sábado, 26 de abril de 2014

Palavras de esperança no 40º 25 de Abril

 


Das poucas palavras de esperança neste 25 de Abril


Pronunciadas por Vasco Lourenço no Carmo, ontem de manhã, no Largo do Carmo, e aqui repescadas da Mensagem da Associação 25 de Abril na celebração do 40º aniversário
http://www.25abril.org/a25abril/index.php?content=243

  

Passados 40 anos depois da madrugada que deu origem a “o dia inicial inteiro e limpo/onde emergimos da noite e do silêncio/e livres habitamos a substância do tempo” qual o tempo que hoje nos é dado? Cada dia que passa, assistimos à destruição do positivo que foi construído, em resultado da acção libertadora de há 40 anos!

O país está vendido, em grande parte e a pataco, ao estrangeiro! A emigração de muitos portugueses consuma-se, levando consigo muito do saber e da capacidade indispensáveis à desejada recuperação de Portugal!

Os roubos permanentes a que os portugueses são sujeitos, da parte dos que deviam protegê-los e prover pelo seu bem-estar estão a destruir a esperança no futuro! A ausência de uma justiça igual para todos provoca o descrédito do que deveria ser um Estado de Direito!

Os detentores do poder assumem-se, cada vez mais, como herdeiros dos vencidos em 25 de Abril de 1974! As desigualdades, consumadas no aumento do enriquecimento dos que já têm tudo e no cada vez maior empobrecimento dos mais desfavorecidos, transforma a nossa sociedade num barril de pólvora que apenas será sustentável numa nova ditadura opressiva, com o desaparecimento das mais elementares liberdades.

O medo, pelo futuro, cada vez mais, propaga-se em variados sectores da sociedade! Como há já alguns anos, manifestamos a nossa indignação face aos acontecimentos que se estão vivendo em Portugal e configuram, sem a menor dúvida, um enorme e muito grave descrédito dos representantes políticos, um logro à confiança dos cidadãos e um desprestígio para o nosso País.

A Democracia baseia-se num pacto social, onde os cidadãos elegem os que consideram os mais indicados para gerir os assuntos públicos e para os representar durante um período de tempo previamente acordado.

A Democracia não é, nem pode ser jamais, a concessão a uns quantos de uma patente de pilhagem para se enriquecerem durante quatro anos ou mais!

A Democracia tem o seu fundamento na confiança que os representados têm nos seus representantes e na lealdade destes perante quem os elegeu. Quando essa confiança é traída e essa lealdade desaparece, o prestígio e a legitimidade moral da classe política desmoronam-se e o cimento da Democracia apodrece.

Tudo isto tem-se agravado, cada ano que passa. Porque continuamos a considerar que a antecâmara do totalitarismo surge quando num Estado de Direito a classe política perde o seu prestígio, porque se transforma numa espécie de casta que deixa de servir os interesses de todos para servir apenas os seus próprios interesses.

E, porque queremos lutar pela manutenção da Democracia, que apenas será viável pela reafirmação dos valores de Abril, proclamamos a imperiosa necessidade de: Assunção de um compromisso nacional na defesa e manutenção do Estado Social que legitimamente satisfaça as necessidades básicas, erradique a pobreza “vergonha de nós todos”, e abra um caminho de esperança e de luz para o sector mais desprotegido da sociedade portuguesa que lhe possibilite o acesso à formação, educação e emprego.

Assunção de um compromisso nacional para a promoção de um duradouro programa de educação e investigação científica, para qualificação dos jovens nas áreas fundamentais da globalização.

Assunção de um compromisso nacional para a promoção de um programa duradouro do sistema judicial, de forma a tornar a justiça mais célere e mais próxima dos cidadãos, sem descriminação entre pobres e ricos.

Assunção de um compromisso nacional duradouro de um programa de emprego agregador e integrador dos vários saberes e competências acumuladas, que incentive o regresso de milhares de “cérebros” forçados à emigração, que incorpore jovens licenciados, agregue adequados programas de formação para jovens que abandonaram os estudos, e para trabalhadores activos que necessitem actualizar e melhorar saberes e competências.

Assunção de um compromisso nacional e duradouro de um programa de desenvolvimento económico sustentável à adopção dos objectivos enunciados para a manutenção do Estado Social e dos programas de educação, justiça e emprego.

O governo e a cobertura que lhe é dada pelo Presidente da República protagonizam os fautores do “estado a que isto chegou” razão pela qual não serão eles a quem possa continuar a confiar-se os destinos de Portugal.

Torna-se, por isso, urgente uma ampla mobilização nacional para sermos capazes de aproveitando as armas da Democracia mostrar aos responsáveis pelo “estado a que isto chegou” um cartão vermelho, que os expulse de campo!

Temos de ser capazes de expulsar os “vendilhões do templo”! Os desmandos e a tragédia da actual governação não podem continuar!

Igualmente, temos de ser capazes de retornar às Presidências de boa memória de Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio! O 25 de Abril foi libertação e festa, passou por participação e desenvolvimento, mas passou também por retrocesso e desilusão, fruto da corrupção e esbanjamento. Hoje sofre revanchismo, roubo e destruição.

Que se consubstancia em despudorados ataques à saúde pública, à educação, à segurança social, ao direito ao trabalho, ao direito a uma velhice sossegada, e aponta para o fim das liberdades, da soberania e da democracia.

Temos de ser capazes de ultrapassar os sectarismos, temos de ter a capacidade de, contrariamente ao que normalmente acontece, e reconhecer o inimigo comum, mesmo antes de sermos totalmente derrotados. Vencendo o conformismo, temos de ser capazes de resistir de novo, reconquistar as utopias, arriscar a rebeldia e renovar a esperança! Recolocados os valores da madrugada libertadora, nessa altura, vencido o medo, poderemos então retomar a esperança de continuar a construir Abril!

 
Viva Portugal!
Viva o 25 de Abril!

 
 
25 de Abril de Abril de 2014

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Vampiros



No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vem em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada
 

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

 
A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas
 

São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei
 
 
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
 

No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada
 

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
 

Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

 

 
José Afonso
 
 
++++
 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Chão bom


 

Aos amigos em viagem,
seja mocinha ou grisalho,
dou guarida, hospedagem,
fofa cama, bom soalho.
  

Ortopédico rijo chão,
com manta de lã às riscas,
conserta qualquer comichão,
cura as mágoas mais ariscas.
 

O sofá, para quem queira,
seja andarilho alistado,
venha de Braga ou da Beira,
ficará bem acoitado.

  
Abrange mercês matinais:
banho quente na ementa,
mel, boas frutas nacionais,
a tiborna suculenta.
  

Arrolando esta proposta,
ao Alentejo talhado
ou do Pico à contracosta,
terás o CAOS partilhado.

 

 

Manuel A. Madeira
24 de Abril de 2014

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A santa hipocrisia da fingida santidade




O ex-secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, inaugura em maio a sua nova residência no Vaticano. Trata-se de uma cobertura de luxo com 700 metros quadrados, o que está a irritar o Papa. http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3825060&seccao=Europa

 
O senhor Francisco não tem nada que irritar-se, até porque a ira é pecado. Vem nos manuais católicos.

E em vez de se irritar, que decida. Basta tomar uma decisão.

Decida dar um fim socialmente útil ao luxuoso espaço, mande o Tarcisio para um convento de frades mendicantes e excomungue quem arrebitar o nariz. Também consta do catálogo do direito canónico.

A verdade é que transparece da notícia que o Vaticano é governado através da comunicação social. Em vez de tomar medias, o senhor papa mandou alguém enviar a informação às redações para encostar o cardeal de luxo à parede.

Mas porquê, se o papa católico tem todos os poderes do céu e da terra!? Por que não os usou antes deste escarcéu?

A explicação é simples.

Por mais poderes que invoque, defronta uma tenebrosa rede de interesses nada cristãos, enraizados há séculos naqueles palácios. Sim, o topo da pirâmide hierárquica católica vive em palácios. Como nababos. Parêntesis [parafraseando a retórica católica]: o que diria Jesus deste luxuoso despudor!?

Afinal, a notícia não deixa de ter alguma utilidade para o mundo: ser o próprio papa a desmascarar a inconsistência do aparelho ideológico chamado Santa Sé. Santa!? Que santidade...
 
!!!!!
 

terça-feira, 22 de abril de 2014

Racismo nem pensar!




Não fossem as contradições e teria alguma graça, quiçá desmistificadora:

Quando nasci, era preto.
Quando cresci, era preto.
Quando pego sol, fico preto.
Quando sinto frio, continuo preto.
Quando estou assustado, também fico preto.
Quando estou doente, preto.
E, quando eu morrer continuarei preto !

E tu, cara branco.
Quando nasce, é rosa.
Quando cresce, é branco.
Quando pega sol, fica vermelho.
Quando sente frio, fica roxo.
Quando se assusta, fica amarelo.
Quando está doente, fica verde.
Quando morrer, ficará cinzento.

E vem me chamar de homem de cor ?

(Escrito por uma criança Angolana)
 
Primeira contradição, para não dizer primeira mentira, ou seja, uma ratice tipo Relvas: criança não escreve assim!

Segunda, não se combate o racismo com prosas contra civilizacionais. A verdade é que somos

 
 
Já agora, autor tem nome. Faltou no canal que me bateu à porta.
 
 

sábado, 19 de abril de 2014

Figurinha a fingir figura

 

Alguns 'laranjas' confessam-se "fartos" de Assunção Esteves
http://www.noticiasaominuto.com/politica/205730/alguns-laranjas-confessam-se-fartos-de-assuncao-esteves?utm_source=vision&utm_medium=email&utm_campaign=daily

E os outros portugueses!? Estamos todos fartos, fartíssimos, do fartote de caricaturas da D. Assunção.

Uma consulta a imagens Google e é-nos apresentada uma vasta galeria dos seus esgares.

A agressão oral aos capitães de Abril, foi a última, mas não a mais grave. Quem não se lembra de, perante manifestações de Cidadãos na AR, a senhora ter alegado tratar-se de ato criminoso.

E o Expresso já lhe leu a sentença ao publicar esta frase coveira:

Assunção Esteves nunca foi tida como muito sã da cabeça
http://expresso.sapo.pt/assuncao-esteves-nunca-foi-tida-como-muito-sa-da-cabeca=f865421

Mas Portugal precisa de figuras de Estado, gente com envergadura para o representar, não figurinhas destas, sem estatura de estadista nem aptidão psicológica. O apego ao poleiro não basta. E afinal nem poder tem, de tanto ter caído no ridículo. Ombreia com outras figurinhas da corte do Passos, com destaque para o Relvas.

Pois os social-democratas bem podiam desfartar-se dela: bastava mandarem-na para casa à moda soviética (salvar as aparências):

Por motivos pessoais, sua excelência, bla bla, pediu dispensa das funções a que tanto brilho imprimiu.

[ O brilho dos flashs sobre os seus descontrolados comportamentos, as suas posturas anedóticas e os seus dizeres de pompa oca. ]
 


Humor negro

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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Que prescrevam as prescrições, banidas e enterradas




"Prescrições minam a confiança nas instituições"


O Banco de Portugal "partilha" da "preocupação pública" relativamente às recentes prescrições de processos relativos ao sistema financeiro, afirmou o governador Carlos Costa durante a sua audição no Parlamento. http://expresso.sapo.pt/prescricoes-minam-a-confianca-nas-instituicoes=f864902


Tivessem as "instituições" alguma vergonha, alguma dignidade e um pouco de respeito pelos Cidadãos e já teriam eliminado as prescrições.

Já as teriam varrido dos códigos, desalojado das leis e dos regulamentos. Enfim, tivesse o Portugal atual estadistas de corpo inteiro e deputados que honrassem o mandado que lhes foi conferido pelos concidadãos e as prescrições acabavam. Como acabariam tantas negociatas que as prescrições ilegitimamente branqueiam.

Que bons serviços prestariam à Ética e à justiça sem aspas!
Que mais eficaz medida de redignificação das ditas "instituições" poderiam tomar!?

Mas as prescrições não prescreverão porque hoje os eleitos são agentes de interesses encapotados e não institucionalistas dos seus eleitores.

E os juristas, profs e dotôres, consultores e outros mangas-de-alpaca doutrinários, berrariam aos quatro ventos os atropelos à tradição, ao direito romano, essa oportunista bengala.

Os mesmos que se calam como pedras tumulares perante as prescrições que favorecem ricos e poderosos trafulhas. Essa indignidade é que bem podia prescrever!

terça-feira, 8 de abril de 2014

O bom cinema francês voltou e voltou em alta – Você não pode perder 'Palácio das Necessidades'


 

Um frenético fala-barato como Ministro dos Negócios Estrangeiros.
 
Uma corte de assessores e consultores de qualquer coisa, mas especialistas em manipulação entre eles e com o exterior.


Um aprendiz da diplomacia de agradar e mascarar.

Mas também um ponderado chefe de gabinete, âncora psicológica e traço de união entre as diatribes ministeriais e a burocracia instalada. E também o melhor dos atores do filme: Niels Arestrup.

 
Ah e a atual namorada do PR francês no papel de adida para África; que ao desvertir-se provocatoriamente explica o porquê das escapadelas de Hollande...

 
Conclusão
Um filme bem humorado, com uma linha condutora consistente com a pompa balofa de diplomacias de meio mundo. A boa fotografia e alguns efeitos especiais ajudam na caricatura.
 
++++
 
 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

O sonho russo do peixe português




"O sonho de qualquer russo é empanturrar-se com peixes e mariscos frescos lá em Portugal."


Leio isto no texto de Marco C. Pereira, A ilha-mãe do Arquipélago Gulag, publicada na tabu do passado 14 de Março, e foi dito pelo seu anfitrião russo.

Tal como os russos, também eu sonho com peixe grelhado, mas a verdade é que realizo o sonho frequentemente. O do peixe, que do marisco ando arredado há muito. Política.

Política de encolhas, política de colesterolemia e política de não seguir a política de novos-ricos da política.

A verdade é que a maioria dos portugueses não se baba pelo peixe fresco porque o come com regularidade. Quanto ao marisco... isso é outra conversa. Voltemos ao peixe.

E outra verdade é que somos uns impenitentes lamechas. Lamentamo-nos da chuva e do sol, do sim e do talvez, eh pá, nunca mais chove, a humidade dá-me cabo dos joelhos. E dos robalos de aviário. Da sardinha magra e do espinhoso safio.

Mas lá os vamos comendo, ao contrário dos russos que só em sonhos. Exceto os abençoados filhos da queda do muro, que enchem os aviões a caminho dos nossos grelhadores à meia praia.

Bom, em nome da não ingerência nos assuntos internos alheios e da amizade entre os povos, fechemos este canal político.

Sejamos, pois, bons amigos, amigos sem espinhas. E amigos do peixe fresco, quem sabe se confrades de uma futura Confraria do Peixe Escalado Rússia - Portugal...


Façamos então um brinde àquele bom sonho russo e ao sucesso da confraria.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Bicla


Meu amigo, amiga minha,
transmontano ou alfacinha,
Olha a chuva d'abalada,
e tu com ela argolada.

 
Deixa a sorna, o comodismo,
essa dor, esse laxismo.
Limpa selim, pedaleira,
e a bicha traiçoeira.


Aperta raios e ponteiras;
sem desculpas, ratoeiras,
oleia pedais e corrente,
malha esse corpo indolente!

 
Vai, pedala confiante
pelo Minho verdejante
ou terreola algarvia,
desfrutando a ciclovia.

 
Em passeio, regalado,
o guiador bem filado,
btt ou pasteleira,
desmói bocha petisqueira.

 
Até podes dar uns tombos,
amarfanhar esses lombos
nas curvas mais apertadas,
as canelas escalavradas.

 
O teu esforço é compensado:
muito ar puro, um ar rosado,
poupas sofá, soltas bufas...
Larga lá essas pantufas!

 


 

© Manuel A. Madeira
     2 de Abril de 2014

 

terça-feira, 1 de abril de 2014

Terrorismo toponímico

Lisboa, 28.Março.2014
 
Que crime, tão mal empregada tinta, que na cara de quem a desperdiçou lhe lembraria que destruiu património coletivo.
 
Goste-se ou não da herança de Cunhal, teve um papel na nossa história. E como vencido nem os seus mais chegados lhe conseguirão limpar esse papel. Nem o vândalo que enojou o seu nome.
 
E alguém sabe quem foi o professor Lopes de Oliveira!? Nem na Parede, quiçá.
 
O que terá ensinado, que coisas escreveu também não. Não será pela sua obra que o criminoso paredense emporcalhou a placa e a vila; apenas evidenciou a geral impunidade destas marcas contra civilizacionais.
 
Tivesse Portugal Estadistas, fosse Portugal um Estado de Direito...
 
Mas não, nem sequer tem nos órgãos de soberania qualificada maioria de gente norteada pela Ética, pelo bem comum.
 
E como e exemplo vem de cima, cabe-nos evidenciar os desmandos de uns e outros!
 
Parede, 31.Março.2014
 
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domingo, 30 de março de 2014

Vinagrada


Um bom vinho é poesia engarrafada
Robert Louis Stevenson



Muito saber levedado,
aferida madureza,
claro juízo moldado,
um poema com certeza.


Este escocês entendido,
que às musas bem se arrima
e a Bocage rendido,
rejeita versos sem rima.


Versejar, enologia,
pedem bitola, contador:
o escanção, alcoometria,
silabário pró rimador.


Poesia por inteiro
é sonho, arte, meditação;
e bom metro timoneiro
pede meças, pontuação!



Labaredas sufocadas
ou arrufo remendado
em estrofes alquebradas
sugerem vinho azedado.


Numa zurrapa inspirado,
faz o bardo uma charada:
choro em verso quebrado,
poesia envinagrada.



© Manuel A. Madeira
30 de Março de 2014

 


sexta-feira, 28 de março de 2014

Filho de padre 'In illo tempore'

 

Não há amor como o primeiro
Nem lenha como a de azinho
Nem filhos como os de padre
Que chamam ao pai padrinho!
 
Autor desconhecido
In
'In illo tempore'
Trindade Coelho (1861 – 1908)
 
 

quinta-feira, 27 de março de 2014

Profissionalismo alentejano



O Alentejo vigoroso, não o vagaroso das anedotas, tantas vezes alarves

Boa noite.
Boa noite.
Estou a organizar um almoço e preciso de preços.
Olhe, quem trata disso saiu agora mesmo...
Então a que horas sugere que ligue novamente?
Deixe estar, assim que chegar, ele liga-lhe para o número de que está a ligar. Daqui a uma meia hora.
Obrigado. Boa noite.
Boa noite.

E ligou, profissional que é. Doze minutos depois. Doze, não trinta!

Preciso e objetivo, cordial e sem mesuras.

Fez negócio!

terça-feira, 25 de março de 2014

Um Ministro da Saúde que queira estátua

 
 
 
Centros de saúde vão passar a fazer análises
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=3776399

Finalmente... Finalmente alguém tira os Centros de Saúde do marasmo em que vivem há anos!
 
Esta abanadela é um balão de oxigénio. Embora seja apenas um primeiro passo, pois ainda faltam os dentistas.

E no dia em que os nossos Centros de Saúde tiverem dentistas, Portugal passa ao pelotão da frente em sistemas públicos de saúde. E então os portugueses poderão rir sem medo de mostrar a boca escaqueirada, como os muitos que hoje exibem a precariedade da saúde oral portuguesa.

E nesse mesmo dia, o Ministro da Saúde que tiver tido coragem para enfrentar o negócio dos dentistas comerciais ganha uma estátua.
 
Sim, o ministro que ponha Portugal no pódio mundial da boca sã merece uma estátua gigante de corpo inteiro. Gigante como o salto que provocará na nossa saúde coletiva.

Falta-nos esse ministro! Falta-nos o ministro que queira ganhar essa estátua.
 
???

segunda-feira, 24 de março de 2014

[Caminhadas] Reconhecimento é…




[Contexto: CAOS]

O ponto prévio, o passo de gigante, é vencer a inércia, decidir organizar a atividade. A primeira, como tudo na vida, é …

Depois é…
É pensar numa zona…
É andar às aranhas até encontrar o fio à meada: quem conhece aquilo, sabes de alguém que conheça, um amigo, um compadre do amigo, um caçador, uma gaja da terra, eh pá, obrigadinho…
É arranjar dois, três, quatro companheiros de reconhecimento…
É o fazerem-se à estrada, aos trilhos, ao vai e volta, por aqui não, olha talvez, eh pá tanta silva, o barranco e a ribeira…
É o farnel a meio, ideias a assentarem, o caminho a desbravar-se, e as larachas, oh, as larachas, uma festa…
É fotografar, é anotar, é marcar no GPS…
É o faz-se tarde, o sol a fugir, pensar na janta, na casa em conta…
É dizer não, somos caóticos, não ricaços, isso é demais…
É combinar, é dia tantos de tal, fica por tanto, com torresmos se calhar…
É escrever, é confirmar, telefonar, esperar, azedar, caraças, eh pá…
É publicar, descansar, o tempo a passar…

É amanhã, despertador, toca a andar…

Boa, pá!



domingo, 16 de março de 2014

Travar a aberração sob máscara científica


 

Híbridos de pessoas e de animais: a catástrofe dos nossos dias
http://portuguese.ruvr.ru/2014_02_09/H-bridos-de-pessoas-e-de-animais-a-cat-strofe-dos-nossos-dias-8558/

Tenha medo, um mais do que legítimo medo, ou pior, tenha pavor!

Se isto continua à rédea solta, a humanidade está condenada, a prazo, longo ou talvez num amanhã mais próximo, a ser dominada por aberrações.

Se é que os senhores de interesses e dominadores dos povos, investigadores e legisladores, não são já os monstros que as toleram...

A engenharia genética, promissora linha de investigação que pode tratar doenças e dar esperança a muitos, não pode enveredar pelo caminho da desumanização dos humanos. Tem de ser travada.

Como grande parte das atividades, tem de ser regulamentada, mesmo que contra interesses ou mórbidas curiosidades científicas.
 
E quanto antes, antes que incríveis aberrações, desvirtuando a Natureza, nos sejam impostas sob chantagem, a título de qualidade de vida.

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domingo, 9 de março de 2014

A beleza natural da loura de Casal d'Anja

 
 

A lourita é uma simpatia, fotogénica, tranquila e de olhar doce.

Como estrela experiente meneia a cabeça frente à objetiva e as madeixas louras oscilam ao vento com ar gracioso.
 

Apesar de não terem nem pinga de tinta nem sequer se vislumbrar rasto de água oxigenada ou de qualquer mistela mascarada de tratamento de beleza.


Sem champôs nem hidratantes, sem regeneradores nem nutrientes, sem tónicos nem ultrassons. E ainda por cima sem peladas nem implantes, sem caspa nem comichão, sem extensões nem aberrações, que belo exemplo de harmonia com a natureza.

Tivesse o mundo humano mais louras e morenas, baixas e altas, redondas e fininhas tão livres de besuntos e enganos como a bela pónei de Casal d'Anja e outro galo cantaria...


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quinta-feira, 6 de março de 2014

PSD com novo logo


Anda por aí a circular uma imagem do Passos a propagandeá-lo como chefe incontestado do PSD.
Numa caricatura subliminar de domínio do aparelho partidário, vê-se um coelho sobre um mar de cenouras.
Nem sequer delas emerge um atrevido barão, um empertigado de distrital com BMW de empresa pública ou o seu trombone mais estridente, o Marcelo.
Mas ná, não, nem pensar, népia, isto é uma simples miragem política, nada mais do que ilusão ótica, louvores à parte, claro.
A verdade é que passei na consagrativa noite pelas Portas de St Antão e só vi bananas de chapinha laranja ao peito. Bananas.

De facto, só bananas engolem o Relvas sem pio. Um fininho pio que fosse e já falaríamos de cenouras, quiçá de laranjas e laranjinhas...

Entretanto, a gráfica que trata dos materiais de propaganda anda numa azáfama.

Tem de ter bananas estilizadas nos emblemas de esmalte dourado para as lapelas dos conselheiros que, no próximo Conselho Nacional, irão lamber as botas ao consagrado aldrabão que os preside. Por obra e graça do Passos, o compadre promotor.

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domingo, 2 de março de 2014

FMI abençoa teórico com pés de barro



Vitor Gaspar, com arrastada prosápia de Aladino, apareceu do nada e esfumou-se com a sua própria receita. Mas vai agora infernizar outros povos com essa mesma falida fórmula. Vai para o FMI.

Cobarde, ao ver o efeito da sua xaropada, meteu o rabinho entre as pernas e fugiu para um colo cúmplice que logo o acolheu.

O desaire económico que "minou a minha credibilidade", como reconheceu na carta ao Passos, de 1 de Julho de 2013, abriu-lhe, porém, as portas do FMI. Portas que ele fechou à esperança de muitos e muitos portugueses.

Não teve estaleca para aguentar o caos que provocou, mas os gerentes da botica que engendra mezinhas de jejum alheio apostam nele para gerir o baú.

Entretanto, um livro-entrevista publicado há dias faz-lhe um oportuno branqueamento de imagem. Mesmo à medida, mesmo a tempo!

Mas o tempo reterá que já nem a diretora geral do FMI acredita nos pacotes pré-fabricados que impinge aos povos enrolados pelos Josés Sócrates que por aí pululam.

E também já era tempo de Gaspar, teórico com pés de barro, não ser promovido a carrasco de outros povos, em vez de beber do seu próprio veneno.

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