos. Embora subtil, é uma inteligente pedrada no charco.
 
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Aqui encontra mais informações sobre a iniciativa e muitas, muitas mais mamas e o resto: http://thenuproject.com/
 
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O endeusamento católico-soviético de um tirano

 


Chávez em tratamentos "extremamente difíceis"
http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3052220&seccao=EUA e Am%E9ricas

Quais? Com que efeitos? Há risco de vida imediato?
Nada foi esclarecido.

Na URSS as doenças da clique dirigente eram santificadas e as do chefe dos chefes deificadas.
 
Tal como os mitos da Igreja Católica, pelo que vale a pena relembrar uma intervenção radiofónica de Carlos Amaral Dias.
 
Há anos, na RDP, o psiquiatra referiu que num certo concílio da Igreja Católica foi deliberado que Deus comia. Comia mas não defecava. E não vazava por ser uma coisa mais nojenta, indigna da pureza celestial.
 
Compreende-se esta atitude dos patrões de então da dita organização religiosa. Uma entidade mitológica “desenhada” à imagem e semelhança do homem alguma característica humana havia de ter. E ficou a parte boa, comer. Já a outra, a jusante, inestética e malcheirosa, era indigna, imprópria da perfeição suprema. Foi portanto tirada do processo digestivo deificado. Tal como os barões soviéticos caídos em desgraça.
 
Ora o demagogo Hugo Chavez, em tratamento a um cancro generalizado na zona pélvica, está a ser alvo de tratamento mediático católico-soviético.
 
Às pinguinhas, como manda a cartilha. Primeiro que foi para Cuba. Depois que foi operado. Mais tarde reoperado e a muito custo lá vieram as entrelinhas sussurrar que a doença se tinha espalhado por vários órgãos.
 
E agora o seu Nº 2 diz que está a ser submetido a tratamentos "extremamente complexos e difíceis”.
Este gota-a-gota propagandístico lembra a linguagem de caserna: um militar nunca foge, recua!
 
Pois Chavez parece estar em vias de fazer um recuo estratégico. Da vida.
 
Uma doença tão cruel e metastizada não augura outro destino, mas o regime tudo tem feito para, à boa maneira soviética, atirar engodos hertzianos em vez de informar.
 
E sustenta o endeusamento de Chavez até ao seu último suspiro, camuflando a fatalidade, tal como os cardeais no dito concílio católico.
 
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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Pantomineiro fora do poleiro


 

Relvas rua! manifestou-se hoje frente à Presidência do Conselho de Ministros, na Gomes Teixeira.

Do meio-dia à uma, três cartazes amarelos defenderam a Ética e a Dignidade no governo de Portugal.

Proporcionou uma pequena entrevista à RDP e um momento partilhado de
Pantomineiro fora do poleiro

No mesmo local estavam profissionais dos carrocéis a manifestar-se pelo abaixamento do IVA, com poderoso equipamento sonoro. Foi-nos cedido e com ele explicámos a razão das 32 manifestações das segundas-feiras sob a égide Vai estudar Relvas.
 


 
Também foram clamadas as habituais palavras de ordem:

Ética simRelvas Não
e
Para a decência não há equivalência.

Porém, foi a novel

Pantomineiro fora do poleiro

que de imediato se ouviu das bocas da banda dos carrocéis. E repetida, repetida, repetida.
 

Pantomineiro fora do poleiro
Pantomineiro fora do poleiro
 
Pantomineiro fora do poleiro
 
Pantomineiro fora do poleiro


O seu acolhimento aos Relvas rua! foi tão solidário que oferecem pratos de esparguete. Àquela hora foram gostosamente aceites. E estava mesmo no ponto.



 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O papa, Fidel e as múmias

 

O Papa católico resignou e ouviu rasgados elogios ao seu gesto. Lúcido e corajoso, visionário e criador de precedente histórico.

Entretanto, há cerca de um mês, Fidel Castro foi exibido fotograficamente para anunciar ao mundo que ainda não morreu. Apesar de a imagem publicada mostrar uma figura muito debilitada, extremamente degradada… Um expressivo retrato da ditadura que atormenta os cubanos.
 
 

E na Coreia do Norte, os ditadores da dinastia “comunista” mandante são incensados como o são as estátuas nas igrejas católicas. O avô e o pai do atual ditador em funções em Pionguiangue, foram venerados como deuses pela propaganda oficial. E ao finarem-se o espetáculo assumiu proporções de museu de cera.

Todavia, Ratzinger, com dois dedos de testa, fez mais pela sua mitologia, demitindo-se, do que em todos os seus textos, voos intercontinentais e discursos na praça pública.

Ideólogo sabido, percebeu que as dores ao subir escadas e a tortura das viagens de avião, eram uma má campanha nesta era de constante tempo de antena.

Nos dias de hoje, em que o parecer se sobrepõe ao ser, nem o mais pérfido marketing disfarçaria por muito mais a incapacidade física do Nº 1 do aparelho católico.

Ora a imagem de vitalidade que o mundo da comunicação de massas impôs a políticos e novos-ricos, a presidentes de SADs e às mamas das atrizes era incompatível com a fragilidade de Ratzinger.


A sua resignação é, pois, um fruto maduro de reflexão inteligente. Mas é, acima de tudo, a consciência de que, daqui para a frente, muitos agiriam em seu nome, mas sem o seu consentimento.

Por outras palavras, no vespeiro que é o Vaticano, a sua assinatura iria legitimar ações, medidas e decisões a que seria alheio. Incapaz de controlar os interesses representados na Curia Romana – o governo da rede mundial católica – seria atraiçoado. Em nome de deus!

 
Tivessem os manos Castro e os Kim norte coreanos e Eduardo dos Santos e Hugo Chavez e Mugabe, a mesma lucidez e não se perpetuariam como múmias vivas que um dia a História enterrará sem honra nem fanfarra.

 !!!
 

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

33ª Relvas rua! com apoios em crescendo


Depois do primeiro mês das Relvas rua!, à surpresa da persistência correspondeu o mutismo popular.

Progressivamente desencalharam as demonstrações de apoio e ocasionalmente ouviram-se o portuguesíssimo Vão é trabalhar e o cobarde Vão pró caralho, já com o carro a afastar-se. Sempre de carro…

Estes são os passantes micro-minoritários. Residuais, resíduos de indignidade.

A verdade é que, aos poucos, semana após semana, os apoios superaram largamente a resignação, o derrotismo e suco requentado da formatação salazarista.

Uma vez por outra um senhor bem posto ainda recusa o folheto amarelo explicativo e também de vez em quando alguém justifica a rejeição com um apressado Estou com pressa.

Também já lá tem passado gente a perguntar se só o Relvas é aldrabão. E há quem indague o porquê da não explicitação da indignação com o Passos.

Os que se estão a afirmar em grande número são os apoiantes. Cada vez mais. Taxistas e motoristas da Carris, condutores e condutoras de carros particulares e de lambretas fazem sinais de luz, buzinam e lançam o gesto
 

E já há quem se aproxime e diga da sua solidariedade e também surge quem garanta repulsa pelos indignos comportamentos do Relvas. Deste e do seu compadre Passos. Por imperativo Ético e editorial o Formigarras não expõe aqui os impropérios de que este par tem sido alvo.

Já lá vão 32 semanas a clamar pela demissão do aldrabão e o saldo é francamente positivo. É muito frequente o apoio de quem passa frente à Assembleia da República e são muito escassas as provocações. Nas últimas semanas são mesmo muito raras.

Relembrando o propósito das manifestações das segundas-feiras, a demissão do fraudulento “licenciado” Relvas, um mentiroso confesso, esses sinais são uma marca Ética do português comum.
Que tarda em ser respeitado pelos órgãos de soberania.

Nota final
Foi ontem testado e validado um novo mote:

Pantomineiro fora do poleiro.

Diz-se assim:

Pan-to-mi-nei-ro   fo-ra   do po-lei-ro!

com voz pausada e tonitruante, para se ouvir de S. Bento à Gomes Teixeira e acordar o indolente residente de Belém.

 
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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Boletim clínico europeu

 


A Europa está dividida e as dívidas mais nos dividem.

Neste boletim de voto mostra-se o estado da saúde eleitoral grega, que não anda muito longe da que por cá temos.

Do cá para lá e por outras bandas apenas os graus de pobreza e frustração, de impunidade e de seguidismo à D. Ângela diferem.

Nas mil entrelinhas da versão portuguesa entrever-se-ão as 999 vezes em que o Passos e Gaspar, seu ideólogo financeiro, recusaram negociar alterações ao troico pacote. E numa única, a decisão de fazerem o que meio mundo lhes dizia que deviam fazer. E fizeram quase à socapa, a pedir mudança de assunto...

Entretanto, são parcos os anti-depressivos para os povos europeus mais fragilizados, descrentes nos Sócrates de cá e de lá e nos Passos de todo o lado.

O futebol afundado em dívidas, as telenovelas afogadas em lágrimas, resta, para alívio da alma, o folhetim SIC "Vigaristas BPN".

Fraco consolo.

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domingo, 10 de fevereiro de 2013

Formigarras info – CCleaner limpa mesmo

 
 
Tive o facebook amuado durante vários dias. Entrei num dos perfis, fiz o que tinha a fazer e… sair, nada! Mil tentativas e o intolerante manguito omnipresente. Sair, é o sais, nada de sair. E nada a fazer.

Dei voltas ao miolo e não sei quantas ao Eliminar das Ferramentas do Internet Explorer.

Desesperado, já pensava em formatar o disco, quase preparado para a seca da instalação do SO e de mais não sei quantas aplicações. Mas este pacote de operações ia moer-me a paciência e resisti, resisti… e o subconsciente recompensou-me da continuada resistência ao bota abaixo.

Em boa verdade, atento ao meu desespero, desdesesperou-me. Deu-ma a dica:
Oh pá, então e aquele utilitário, coisital, patati patata…

Obrigado subconsciente. O face está On e eu Oh oh oh!

E ainda mais obrigado ao CCleaner, pelo servicinho que foi uma limpeza, limpar o lixo que tinha trancado o facebook.

Por isso, pelo reconhecimento do seu mérito, aqui fica a chapelada ao produto e à sua produtora, a
 
 
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Mentiroso confirma mentira


Até Franquelim Alves lhe sai da cartola!

 
Franquelim Alves foi o primeiro chamar a atenção para irregularidades no BPN, diz Relvas

http://www.publico.pt/politica/noticia/franquelim-alves-foi-o-primeiro-chamar-a-atencao-para-irregularidades-no-bpn-diz-relvas-1583584?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoRSS+%28Publico.pt%29

Relvas diz, e depois!?

Se diz é mentira. Ponto.

Esteve fugido uns meses e volta agora aos jornais, à laia de regresso do herói.

Pé ante pé, a apalpar terreno, a fazer servicinhos ao Passos com balões de ensaio e a meter a foice em seara alheia, quer branquear-se e ganhar espaço.

Porém não nos esquecemos. Um aldrabão confesso só confessa aldrabices.

Em vez de palrar sobre o visto e «ouvisto»* melhor seria que visse isto:




 
 
* nisto é ele mestre!
 
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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Manifestações únicas. Manifestantes ímpares


Relvas rua!


 
Nas duas primeiras compareceram umas centenas de manifestantes. Porém, aos poucos, o protesto foi tendo menos defensores da Ética contra o Relvas no governo Passos.

E nas últimas, têm sido poucas as presenças. Poucas, muito poucas de facto, mas quem foi a manifestações que antes de exibir os cartazes ou gritar protestos cumprimentou todos os outros manifestantes!? Mas é o que tem acontecido nas Relvas rua!.

Nas máquinas oleadas é natural que os do enquadramento e da segurança se conheçam há muito e se cumprimentem.

No caso das Relvas rua! todos cumprimentam todos… e não há seguranças nem enquadramento. Sem chefes nem correias de transmissão, têm sim o propósito de, com a sua cidadania ativa, dar um impulso para que Portugal se emancipe da trafulhice, do chico-espertismo e do oportunismo.


Retomando o tema, há a registar que no Natal apareceu o bolo-rei, o Porto e até a torta sem glúten. E mais recentemente, na 30ª e na 31ª, boas mãos levaram uns ricos biscoitos e uma jeropiga à altura.

E é óbvio que 31 semanas consecutivas exigindo Ética e Dignidade aos políticos que nos representam criaram laços de amizade.

Daí os beijos e abraços semanais, daí o compromisso desses Cidadão em levantar a sua voz todas as segundas-feiras até o aldrabão sair do governo.
 

E daí também terem instituído o Comité Amarelo, mas isso é outro capítulo, capítulo para outra semana.
 
 

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O meu primeiro rufo

 
 
Foi no Seixal e teve duas partes. A primeira até a mão e o braço esquerdos quase não suportarem o bombo. Bombo 50, fica o registo.
 
A segunda correu melhor, com o polegar a pedir boleia ao cinto e a sonhar com o mosquetão que no dia 17 pendurará o bombo no dito cinto.
 
A verdade é que o saldo é positivo, o braço há-de esquecer-se do esforço inusitado e a mão também se habituará às cordas. Ou calejará.

A história detalhada inclui rufar a diferentes ritmos, enganar-me nas sequências e bater no aro do bombo em vez de o fazer na pele. Envolveu igualmente caminhar cadenciado e ganseado, sim como os gansos, bamboleando-nos.

Completámos o menu a curvar alinhados, com elegância e a sorrir. Sorrir foi um mote reforçado.
 
A ata não estaria à altura do evento sem uma referência ao grupo simpático e interessado e ao maestro que sabe da poda e sabe podar os rufinas.

Encaro o meu rufar com um sorriso nos lábios.

O meu primeiro bombo

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A injustiça das palavras ocas


 

Cavaco quer justiça célere a contribuir para a economia
"Na conjuntura atual, mais do que nunca, a Justiça deve primar pela eficiência e pela celeridade na resolução dos litígios com incidência económica." http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=3025114

Olha que novidade; também eu quero! Quero eu e os outros senhores, os senhores da massa e os sem massa; as madames e a D. Fortunata, a minha vizinha aqui do lado.
Até o meu Compadre Jaquim quer, a quem o filho da puta daquele finório de merda nunca mais paga as não sei quantas paletes de fio de cobre.
O mesmo me dizia a minha amiga Vanessa Maria, ainda não há uma semana, quando pôs em tribunal a cabra que não se descose com as letras do BM de que foi fiadora.
E ontem o sobrolho retorcido do Tibério dizia tudo, ele que nunca mais vê deslindado o enleio em que o meteu o patrão que se pisgou com máquinas e tudo.
 
O que não vejo é luz ao fundo do túnel; nem o Cavaco tem "unhas" nem o Passos tem Norte e a rapariga que faz leis anda entretida a desmoer as pérolas que lhe atira o bastonário.

Moral da história, muito paleio, bla bla qb, muita abertura de ano judicial, muita trica e pouca fruta.

Não vamos lá com gente que se consola a atirar-nos palavras ocas para nos entorpecer enquanto as negociatas progridem e a economia regride. Apesar da cara de pau do Cavaco, a fingir-se surpreendido pelas picardias dos barões da "justiça".

Falta quem agarre os factos pelos cornos e tenha "unhas" para impor a verdade à espadeirada. Sem medo dos corporativismos instalados nem da cumplicidade com interesses abençoados.

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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Gente ignorante e pacóvia

 
Transcrição integral. Título e símbolo Formigarras
 

 

Carta a minha mãe sobre o SNS e outras coisas em Portugal

TERESA PIZARRO BELEZA*

10/01/2013 - 00:00


Aqui vai o meu texto para ela:

"Mãe, sabes que agora em Portugal mandam uns senhores que estão a dar cabo do Serviço Nacional de Saúde? E que dizem que é por causa de uma tal de troika, que agora manda neles? Lembras-te da "Lei Arnaut", que, segundo ele mesmo diz, tu redigiste, depois de muito pensares e estudares sobre o assunto, com a seriedade e o empenho que punhas em tudo o que fazias?

Lembras-te das nossas conversas sobre a necessidade de toda a gente em Portugal ter acesso a cuidados de saúde básicos de boa qualidade e de como essa possibilidade fizera em poucos anos  baixar drasticamente a mortalidade materna e infantil, flagelos nacionais antigos, como uma das  coisas boas que se tornaram realidade depois de 1974 e com a restauração da democracia?

Lembras-te de quando eu te dizia que eras tão mais socialista do que "eles", os do Partido Socialista,  e tu te zangavas porque não era essa a tua imagem e a tua crença?

E quando eu te dizia que o ministro António Arnaut era maçon e tu não acreditavas, porque ele era (e  é) um homem bom - e para ti a Maçonaria era a encarnação do Diabo...

Mãe, tu, que te dizias e julgavas convictamente monárquica, católica, miguelista, jurista cartesiana  (isso era o que eu te dizia e que penso que eras, também), que conhecias a Bíblia e Teilhard de Chardin como ninguém e me ensinaste que Deus criara o homem e a mulher à Sua imagem, quando pronunciou o fiat, porque assim se diz no Génesis...

Tu que dizias que o problema dos economistas era que não tinham aprendido latim... e me tiravas as dúvidas de português e outras coisas, quando me não mandavas ir ao dicionário, como agora eu mando o meu Filho...

Tu que foste o meu "Google", às vezes renitente, quando este ainda não existia... Sabes que agora manda em Portugal gente ignorante e pacóvia, que nem se lembra já de como se vivia na pobreza e na  doença, que julga que o Estado se deve retirar de tudo, incluindo da Saúde, e confunde a absoluta e premente necessidade de controlar e conter o imenso desperdício com a ideia de fechar portas, urgências claramente úteis social e geograficamente...

Sabes que fecharam o Serviço de Urgência e o excelente Serviço de Cardiologia do Hospital Curry Cabral sem sequer prevenirem ou consultarem o seu chefe? Onde irão agora todas aquelas pessoas tão claramente pobres, vulneráveis e humildes que tantas vezes lá encontrei e que não pareciam capazes de aprenderem outro caminho, outro destino, de encontrarem outros dedicados e pacientes "ouvidores"?

Sabes que um ministro qualquer disse que o edifício da Maternidade Alfredo da Costa não tinha qualquer interesse urbanístico ou arquitectónico, para além de condenar ao abate essa unidade de saúde, com limitações já evidentes, mas que tão importante foi para tanta gente humilde ter os seus filhos em segurança? Será mesmo que não a poderiam "refundar", como agora se diz? Ou quererão construir um condomínio fechado, luxuoso e kitsch, no meio de uma das minhas, das nossas cidades?

Lembras-te de me ires buscar à MAC quando nasceu o meu Filho e de como te contei da imensa  dedicação do pessoal médico e de enfermagem e da clara sobre-representação de parturientes de origem social modesta, imigrantes, ciganas, ou simplesmente pobres?

Sabes que há muita gente que pensa que a iniciativa privada, incontrolada e à solta, é que vai salvar Portugal da bancarrota, e que ignora o sentido das palavras solidariedade, justiça, igualdade, compaixão?

Sabes, Mãe, eu lembro-me de ver pessoas que partiram de Portugal para o mundo em busca de trabalho e rendimento a viver em "casas" feitas de bocados de camioneta, de restos de madeira, de cartão e outros improváveis e etéreos materiais, emigrantes portugueses que foram parar ao bidonville em St Denis, nos arredores de Paris, num Inverno em que a temperatura desceu a 20 graus Celsius abaixo de zero (1970). Nas "paredes", havia toda a sorte de inscrições contra a guerra colonial e contra o regime que então reinava em Portugal.

O padre Zé, o nosso amigo da Mission Catholique Portugaise que me acompanhava e me quis mostrar o bairro, proibiu-me de falar português e de sair do carro enquanto ali passávamos... e aqui em Portugal eu vi tanta miséria envergonhada, homens de chapéu na mão a pedir emprego, mulheres e crianças a pedir esmola, apesar de todas as leis e medidas que o Estado Novo produziu para as esconder, como já fizera a Primeira República.

A pobreza e a vadiagem não se eliminam com Mitras e medidas de segurança, mas com produção e distribuição de riqueza e de justiça social. Com a promoção da igualdade e da solidariedade, como manda a Constituição.

E a Saúde, Mãe, que vão fazer dela? Da saúde dos pobres, dos velhos, das crianças, dos que não têm nem podem ter seguros de saúde de luxo, porque não têm dinheiro, porque já não têm idade, ou porque não têm saúde?

E as crianças, Mãe? Vão de novo morrer antes do tempo porque o parto foi solitário ou mal assistido, porque a saúde materno-infantil passou a ser de novo um bem reservado a alguns privilegiados, ou porque a "selecção natural" voltará a equilibrar a demografia em Portugal, recolhidas as mulheres a suas casas, desempregadas e de novo domesticadas, e perdida de novo a possibilidade de controlo sobre a sua própria fertilidade?

O planeamento familiar, que tu tão bem explicaste que deveria segundo a lei seguir a autonomia que o Código Civil reconhece na capacidade natural dos adolescentes - tu, católica, jurista, supostamente  conservadora (assim te pensavas, às vezes?)...

Sabes que aqui há tempos ouvi uma jurista ignorante dizer em público que só aos 18 anos os jovens poderiam ir sozinhos a uma consulta de planeamento familiar, quando atingissem a maioridade, sem autorização de pai ou mãe?

Ai, minha Mãe, como a ignorância é perigosa... Será que nos espera um qualquer Ceausescu ou equivalente, dado o progressivo estrangulamento político e social a que a necessidade económica e a cegueira política nos estão levando?

Os traços fascizantes que são visíveis na repressão da liberdade de expressão e de manifestação, em tudo tão contrários à Constituição da República, serão só impressão de uns "maníacos de esquerda", como dizem umas pessoas que há tão pouco tempo garantiam que essa coisa de esquerda e direita era coisa do passado?

Mas as crianças são o futuro, Mãe, que será deste país sem elas, sem a sua saúde e sem a sua educação, sem o seu bem-estar, sem a sua alegria?

Eu lembro-me tão bem dos miúdos descalços e ranhosos nas ruas da minha infância... e da luta legal,  tão recente ainda, quem sabe se perdida, contra o trabalho clandestino, ilegal e infame das crianças a coserem sapatos em casa, a faltarem à escola, a ajudarem as famílias, ainda há tão pouco tempo,
ou dos miuditos com carregos e encargos maiores que eles, à semelhança das mulheres da carqueja a subirem aquela rampa infame que Helder Pacheco, o poeta-guia do nosso Porto, tão bem descreve...

"Que quem já é pecador sofra tormentos, enfim! Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor?!... Porque padecem assim?!..."

Mãe, se agora cá voltasses, ao mundo dos vivos, acho que terias uma desilusão terrível.

Melhor que não vejas o que estão fazendo do nosso pobre país.

Da tua Filha, com muita saudade,

Maria Teresa

Ericeira, Portugal, Europa, dia 31 de Dezembro de 2012

* Professora de Direito Penal, directora da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.


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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

"Governo" mata-velhos!


O texto seguinte é de Vitor Bento, o economista da SIBS que é também Conselheiro de Estado, foi publicado no Económico a 12 de Dezembro passado e é um avisado aviso a Vitor Gaspar e seu auxiliar Passos.
Avisa também os reformados para não se deixarem ficar nos seus sofás glutões e televisões recheadas de engodos chamados Fátima Lopes e Fernando Mendes.
E sem os convocar, alerta-os para que não se fiquem pela bisca lambida nos jardins, enquanto Gaspar os expropria ao som de embustes delambidos do funerário Passos.
A transcrição é integral, salvo o título Formigarras e a sugestão da sua leitura atenta e vagarosa.

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Um mau passo !

Uma das histórias contadas na minha infância – creio que integrava um dos livros de leitura – falava de uma terra onde os filhos costumavam levar os pais velhos, que já não podiam trabalhar, para o cimo de um monte, onde ficavam sozinhos, à espera do fim.

Certa vez, quando um dos filhos dessa terra cumpria o ritual, colocando o velho pai no tal monte e deixando-lhe uma manta para se abrigar do frio enquanto sobrevivesse, o ancião perguntou-lhe se não teria por acaso uma faca consigo.

Ao que o filho respondeu: "Tenho, sim senhor. Para que a quer?". "Para que cortes esta manta ao meio e guardes metade para ti, para quando o teu filho te trouxer para este lugar!".

Como estas histórias eram destinadas a retirar uma consequência moralizadora, o rapaz percebeu o alcance do pedido, levou o pai de volta para casa e com isso se acabou o terrível costume.

Lembrei-me da história a propósito do artigo 76º do OE 2013 (versão da proposta) e, muito em particular, em particular do seu número 2. Este preceito exige dos reformados - e só deles! - o pagamento de uma "contribuição extraordinária de solidariedade", que, em termos marginais, pode ir até aos 50%, para além do corte de 90% de um subsidio e dos impostos a que as pensões já estão sujeitas - nomeadamente o IRS, progressivo. Isto provoca, em muitos casos, uma drástica redução de rendimento para quem, tendo planeado a fase final do seu ciclo de vida com base numa promessa do contrato social, nuns casos, ou de puros contratos, noutros casos, já não dispõe de condições nem de tempo para reajustar o seu plano de vida à violenta quebra dessa promessa e ao consequente desmoronamento da fase final desse seu plano.

Por isso - e a não ser que me esteja a escapar qualquer coisa que torne este meu raciocínio num grave erro - me parece que aquela norma viola tantos princípios da justiça distributiva - da justiça intergeracional, à equidade, à igualdade, à proporcionalidade, ... -, que não vejo como tal manta possa escapar à faca da vigilância constitucional. E, se não escapar, será um risco desnecessário para a execução orçamental.

E não é apenas a justiça distributiva que está em jogo. É que, ao estender-se às pensões oriundas de fundos de pensões e às rendas vitalícias - que não constituem uma redistribuição contemporânea de rendimento, como é o caso das pensões da Segurança Social ou da Caixa Geral de Aposentações, mas são a distribuição de património já acumulado e que, por direito, pertence aos beneficiários dessas pensões -, a norma pode ainda ser vista como um verdadeiro confisco de património privado.

É pena que tal zelo nunca tenha sido aplicado às rendas no sector não transaccionável. Não só por questões suscitáveis em sede de equidade na distribuição dos imperativos de solidariedade, mas porque aquelas constituem um factor de erosão da competitividade do sector transaccionável, de que depende a recuperação e a sustentabilidade do crescimento da economia.

Enfim, tal como uma andorinha não faz a primavera, uma medida injusta não contamina todo um programa, nem define, só por si, a justiça global desse programa. Embora possa contribuir, desnecessariamente, para a erosão do consenso social e político de que depende o seu sucesso. Preserve-se, pois, o essencial - em que é preciso perseverar, com paciência e estoicismo -, porque ele é indispensável.

Vitor Bento, Economista

http://economico.sapo.pt/noticias/um-mau-passo_158251.html