sexta-feira, 27 de junho de 2014

Que grandes tomates nós temos !


 

Não, não se trata de órgãos nem isto é uma anedota com os ditos; são mesmo tomates.

Tomates portugueses, Made in Portugal, pois então!
 
Tomates que, maduros e processados, com uma pitada de glucose, vinagre e sal, um pouco de anónimos óleos vegetais *) e cheiros sabe-se lá de quê ** dão em ketchup McDonald's.
 
E tão grandes são esses tomates, tão grandes, tão grandes, que em cada 100 gramas de ketchup couberam 194 gramas de tomates!
 
Como os conseguiram meter naquela coisinha tã piquinina, isso é segredo. Segredo comercial protegido por lei. Só a gralha não tem proteção nem vacina.
 
E quem nunca as escreveu que atire o primeiro tomate...
 
 
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* se fosse azeite escreviam azeite, mas é mais caro. Saudável, mas carote.
 
** Não dizem quais os cheiros para os clientes não se porem para aí a matutar e depois também dizerem que estragão não diz bem com o vitelão do hamburger.
 
 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Profissional portuguesa finta amador francês


 

Helena Costa, treinadora de futebol com currículo internacional na orientação de equipas de mulheres, aceitou treinar uma equipa masculina francesa.
 
Até aqui, apenas a evidência de que as mulheres estão a ganhar espaço, pelo seu saber, esforço e determinação. O que é meritório.

Porém, quando se esperavam relatos do seu trabalho, chega a notícia de que abandonou o cargo.

Surpresa, o que se passa, porque borregou ela, falta de unhas!? Esta terá sido a reação generalizada dos seus concidadãos, na falta de uma explicação da prematura da saída.
 
Tardou, mas ei-la agora.

Tiraram-lhe o tapete. Desleal e amadoristicamente. Veja porquê e porque aqui lhe tiramos o chapéu por ter batido com a porta. Saiu por cima e fazemos votos de um rápido regresso aos relvados. A treinar homens ou mulheres.

  

Comunicado de Helena Costa
http://expresso.sapo.pt/portuguesa-que-ia-treinar-homens-saiu-por-se-sentir-desrespeitada=f877494#ixzz35aOoYg6G

 
Venho por este meio comunicar que a minha saída do Clermont-Foot se deve a um conjunto de acontecimentos que qualquer treinador não admitiria, uma vez que revelaram total falta de respeito, bem como total amadorismo.

A saída deve-se principalmente ao facto do Director Desportivo contratar jogadores sem o meu acordo, para uma equipa que eu teria de liderar, e ser responsável, não me dando qualquer conhecimento, e havendo hipóteses financeiramente viáveis para outras contratações. Fui informada através da secretária do Clube, por uma lista de testes médicos.

Como qualquer qualquer líder de uma organização, neste caso um treinador, responsável por uma equipa, é inaceitável.

Considero inadmissível a uma estrutura do futebol profissional,  que o/a treinador(a) tome conhecimento da contratação de jogadores novos pela secretária do Clube , através de uma listagem de jogadores que realizariam os testes médicos no primeiro dia de actividades.  Mais amador se torna, quando o Director Desportivo, não respondeu aos e-mails, ou enviou qualquer mensagem durante cinco dias da semana anterior ao inicio dos trabalhos, quando todos os dias foi por mim questionado através de e-mail. A informação que obtive pela secretária foi enviada 24 horas antes da informação enviada pelo Director Desportivo (o qual se encontrava de férias).

Após tal facto, por e-mail, informei o Sr Director Desportivo que já teria tido conhecimento das referidas contratações, através da secretária do clube, tendo ainda reafirmado o meu desacordo perante algumas delas. Solicitei os dados em falta, tendo o mesmo respondido, entre outras coisas, por exemplo:  "Tu me fatigues avec ton mails, (...) "je ne suis pas ton executant", (...) je ne suis pas a ta disposition".  Sempre foi afirmado pelo Sr Presidente que todos os assuntos relativos à equipa seriam exclusivamente tratados com o Sr. Olivier Chavagnon, Director Desportivo.

Considerei igualmente grave o facto de ter sido  informada pela última vez acerca dos  jogos amigáveis prováveis, ainda sujeitos a confirmação, no dia 5/06/2014 por e-mail. Uma vez que estavam sujeitos a confirmação, apesar de ter sido constantemente por mim questionado sobre os mesmos, o referido Director Desportivo nunca respondeu, inclusivamente até ao dia do início  dos trabalhos (ontem, dia 23/06/2014).

Era suposto existir um jogo amigável no dia 28/06/2014, pelo que como é compreensível a ausência destes factos interferiu directamente com a planificação do trabalho a realizar, o qual é da minha inteira responsabilidade e competência. Foi, por essa razão, comprometido.

Para além de anular uma reunião com o staff técnico marcada para sábado, dia 21/06/2014, por falta de informações,  no Domingo dia 22/06/2014 não estava igualmente no poder das necessárias informações, para planear (embora já tardiamente) toda a semana de trabalho e comunicá-la na reunião com o staff técnico que decorreu às 19h. Confirmo por isso que todo o trabalho foi comprometido, mesmo a apenas umas horas do começo da época desportiva, sendo que a imagem transmitida ao Staff técnico, não correspondeu ao profissionalismo a que sempre me pautei e pautarei.

Perante tantos factos, solicitei ao Presidente, Sr Claude Michy, uma reunião no sábado dia 22/06/2014, no qual não só transmiti o que se passava, as informações que me faltavam, bem como a urgência das mesmas para planificar o trabalho. Revelei ao Sr Claude Michy, que após a forma como o Director desportivo, Sr. Olivier Chavagnon, revelou displicência e falta de profissionalismo,  com interferência directa no meu trabalho, bem como teria tornado tudo numa má relação profissional devido à sua rude resposta, não pretendia trabalhar directamente com o mesmo, nem que houvesse envolvência  deste no trabalho da equipa, uma vez que não havia confiança. Nesse momento revelei ao Sr Presidente, que poderia até abdicar do meu cargo, se pretendesse que o Director Desportivo continuasse ligado à equipa.

Consciente de tudo o presidente afirmou que interviria no dia seguinte presencialmente, perante o Sr Olivier Chavagnon, antes da reuniao marcada para o dia seguinte, para as 19h, concordando que não só o trabalho não estaria a ser feito, como teria sido apenas enviada uma resposta rude. Por razões que desconheço, durante um dia e meio, o Sr Presidente teve o telemóvel desligado e não me comunicou absolutamente nada relativo à sua decisão, no que diz respeito ao papel futuro do Director Desportivo. Foram várias as tentativas de contacto telefónico, bem como as sms enviadas para que houvesse comunicação.

Ontem, dia 23/06/2014 fui a primeira pessoa a chegar ao clube, às 6h45, na esperança de um diálogo com o Sr. Presidente. O mesmo não me contactou, não tendo comparecido ao pequeno almoço/apresentação que decorreu às 7.30h.

Solicitei, por isso, a um funcionário do Clube um telefone alternativo para o contactar, tendo-lhe comunicado nessa altura o meu desagrado pela falta de comunicação aquando de uma situação grave,  por não me ter sido comunicado a sua decisão relativamente ao papel do Director Desportivo, bem como pelo facto de no dia anterior ter sido posta em confronto directo junto de todo o staff, com o Director Desportivo, sem que me tivesse comunicado uma decisão.

Não me apresentei aos jogadores, pelo que o presidente convocou uma reunião na qual para além de mim, esteve também presente o Sr Director Desportivo, um Administrador do Clube, e os meus empresários.

Após algum debate, o Sr Director Desportivo reconheceu que errou na forma como falou, como não me informou de factos essenciais ao trabalho técnico e perante uma não definição do presidente referente ao seu papel, informei toda a gente que me queria demitir, decisão que não retrocedi desde então, mesmo que tenha havido mais diálogo.

Sempre disse publicamente, ao longo deste projecto, que era treinadora , exigente comigo e com os que me rodeiam, que queria confiança e frontalidade, acima de quaisquer outras qualidades. Continuo a seguir os meus princípios, defendendo a minha posição e a classe dos treinadores, no que à competência e comprometimento do trabalho diz respeito.

Apenas escrevi este comunicado após ter lido declarações do Sr Presidente (com quem sempre tive as melhores relações), declarações essas que não estão de acordo com o que os meus empresários, eu e supostamente o clube decidimos expôr na conferência de imprensa, para o bem do Clube e do Sr Presidente, que teve coragem de apostar em mim. Acedi a fazê-lo por reconhecimento da sua coragem e desafio que enfrentou, não esperando por isso ler o que li depois. Lamento o volte-face.

Nada foi por isso súbito e inesperado, decorreu sim de uma série de episódios ao longo do tempo. Continuo a sentir a mesma confiança no meu trabalho que sentia quando aceitei enfrentar a posição de treinadora do Clermont Foot. Sinto-me preparada! Reitero ainda que se sentisse medo, continuaria ainda como treinadora do Clermont Foot 63 neste momento.

Helena Costa

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Bacalhau come batatas ?



Fenómeno do Entroncamento?

Nem fenómeno, nem coisa daquela terra, apenas uma tolice vezes sem conta dita por almas distraídas ou sei lá...
São tantos os endereços com a extensão .com [ponto com] que a sua alusão se tornou trivial. Tal como se banalizou o disparate:
– xico ponto esperto trinta e três arroba ponto come
– dâblio dâblio dâblio pato bravo ponto come

Qual come, qual quê; só quando o bacalhau comer batatas!!! Assadas...
Custa mais dizer com, como em Bacalhau com batatas ou há por aí alguma mazela psico-coisital!?

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domingo, 22 de junho de 2014

PS apadrinha Passos, Relvas & Portas

 

Comissão Nacional rejeitou congresso extraordinário
http://www.publico.pt/politica/noticia/comissao-nacional-nega-discussao-do-congresso-costa-insiste-e-propoe-primarias-a-14-de-setembro-1660045

A CN, enfeudada ao Seguro, meteu a cabeça na areia, afundando o partido, desiludindo Portugal e enfunando o governo.

Como é que correligionários tão batidos ainda não viram que o Tozé é um choninhas político, uma fala-barato sem uma chispa de vigor, um rasgo de inspiração, uma pitada  de propostas palpáveis, exequíveis!? A que o Zé Povinho já leu a sentença nas últimas eleições europeias...

Os paralelos entre Costa e Seguro que, nas últimas semanas, têm sido filtrados para cá da barricada "socialista" não apontam diferenças substanciais entre eles.

Quem é mais isto ou aquilo pouco conta. Só palavras, irrelevantes e não passam de folclore mediático, ímanes muito pouco magnetizados e nada magnetizantes.

O que está em jogo é ser ou não ser convincente, levar os concidadãos a picar no quadradinho PS. E o atual Secretário Geral já mostrou que arrasta a sua corte de fiéis, mas não o português comum, que arrasta, isso sim, os pés a caminho do boletim de voto. E muita azia lhe custa votar no Tozé.

Ora, Costa não é um tribuno, muito longe disso, mas já deu algumas tacadas úteis, embora tenha ido ao PGR pedir batatinhas para o Paulo Pedroso, suspeito de pedofilia, e isso não foi digno nem transparente.

Mas ainda está alguns degraus acima da pasmaceira do Seguro. E tem melhor presença televisiva, não é um cara de pau a fingir de estadista. Ri e sorri, embatuca e retruca, é humano, não uma marionete com cassete.

Porém, esta imagem não convenceu os "camaradas" da Comissão Nacional. Convencidos estão muitos portugueses de que o inseguro caminho de Seguro mais afunda o PS e apaga a luzinha de esperança para Portugal.

Nem lhes ocorreu que aquela decisão partidária dá aos Passos, Relvas & Portas um balão de oxigénio, reforçando a arrogância na campanha contra constitucional que desenvolvem há três anos...

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quinta-feira, 19 de junho de 2014

Uma mulher de mão-cheia XX


XX
Mão-cheia


 

Trata melgas à lambada,
os confrades enfeitiça,
do Alentejo arribada,
virou gaiense postiça.


Onde chega deixa marca:
o seu jeito galhofeiro
põe essência de cilarca
em bitaites de tripeiro.


Por afagos deslumbrada,
quis brindar amigalhaços:
coentros sem vinagrada,
amêijoas em vez de abraços.


Aziaga cozinheira,
vazou todo por inteiro
na puta da frigideira
o caralho do saleiro.


Pôr amigos em salmoura,
com desculpa de mão-cheia;
é mezinha duradoura:
deitar culpa a mão alheia.


 
 

Manuel A. Madeira
16 de Abril de 2014

terça-feira, 17 de junho de 2014

Arte, riscos e borrões de Miró



Sim, Miró foi um artista genial. Não há controvérsia sobre isso. Ponto. Deixou uma vasta obra, com peças muito marcantes, por vezes de uma originalidade peculiar.


 
 
Mas nem tudo o que fez foi arte.

Produziu belas obras, coisas assim assim e também riscou papel, pintalgou telas e desperdiçou tintas. O surrealismo é um campo muito aberto, tolera bem o ensaio e o devaneio, a chispa criativa, mas há limites. E se uma pinga a mais inspira artistas, também lhes destrambelha as fronteiras...

 
 
 



Imagino que num bem regado fim de concurs de castells, numa esconsa tasquita de Valls, alguém lhe tenha pedido um recuerdo e ele, cambaleante, tenha posto uns borrões na toalha de papel. Imagino.


E imagino igualmente que o feliz contemplado tenha transmitido isso como herança. E é fácil imaginar que o atual depositário o traga nas palminhas! Afinal, tem marca Miró.

Mas daí a considerar toda a produção de Miró como arte vai um passo surreal. Um seu chapéu, a caneta que usou naquela bodega ou o sapato perdido num encierro de certa Sanfermines são tão icónicos como muitos dos seus trabalhos.

Mas esses não são objetos artísticos, tal como não o são alguns dos riscos, pintas e borrões Miró. Vários dos quadros de cima falam por si. A não ser que o rei vá nu...

A verdade é que ombreiam com milhares de coisas de milhões de crianças que, em todo o mundo, são iniciadas na diferenciação de nomes e cores e no manejo de tintas, pastas e pincéis. Quem não tem um par de exemplares desses gatafunhos infantis numa qualquer gaveta!?


E tu, se fosse teu aquele lá de cima, o primeiro, deitava-lo fora!? Eu não caía nessa.

Apesar de não ser arte, o carimbo Miró fez desse seu delirante riscado uma peça de museu. Que vale ouro, tal é o valor de certas miragens. Miragens fabricadas por ideólogos que riscam o gosto alheio, fazendo crer que é de mau-gosto não gostar de tudo o que um génio constrói.
 
 

sábado, 14 de junho de 2014

"Escola de Sagres" formadora de juízes eficientes


 

Perceba porque os acórdãos do Tribunal Constitucional demoram tantos meses a parir.
Sim, a parir, pois ao ler algumas parcelas do acórdão sobre a contestação do PS aos artigos 33º, 75º, 115º e 117º da Lei do Orçamento de Estado para 2014, fica a ideia de que o relator escolheu as palavras com pinças cirúrgicas. E escolheu 65.369 palavras. 10 % seriam mais do que suficientes.

 
Comecei a dividir orações n'Os Lusíadas e logo no primeiro Canto, essa renda de bilros a que poucos sábios metem unha.

Um sofrimento, portanto. Por mais que nos concentrássemos, raras vezes nos aproximávamos da divisão correta. Uma e outa vez, líamos e relíamos, contudo perseguia-nos o "inconseguimento". (citação dessa desastrada figura do carreirismo nacional que é a D. Assunção Esteves).

Pois hoje, tantos anos passados, voltei a passar pelas mesmas passas. Ao ler o artigo A IMOTIVAÇÃO de Miguel Sousa Tavares, no último Expresso, sou aterrado por este intragável naco de osso retórico:

"Nenhum critério densificador do significado gradativo de tal diminuição quantitativa de dotação e da sua relação causal como início do procedimento de requalificação no concreto e específico órgão ou serviço resulta da previsão legal, o que abre caminho evidente à imotivação..."

Na cópia que fiz do acórdão, o relator escreveu 65.369 palavras em 76 páginas a corpo 9,5, e os seus colegas, nas respetivas declarações de voto, redigiram 30.397 palavras distribuídas por 48 páginas.

Feitas as contas apenas sobre o corpo de relatório, dá 16.242 palavras e 19 páginas de prosa por artigo analisado.

Findo o parto, o juiz terá olhado para o maço de folhas e exclamado, ufano:
– Ah, caramba, foram meses com o nariz nos códigos, no direito comparado, então aquele alemão... nos constitucionalistas de Coimbra e no Miranda e olha (a falar para o seu umbigo) que coisa mais linda, um monumento! Não há inspeção que não me dê nota máxima.

O Sousa Tavares, que chegou à página 6, terá bocejado, já se viu:
– Brrrr!!!, rrrr rrrr (ressonando).

E o Formigarras, avesso a rodriguinhos, a tamanho desperdício de inteligência, saber e experiência, recomenda vivamente a reconfiguração radical do Centro de Estudos Judiciários.

Esta casa tem de formar magistrados justos, independentes sim, mas igualmente eficientes. Ou seja, que ponderem sempre o custo dos seus próprios atos. As sentenças quilométricas têm de ser banidas dos nossos tribunais. Também elas contribuem, e muito, para o pântano em que está Portugal.

As próprias faculdades de direito terão de dedicar uma grande atenção à edificação de uma escola portuguesa de economia jurídica. A exemplo da Escola de Sagres, também as universidades terão, quanto antes, de investir muita massa cinzenta na lógica da simplicidade, na operacionalidade em vez da rebuscada doutrina e tantas vezes oca jurisprudência.

 
Tal como na divisão de orações, a melhor pedagogia não é a de começar pela mais elaborada literatura. CEJ e faculdades, logo no início dos cursos, podem desenvolver uma cultura de objetividade, pondo os alunos a desmantelar textos pretensiosos e mitos do direito romano. Dos tribunais da primeira instância aos supremos. Sim, plural: temos dois!

Matéria-prima não falta, os tribunais têm as prateleiras e os discos cheios de maus exemplos. Este acórdão é apenas mais um, mas pode ser exercício de fim de curso, dada a suprema verborreia que o assola.


Para quem quiser ocupar insónias, aqui fica o rasto deste diletante constitucionalismo: http://www.tribunalconstitucional.pt/tc/acordaos/20140413.HTML

 

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Cavaco desfalece; se abdicar Portugal rejuvenesce

 

Cavaco, no discurso do dia de Portugal desfaleceu, ontem, na Guarda, foi levado em braços do púlpito e Portugal ficou expectante.


O que disse, depois de ter tido assistência médica, não interessa, é uma das suas cassetes. Diga o que disser ninguém lhe liga nem ele age perante a inobservância das suas recomendações.

Por isso, está na hora da sua substituição. Com duas opções.

Ou segue as pegadas do vizinho espanhol e colega de ociosidade ou a Assembleia da República lhe aponta a porta da rua.

Agora a Assembleia da República deve, pois, convocar uma junta médica e tirar a limpo se Aníbal Silva está ou não capaz de continuar em Belém.

Doutos professores, jurisconsultos doutrinários e juristas dos mais legalistas perorarão sobre a legitimidade constitucional de tal deliberação.

Mas pouco importa, tão esfrangalhada tem sido a letra da Constituição que o seu elástico espírito acolhe bem este pequeno passo para Portugal poder dar passos de esperança.

Sem o mentiroso Passos nem o fingido Portas e sem a sombra negocieira do Relvas*. Porém com um futuro norteado por Ética e liderado por Estadistas, não subjugado a inconfessáveis interesses ou a truques SLN.

O que conta agora, perante um PR desfalecido é o que fazer para rejuvenescer Portugal.

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* presidente do órgão do PSD que fiscaliza o governo.


!!!!!

terça-feira, 3 de junho de 2014

República de Espanha

 
 

...ha llegado "la hora de la democracia"
http://www.publico.es/politica/524845/iu-llama-a-toda-la-izquierda-a-movilizarse-para-forzar-un-referendum

Quem o diz é o antigo setor republicano espanhol. E com toda a razão.

Obviamente, com o político de maior relevo institucional também eleito. Espanha merece uma democracia integral.

E daqui, desta singela peanha, daqui se envia um apelo fraterno à completa democratização de Espanha.

E se a maioria dos espanhóis apoiar, em referendo, a instauração da República?

Ótimo, os povos espanhóis, com a experiência de 40 anos de liberdade, alterarão uns quantos artigos da constituição e tudo rolará sobre carris.

Oleados, pois o parlamento, o governo e os tribunais em nada serão alterados. As forças armadas idem e a macroeconomia seguirá a tranquilidade da microeconomia.

Ah, mudarão alguns carimbos, o cabeçalho de certos documentos e os museus serão enriquecidos com baús e baús de luxuosas fatiotas lustrosas, sapatos italianos e chapéus tão hortofrutícolas como espaventosos.

E quanta poupança, pois os carris monárquicos são sempre um estorvo. Pela ilegitimidade e pelo despesismo de umas quantas fúteis famílias aboletadas em palácios que custam uma fortuna. Já para não invocar as caçadas no Botsuana...

 
E o senhor Juan Carlos, a D. Sofia, o seu filho Filipe e a nora Letizia, que destino terão?

Os dois primeiros, vão viver reformas tranquilas, pois terão amealhado um bom pé-de-meia. Se não tiveram esse cuidado, há sempre a segurança social, que lhes proporcionará uma pensão proporcional aos respetivos descontos mensais.

Quanto ao casal que agora esfrega as mãos para um novo patamar de ociosidade, como estão em idade ativa, trabalham. Se o referendo aprovar a República, darão um sinal de patriotismo aos concidadãos, mostrando que são espanhóis exemplares.

A senhora é jornalista, não é? Então volta às redações, não há razão para qualquer preocupação.

E o Filipe, com tantos cursos, agora divulgados como qualificação para o degrau de cima, terá muitas portas abertas. Fala bem inglês, pelo que dá um excelente diretor geral do organismo espanhol de promoção das exportações. Ou agente de uma associação empresarial da Rioja. Ou RP de operadores turísticos das Canárias.

Venha de lá esse referendo.
 
+++++
 

 

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Frases sábias [ 1 ]


 
Se falamos com deus somos cristãos,
se deus fala connosco somos esquizofrénicos.
 
A frase é do psiquiatra americano Thomas Szasz e José Gameiro publicou-a na sua coluna semanal na revista do Expresso.
 
Citações desta dimensão traduzem uma profunda reflexão, tantas vezes refletindo a experiência de uma vida.
 
De facto, com frequência deparamo-nos com pensamentos que, pela enorme sabedoria que contêm, nos põem também a pensar.
 
Por isso mesmo, aqui iniciamos hoje um capítulo de divulgação de sensatas meditações sintetizadas em meia dúzia de eloquentes palavras.
 

Não que devamos pensar por cabeça alheia, mas porque o que outros pensam e pensaram nos ajuda a pensar melhor. Pensarmo-nos e ao mundo, que pensadores todos somos.
 

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Plantão ao PS




Hoje, entre o meio-dia e o princípio da tarde, esta imagem era a imagem do país político: expectante.

A câmara apontava para a porta principal da sede do PS e o seu operador cirandava por perto. Certamente à espera do furo informativo, pois era o único por ali, e talvez antevisse um exclusivo, quiçá uma foto de capa, uns trocos mais, portanto.

É verdade que a reunião (ou bulha contida!?) de Seguro com Costa era hoje, hora desconhecida, local incerto, mas o Rato é sempre opção em aberto.

Depois da vitória resvés aos PSD-CDS, o PS de Seguro só sorriu até Mário Soares lhe ter colado a marca Pirro. Mas o salto da alegria para a surpresa e desta para a crispação foi ainda maior quando António Costa se atirou de braços abertos para o meio da pasmaceira socialista.

E como estamos todos de plantão às notícias do Largo do Rato, quem sabe se é aquela câmara que vai  dar alguma esperança a Portugal...

????
 

terça-feira, 27 de maio de 2014

Os avós dos "papa-refomas"


Peel P50

 


Conhecido por ser o mais pequeno carro da história, era vendido como um meio de transporte para "uma pessoa e um saco de compras".

Equipado com um motor de 49 cc, com três velocidades e sem marcha atrás, atingia a velocidade máxima de cerca de 61 km/h.

 
Foi fabricado entre 1962 e 1965, mas com a atual crise, fica a dúvida se voltará a ser construído!? Eventualmente com um pouco mais de espaço...

Se tal acontecer, os fabricantes de papa-reformas que se cuidem com esta concorrência miniaturizada.

 
 
 

 

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Duas vitórias que derrotam Portugal


Carimbo eleitoral para o Parlamento Europeu *
 
 
Vitória da abstenção
 
Tivesse Portugal políticos com envergadura de Estadistas e sentiriam um friozinho na espinha ao verem tão elevada abstenção. Mas não, não os tem. Os quase 70% de indiferença eleitoral não os incomoda, alerta ou constrange!
 
Esta enorme vitória abstencionista tem apenas um significado. Um único: a gigantesca descrença dos portugueses na classe política, do Cavaco à Assunção Esteves, do Passos & Relvas ao Portas e a tantos outros mentirosos da estirpe destes "governantes".
 
Vivemos um tempo que tanto enche os estádios de futebol como esvazia as assembleias de voto. A prova são os contundentes 33,90% de eleitores** que se deram ao trabalho de votar ontem. Este terço não passa, portanto, de um cheque careca.
 
Só os interesseiros candidatos a deputados europeus não assumem este descalabro democrático, a ilegitimidade dos seus mandatos.
 
Pela simples razão de estarem mais interessados nas chorudas mordomias parlamentares europeias do que na defesa dos legítimos interesses dos seus concidadãos.
 
E o cidadão comum só vê na campanha o interesse dos candidatos em que lhes carimbemos o passaporte para Estrasburgo.


Vitória dos 21


E os 21 eleitos esfregam as mãos. 21. Abraçam-se uns aos outros e aos compadres, uns telefonam aos pais e outros às agências de viagens. Pensam na vida regalada, nos voos semanais, no pé-de-meia com que vão acabar esta jornada que começou com o chutar para canto em toda a campanha.

O que disseram e o que deveriam ter dito, a retórica pela retórica, o permanente fora de jogo europeu para encher antena e os habituais autodesmentidos do Passos converteram a campanha numa generalizada ficção.

E uma parte paradoxal desta eleição é que 21 políticos nos deixarão em paz, deles não ouviremos uma palavra nos próximos 5 anos.

Estejamos atento às exceções, aos que se batem por Portugal, aos que não se enfeudam aos grandes países nem aos negócios dos grandes grupos.


Derrota de Portugal

E são estas duas vitórias que empurram Portugal, um pouco mais, para o poço sem fundo que é a ausência de dignidade na política e a confrangedora desesperança nacional nos seus representantes.




* Dizeres a lembrar o MRPP do Durão nos passados anos 70.
** 
A 0,47% do apuramento total [http://www.europeias2014.mai.gov.pt/].

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Declaração de interesses: Votei.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Guiné-Bissau: golpistas, corridos ou abençoadas?

 
 
Em 12 de Abril de 2012, imediatamente antes da segunda volta das eleições presidenciais, os truculentos militares fizeram mais um golpe e o território entrou em regime de "transição.

Depois de muitos assassínios e agressões por "homens fardados", as eleições presidenciais do passado domingo foram dadas como minimamente "livres e justas".

Alguns países empenharam-se e financiaram estas e as anteriores legislativas. Veremos se recebem o retorno esperado: paz na Guiné-Bissau.

Para apurar o impacto imediato destas eleições há que estar atento aos próximos passos dos eleitos. E tudo se resume à atitude do agora eleito presidente, José Mário Vaz, e do PAIGC, vendedor das eleições legislativas de Abril, perante os chefes da tropa golpista.

Estabilizada a turbulência eleitoral, normal em qualquer país, terão de ser tomadas decisões, a mais importante das quais é a da tutela dos militares.

Não são muitos os cenários; apenas dois. Os legítimos representantes dos guineenses:
 – pactuam com os golpistas, mantendo-nos nos lugares usurpados ou
 – os demitem imediatamente, substituindo-os por oficiais impolutos nunca envolvidos em golpes.

E se, dentro de semanas, António Indjai e seus sequazes não tiverem sido removidos dos cargos que alcançaram a poder de Kalasnikhov, tudo fica claro: a Guiné-Bissau tem um futuro muito escuro!
 
E os amigos dos guineenses sentirão a frustração da inutilidade dos apoios logísticos a mais este balão de esperança na reintegração guineense na comunidade dos países civilizados.

????

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Desmantelar restos da propaganda salazarista

 


Mais uma vez leio populares num texto público.

Populares era a forma depreciativa e minimizadora da dignidade cidadã com que a propaganda do Estado Novo se referia a pessoas comuns ou por ele malquistas.

Pessoas essas a que o salazarismo assim colava o significado subliminar de "inferiores" aos instalados "bem pensantes".
 
Fossem arruaceiras ou de algum modo inconvenientes ao poder do Salazar e da sua ilegítima corte autoritária e eram etiquetados de populares nos jornais, na rádio e na televisão.

E passados tantos anos sobre o 25 de Abril...
Tantos livros, tantos artigos e debates televisivos sobre a ideologia salazarista e ainda há quem vá beber ao livro de estilo da ditadura!!!

António Ferro, o ideólogo da propaganda salazarista, rejubilaria, lá do fundo da sua tumba, ao ver como as suas peçonhentas pegadas têm abúlicos seguidores.

Como se não bastasse, nestes dias de democracia consolidada, escrever pessoas ou cidadãos! Em nome da dignidade humana e da igualdade constitucionalmente instituída. 

 !!!!!
 

domingo, 11 de maio de 2014

Cabo-verdianos laboriosos hortelões de Lisboa


 
Durante anos, observei as hortinhas nas íngremes ladeiras que sustentam a CRIL e o IC 19. A voz corrente atribuía-as a cabo-verdianos.
 
Hoje consolidei essa convicção.
 
Calcorreei o vale paralelo à Rua da Quinta do Salrego, nas traseiras do centro comercial Alegro, em Alfragide, e passei por dezenas de hortinhas. Umas minúsculas, outras com cercas, muitas nas escarpas e feijão-verde por todo o lado, a prometer belas sopas e cachupas. E fartura de batatais de que um saquito de batata miúda sugeria o forno como destino. Sugestão de hortelão da Praia...




Lá estão também o milho e as couves, as ervilhas e até uma leira de salsa! Mas, pelos vistos, nada de coentros; os cabo-verdianos ainda não se encantaram com os sabores alentejanos... Ainda.





E como marca indelével de cabo-verdianidade, a cana-de-açúcar nuns quantos tufos já a pedir desbaste. Grogue à vista, pois claro!
 

Com tanto cultivo mesmo a pique, este labor merece o todo o nosso respeito.

Daqui vai, portanto, uma chapelada aos esforçados cabo-verdianos dos arredores de Lisboa.

E como as encostas estão repletas de parte dos ingredientes necessários, hei de lá voltar para ver se desencanto uma cachupa à moda do Vale do Salrego.
 
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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Segurança caminheira




Contexto: Caminhadas. Opção: Segurança

Nunca faças reconhecimentos sozinho, mas se caíres nessa asneira, não saias dos trilhos btt; pelo menos os ciclistas encontram-te antes de começares a cheirar mal.

!!!

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Nacionalizar o excelente modelo do Corvo

 
Nacionalizar
Tornar nacional, alargar a todo o território nacional
 
 
 
O Corvo, a ilha do Corvo, não tem freguesias. 
 
Lei n.º 2/2009 de 12 de Janeiro
Estatuto Político-Administrativo
da Região Autónoma dos Açores

 
Não tem nem precisa.
Como não as precisa nenhum dos outros municípios.
 
Para quê entidades administrativas que induzem deseconomias?
O mito da proximidade não passa disso, de mito. Mito urbano, mas especialmente mito rural, onde os autarcas das juntas constituem a base das pirâmides partidárias de que os portugueses estão muito cansados.
 
Ora os municípios gerem um dispositivo múltiplo, desde o equipamento e pessoal da limpeza aos das obras municipais, da gestão de pavilhões e cemitérios e até ao enterramento de animais. E executam uma ampla variedade de tarefas administrativas, que abrangem desde a informação e os procedimentos sobre o serviço militar, aos diversos licenciamentos, etc., etc., etc. Estão, portanto, aptos a alargar os serviços que prestam.
 
E os pequenos concelhos, tal como os grandes, associam-se frequentemente para rendibilizar investimentos. A água é, talvez, o exemplo mais flagrante, mas muitos outros demonstram como a partilha de recursos gera economias de escala. Poupanças, portanto.
 
E porque não alargar esta imprescindível abordagem económica à gestão das nossas unidades territoriais locais?

Uma primeira e evidente poupança é a da classe política, reduzida em milhares, sem que isso se reflita na relação com o Cidadão.

De facto, o acesso à informação, a requisição de serviços ou o cumprimento de obrigações podem, sem quaisquer obstáculos, ser assegurados em Delegações Municipais nas localidades. Herdando instalações, equipamentos e profissionais agora das Juntas de Freguesia.

Nas localidades, que não nas sedes do concelho, pois aqui tudo seria tratado diretamente nos Serviços da Câmara Municipal.

Ah, mas isso era um volta muito grande, há tantas leis, tantos decretos, tantos regulamentos, dirão os visados.

Pois é, mas que se dê essa volta.
Pois que sejam revistos e revogados os diplomas necessários, pois que se façam novas delegações de competências, pois que sejam assinadas tantas Posturas quantas as necessárias.

E quem tiver dúvidas como adaptar os municípios à extinção das freguesias em todo o território nacional basta dar uma saltada ao Corvo. Lá encontrarão quem responda.

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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Vinhos que mostram a má cepa dos produtores

 

Monte Velho, tinto, da Esporão, era um bom vinho, consideradas as suas características organoléticas e não esquecido o preço.

Também o Antão Vaz, da Cooperativa da Vidigueira, afinava pela mesma bitola, o padrão boca alinhado com os dois euros e tal.

O mesmo se diz do Quinta de S. Bernardo, de litro e meio de 13º, proclamado tinto reserva 2008, mas que deixou largo pé.

E também o vinha da palha, [exatamente assim, sem maiúsculas iniciais], tinto 2008, com o pindérico By Quinta de Chocapalha, Vinho Regional Lisboa.

Porém, todos estes, ao sacar-se-lhes a rolha, imediatamente dececionam: rolha de corticite, aglomerado de cortiça, designadas pelo Formigarras como reguingalhos de aparas de cortiça.

E ainda os há com uma caricatura suplementar, a de pintalgar completamente estas mazelas para enganar o bebedor. E com duplo engano. Primeiro, a cor, depois o paladar, pois algum resto de cola e tinta ficarão no gargalo e dali ao copo e às papilas gustativas curto é o passo. Lamentavelmente, esta maleita também enfeza algumas rolhas de verdadeira cortiça.

Que sentido faz o grande investimento das últimas décadas em novas cepas e plantações e novas adegas de novas tecnologias, se o vinho é tapado com algo diferente de cortiça!?

No mundo global dos nossos dias, também um vinho é avaliado globalmente. Da garrafa à imagem do rótulo, do descritivo do contra rótulo à cápsula cavaleira. E do próprio vinho à rolha, sem nunca esquecer esta. Nunca a rolha é esquecida.

Em boa verdade, ainda é alvo de uma operação de que nenhum escanção prescinde: é cheirada! E cheirar cortiça ou cheirar reguingalhos de aparas de cortiça nada tem de comparável. Faça a experiência, caro leitor, estimada leitora!

Concluindo, este é o epitáfio de um vinho sem boa rolha de cortiça:

Condenado pelo mesquinho produtor,
assim ficou, de mão estendida à caridade de
apreciadores de reguingalhos enfrascados.


Como contraponto àquele amadorismo, aqui fica a marca de perspicácia de produtores atentos, representada por um pequeno mas respeitável lote de bons vinhos, obviamente com boas rolhas de cortiça:

Kopke
Douro, Tinto, 2011

Testamento
Tinto, Alentejo Doc. 2012.

Herdade de S. Miguel
Alentejo, Tinto, 2012. Colheita selecionada para o Continente.

Ponte de Negrelos
Verde tinto, DOC. Famalicão

Monte do Amante
Doc Alentejo, Private Collection 2011.


Voltaremos com mais amostras.


sábado, 26 de abril de 2014

Palavras de esperança no 40º 25 de Abril

 


Das poucas palavras de esperança neste 25 de Abril


Pronunciadas por Vasco Lourenço no Carmo, ontem de manhã, no Largo do Carmo, e aqui repescadas da Mensagem da Associação 25 de Abril na celebração do 40º aniversário
http://www.25abril.org/a25abril/index.php?content=243

  

Passados 40 anos depois da madrugada que deu origem a “o dia inicial inteiro e limpo/onde emergimos da noite e do silêncio/e livres habitamos a substância do tempo” qual o tempo que hoje nos é dado? Cada dia que passa, assistimos à destruição do positivo que foi construído, em resultado da acção libertadora de há 40 anos!

O país está vendido, em grande parte e a pataco, ao estrangeiro! A emigração de muitos portugueses consuma-se, levando consigo muito do saber e da capacidade indispensáveis à desejada recuperação de Portugal!

Os roubos permanentes a que os portugueses são sujeitos, da parte dos que deviam protegê-los e prover pelo seu bem-estar estão a destruir a esperança no futuro! A ausência de uma justiça igual para todos provoca o descrédito do que deveria ser um Estado de Direito!

Os detentores do poder assumem-se, cada vez mais, como herdeiros dos vencidos em 25 de Abril de 1974! As desigualdades, consumadas no aumento do enriquecimento dos que já têm tudo e no cada vez maior empobrecimento dos mais desfavorecidos, transforma a nossa sociedade num barril de pólvora que apenas será sustentável numa nova ditadura opressiva, com o desaparecimento das mais elementares liberdades.

O medo, pelo futuro, cada vez mais, propaga-se em variados sectores da sociedade! Como há já alguns anos, manifestamos a nossa indignação face aos acontecimentos que se estão vivendo em Portugal e configuram, sem a menor dúvida, um enorme e muito grave descrédito dos representantes políticos, um logro à confiança dos cidadãos e um desprestígio para o nosso País.

A Democracia baseia-se num pacto social, onde os cidadãos elegem os que consideram os mais indicados para gerir os assuntos públicos e para os representar durante um período de tempo previamente acordado.

A Democracia não é, nem pode ser jamais, a concessão a uns quantos de uma patente de pilhagem para se enriquecerem durante quatro anos ou mais!

A Democracia tem o seu fundamento na confiança que os representados têm nos seus representantes e na lealdade destes perante quem os elegeu. Quando essa confiança é traída e essa lealdade desaparece, o prestígio e a legitimidade moral da classe política desmoronam-se e o cimento da Democracia apodrece.

Tudo isto tem-se agravado, cada ano que passa. Porque continuamos a considerar que a antecâmara do totalitarismo surge quando num Estado de Direito a classe política perde o seu prestígio, porque se transforma numa espécie de casta que deixa de servir os interesses de todos para servir apenas os seus próprios interesses.

E, porque queremos lutar pela manutenção da Democracia, que apenas será viável pela reafirmação dos valores de Abril, proclamamos a imperiosa necessidade de: Assunção de um compromisso nacional na defesa e manutenção do Estado Social que legitimamente satisfaça as necessidades básicas, erradique a pobreza “vergonha de nós todos”, e abra um caminho de esperança e de luz para o sector mais desprotegido da sociedade portuguesa que lhe possibilite o acesso à formação, educação e emprego.

Assunção de um compromisso nacional para a promoção de um duradouro programa de educação e investigação científica, para qualificação dos jovens nas áreas fundamentais da globalização.

Assunção de um compromisso nacional para a promoção de um programa duradouro do sistema judicial, de forma a tornar a justiça mais célere e mais próxima dos cidadãos, sem descriminação entre pobres e ricos.

Assunção de um compromisso nacional duradouro de um programa de emprego agregador e integrador dos vários saberes e competências acumuladas, que incentive o regresso de milhares de “cérebros” forçados à emigração, que incorpore jovens licenciados, agregue adequados programas de formação para jovens que abandonaram os estudos, e para trabalhadores activos que necessitem actualizar e melhorar saberes e competências.

Assunção de um compromisso nacional e duradouro de um programa de desenvolvimento económico sustentável à adopção dos objectivos enunciados para a manutenção do Estado Social e dos programas de educação, justiça e emprego.

O governo e a cobertura que lhe é dada pelo Presidente da República protagonizam os fautores do “estado a que isto chegou” razão pela qual não serão eles a quem possa continuar a confiar-se os destinos de Portugal.

Torna-se, por isso, urgente uma ampla mobilização nacional para sermos capazes de aproveitando as armas da Democracia mostrar aos responsáveis pelo “estado a que isto chegou” um cartão vermelho, que os expulse de campo!

Temos de ser capazes de expulsar os “vendilhões do templo”! Os desmandos e a tragédia da actual governação não podem continuar!

Igualmente, temos de ser capazes de retornar às Presidências de boa memória de Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio! O 25 de Abril foi libertação e festa, passou por participação e desenvolvimento, mas passou também por retrocesso e desilusão, fruto da corrupção e esbanjamento. Hoje sofre revanchismo, roubo e destruição.

Que se consubstancia em despudorados ataques à saúde pública, à educação, à segurança social, ao direito ao trabalho, ao direito a uma velhice sossegada, e aponta para o fim das liberdades, da soberania e da democracia.

Temos de ser capazes de ultrapassar os sectarismos, temos de ter a capacidade de, contrariamente ao que normalmente acontece, e reconhecer o inimigo comum, mesmo antes de sermos totalmente derrotados. Vencendo o conformismo, temos de ser capazes de resistir de novo, reconquistar as utopias, arriscar a rebeldia e renovar a esperança! Recolocados os valores da madrugada libertadora, nessa altura, vencido o medo, poderemos então retomar a esperança de continuar a construir Abril!

 
Viva Portugal!
Viva o 25 de Abril!

 
 
25 de Abril de Abril de 2014