terça-feira, 26 de julho de 2016

30 ciganos cobardes

30 ciganos cobardes de Campo Maior
A notícia é de origem local:

Curiosamente, na notícia da SIC, cuja imagem encima este comentário, não foi usada a palavra ciganos!!!
Mas foram ciganos cobardes, não ingleses nem brasileiros cobardes, os agressores não foram russos cobardes nem irlandeses cobardes.
Foram 30 ciganos cobardes que, em matilha, atacaram um quartel a agrediram soldados da paz.
E esta não é uma situação rara. Grupos de ciganos ameaçam, agridem, oral e fisicamente, pessoas indefesas um pouco por todo o país.
Venham lá as caridosas almas da proteção étnica...

Venham, venham, mas tenham presente que estas tribos de portugueses demonstram que Portugal não é um Estado de Direito.

Senão vejamos, quantos miúdos ciganos acabam a escolaridade obrigatória!? E então as raparigas ciganas... Pois se a escolaridade é obrigatória, por que não obriga as famílias ciganas?
As almas pretensamente caridosas devem saber que o vandalismo cigano só pode ser travado com escolarização. Com a inoculação escolar do valor cidadania responsável!

Até lá, que as autoridades exerçam plenamente a autoridade, sem medo da chantagem cigana tantas vezes exercida por grupos cobardes. Um a um encolhem-se, não se vê um cigano sozinho de peito feito!

Ai se os soldados da paz de Campo Maior não fossem verdadeiros pessoas de paz e têm deitado a mão aos seus machados de paz profissionais...


sexta-feira, 22 de julho de 2016

Promissor revisionismo católico




O senhor papa católico esclareceu recentemente que não há brasas nem labaredas no inferno.
Boa. Boa, mas paradoxal! Então o anterior colega regimental não tinha já extinto o dito inferno!?

Adiante, que estão no bom caminho.

Voltemos ao senhor Francisco: proclamou igualmente que Adão e Eva são histórias da Carochinha, placebos low cost, portanto.

A verdade é que este revisionismo mitológico católico é promissor. Não tarda aí teremos mais um édito a reafirmar o caráter incorpóreo do ente supremo católico. Relembrar, apenas a relembrar, pois anda muito esquecido há muitos séculos.

E não surpreenderia que Francisco viesse para os telejornais atestar, à luz da relembrada imaterialidade deísta, que as estátuas que a simbolizam, assim como as dos santos e das santas são fruto de bíblico "artifício literário".

Se este varrimento conceptual persistir e se os Velhos do Restelo da Cúria Romana não fizerem um golpe de estado, assistir-se-á à maior migração estatuária da história da humanidade.

Não que seja já amanhã, que os museus por esse mundo fora ainda têm de ampliar os seus espaços de armazenamento para incorporar tamanho acervo de material ficcional.




Manuel A. Madeira
Alfragide, 20.Julho.2016

sábado, 11 de junho de 2016

Doze lembranças aos Velhos do Restelo Ortográfico





Eles atiram-se ao Acordo Ortográfico de 1990, muitos com tremendas confusões, outros com enorme desconhecimento e alguns por comodismo.

As línguas vivas vivem de renovação, o que tem acontecido com o português ao longo dos nossos séculos.

E confundir cágado com a grosseria desta palavra sem acento e iludir facto a propósito de uma certa fatiota é simples ignorância.

Mas invocar o Clã da Pharmácia para contestar os que aderiram ao dito acordo é simplista, tal como clamar pela grafia antiga.

Antiga de quando, do D. Dinis, da escrita camoniana ou da revisão ortográfica da Primeira República!?

Por ora, vamos ater-nos a palavras não tocadas pelo Acordo Ortográfico; simplesmente homógrafas mas com tónicas bem diferenciadas.

Isto como evidência de uma velha tradição que legitima igual forma da proposição para e da terceira pessoa do singular do verbo parar, para [fonia pára]. Apesar da óbvia desigualdade de pronúncias.


Eis essa dúzia que tantas vezes usamos e em que os respetivos contextos nos dizem como ler corretamente. Como também fazem os Velhos do Restelo Ortográfico.


1. Molho // Molho
Molho Portugália versus Molho de salsa.

2. Topo // Topo
Topo da pilha de livros versus Topo bem onde queres chegar.

3. Pega // Pega
Pega desasada versus Pega de cozinha.

4. Rota // Rota
Camisa rota versus Rota da seda.

5. Seca // Seca
Fruta seca versus Seca do Bacalhau.

6. Borra // Borra
Borra de café versus Borra-botas.

7. Corte // Corte
Fazer a corte à rapariga bonita versus Corte cirúrgico.

8. Greta // Greta
Tem uma greta no calcanhar versus Põe creme senão greta.

9. Besta // Besta
Deu de beber à besta versus Tiro ao alvo com besta medieval.

10. Rogo // Rogo
Assinatura a rogo versus Eu te rogo, faz-me esse favor…

11. Bola e // Bola
A  bola de carne de Guimarães é excelente versus Bola de ténis.

12. Boto // Boto
Pé Boto versus Boto açúcar no café.




quinta-feira, 19 de maio de 2016

Um quisto na cortesia hospitalar. Benigno.



Sempre fui corretamente tratado no Hospital da Luz. Com uma exceção.

Sempre ouvi Senhor aos atendedores e repete-se o Senhor no diálogo com os enfermeiros.

Volto a ouvir Senhor dos técnicos de imagiologia e não há telefonista que esqueça o Senhor.

De igual modo, os médicos de qualquer especialidade têm o Senhor na ponta da língua. Não me lembro de exceção médica neste domínio.

Conclusão, a generalidade dos profissionais do Hospital da Luz sabe o que é e pratica cortesia profissional. Com uma exceção, o quisto, o Laboratório de Análises Clínicas, no piso – 1.

O quisto é certamente benigno, suscetível, portanto, de fácil erradicação. A verdade é que todos os que trabalham naquela casa são feitos da mesma massa, massa moldável com o fermento profissional.

Mas apesar dessa mesma base, os clientes deste laboratório são apenas chamados pelo nome. Em flagrante contraste com o resto da instituição.

Maria, João, Frederico, Silvina, Teotónio. Sim, com os respetivos apelidos. Mas sem Senhor nem Senhora e nunca Senhora Dona, ou simplesmente Dona, o padrão convencional português de cortesia para mulheres.

Como se trata de um estabelecimento de saúde, basta a direção do hospital diagnosticar a maleita, perceber que tem um quisto no seu tecido social e administra a terapêutica.

Em três tempos, promova o gestor do Laboratório de Análises Clínicas a inoculação de Senhor na comunicação presencial dos seus técnicos e extirpa-se a exceção.

Uma ou outra resistência, um arrastar de pés, uns sorrisos amarelos, tudo isto pode ocorrer durante o tratamento de melhoria da cortesia. Pois pode, mas são efeitos secundários, igualmente benignos. E em pouco tempo os seus técnicos adotam Senhor, Senhora Dona e Dona como procedimento de rotina, tal como rotineira é a inserção da agulha na veia e a rotulagem dos tubos, o que tão bem sabem fazer.

Entretanto, o laboratório melhora a sua imagem, o hospital nivela por cima a qualidade do acolhimento e os profissionais são olhados com outros olhos. Olhos de retribuição da cortesia.

E adeus quisto!

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Quadrilheiro - Quadras em 3ª demão

Outra demão, nova versão!




Quadrilheiro


Rimando jogo pedrinhas
e atiro alguns abraços,
dou beijocas às gordinhas
e atormento madraços.


Trafulhas mando às urtigas
em trovas envinagradas,
à má-língua faço figas,
exalto caras lavadas.


Faço quadras quando calha
e à míngua de inspiração,
tapo com tinto da talha
moléstias na rimação.


São versos contra-corrente,
pedem cante à desgarrada,
não fadinho decadente
de gentinha amargurada.


Falam de coisas da vida,
da fortuna, dos quebrantos,
daquela vez de fugida
a lembrar certos encantos…


Rimo quadras destravadas;
sem as musas de Junqueiro
são em Aleixo inspiradas.
Confesso, sou quadrilheiro!



Manuel A. Madeira
18 de Maio de 2010
Rv 9.Maio.2016

quarta-feira, 2 de março de 2016

Como circular nas rotundas


Serviço Público Formigarras


A circulação nas rotundas tem novo modelo legal desde há vários meses e continua a haver quem não siga a regra do Código das Estrada.

Quiçá por desconhecimento...

Por isso, aqui fica uma forma muito intuitiva de aprender a nelas circular em segurança:


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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Miguel Relvas, diz-lhe alguma coisa? MARIANA MORTÁGUA


Transcrição integral com uma
única nota Formigarras
Relvas branqueado pelo Banco de Portugal!?




Miguel Relvas, diz-lhe alguma coisa?
02.02.2016
MARIANA MORTÁGUA
Banco Efisa, diz-lhe alguma coisa? Era o antigo banco de investimentos do BPN e que está parado desde 2009. Está longe de ser um banco relevante no sistema, mas tem uma mais-valia: uma licença bancária para operar em Portugal, Moçambique, Angola e na América Latina, que foi mantida à custa da injeção de dinheiros públicos, cerca de 52 milhões desde 2014.
Em julho de 2015, já depois de ter vendido o BPN, o Estado decide vender também o Banco Efisa, que até aí se encontrava dentro da Parvalorem, o veículo criado para gerir os restos do BPN. O Efisa é assim entregue à Pivot por 38 milhões de euros.
Na altura pouco se sabia da Pivot, a não ser que congregava investidores angolanos, norte-americanos e portugueses. Ficámos, no entanto, na semana passada, a conhecer um pouco mais desta história.
Miguel Relvas, diz-lhe alguma coisa? Foi secretário de Estado da Administração Local em 2004, altura em que ajudou a Tecnoforma - em que esteve Passos Coelho como administrador - a montar a fraude dos aeródromos. Mais tarde tornou-se número dois do primeiro-ministro Passos, e ministro dos Assuntos Parlamentares até abril de 2013.
Miguel Relvas já tinha sido consultor do banco de investimento do BPN antes da nacionalização. Na altura, o deputado e administrador da Kapaconsult (que tinha como único cliente o Efisa) era crucial para abrir as portas da política e dos negócios no Brasil .
Em 2012, foi o seu Governo a nomear Francisco Nogueira Leite, ex-administrador da Tecnoforma com Passos Coelho, para presidente da Parvalorem. Para além de chamar outros quadros próximos da Tecnoforma, Nogueira Leite manteve homens da confiança de Oliveira e Costa em lugares críticos da empresa. E foi ele, enquanto responsável máximo da Parvalorem, a conduzir a venda do Efisa à Pivot em 2015.
Já fora do Governo, é Miguel Relvas quem aparece, mais uma vez, a prestar serviços de consultoria à Pivot. Mas na semana passada o consultor Relvas foi promovido a acionista, e pede agora ao Banco de Portugal que ateste a sua idoneidade para ser dono de um banco, o Efisa.
Miguel Relvas e idoneidade, uma contradição nos termos capaz de arrancar uma boa gargalhada a qualquer um se não corresse o risco de vir mesmo a ser declarada.

DEPUTADA DO BE

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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Lamber as feridas eleitorais



O Marcelo vai ser um festival de pantominices, uma espécie de placebo mediático para as agruras nacionais.

Mas não é seguro que o PC, inspirado no sucesso da sua passeata caça votos na última Festa do Avante, a transfira para Fátima na expectativa de um milagre eleitoral.

Também é improvável que António Costa remodele o governo para consolar Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém, candidatos com quem dividiu a sua ambígua e fragilizante atitude.

O que é seguro é que além do eleito presidente, dois outros candidatos cantam vitória.

Marisa Matias, que ultrapassou largamente Edgar Silva, o candidato do PC, impondo a alternativa BE.

E Tino de Rans, que fez uma festarola lá na terra com os votos de mais de 150.000 brincalhões.

!!!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Nem misericordiosa nem santa


A praça de touros de Santarém é propriedade da Santa Casa da Misericórdia da cidade. Ou é por ela gerida ou foi-lhe concessionada.

Lá estão as marcas.


O símbolo central agora em destaque


Marcas que certificam a sua ausência de misericórdia para com os touros, pois esta palavra significa Compaixão solícita pela desgraça alheia (http://www.priberam.pt/dlpo/miseric%C3%B3rdia) e patrocinar o sofrimento dos animais nada tem de misericordioso.

Uma tal crueldade apoiada por uma casa da igreja católica ainda é mais paradoxal.

O que demonstra a tal casa nada tem de "santa", pois a barbaridade não é cultura, apenas uma medieva herança de brutalidade gratuita para gáudio da populaça. Abulicamente.


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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O Patriotismo e o Amor à Vida de Luaty Beirão

Texto integral de 
Rafael Marques de Morais
6 de Novembro de 2015
  
O rapper Luaty Beirão durante o seu período
de greve de fome, internado numa clínica de Luanda.
[Imagem original Maka Angola]

Em recente conferência de imprensa, o ministro do Interior, Ângelo de Barros Veiga Tavares, aludiu a uma conversa telefónica mantida entre nós a 20 de Outubro passado.

De forma expedita e cordial, o ministro acedeu ao meu pedido para visitar os 14 presos na Cadeia de São Paulo e recolher as suas mensagens para o Luaty Beirão, que se encontrava internado numa clínica de Luanda, em greve de fome. Já antes disso, todos os detidos tinham tentado, em vão, obter autorização dos serviços prisionais para visitarem Luaty, a quem pretendiam apelar directamente que acabasse com a greve. Temiam pela vida de Luaty.

Quando telefonei ao ministro Ângelo Tavares, ele pediu-me apenas que não revelasse o teor da nossa conversa ou o facto de ter sido ele a autorizar a diligência. Por uma questão de princípio, abstenho-me, por isso, de comentar aquilo que supostamente foi a nossa conversa. Para melhor esclarecimento da sociedade, cabe às autoridades divulgarem, na íntegra, a gravação da referida conversa.

Cabe-me, no entanto, reiterar o que é do domínio público e antecede as declarações do ministro. Obtive autorização oficial para visitar os 14 detidos e tive a oportunidade de conversar individualmente com todos eles, na presença de um alto oficial dos serviços prisionais.

É também do domínio público que todos eles escreveram mensagens individuais ao Luaty, solicitando-lhe que terminasse a greve de fome. Queriam-no vivo, queriam que desempenhasse o papel de líder moral, e agora têm-no finalmente junto de si. Da minha parte, apenas servi de ponte e fui portador desse desejo dos companheiros de causa de Luaty.

Nos encontros, tive a oportunidade de falar sobre a liberdade de expressão com alguns dos detidos. Por que motivo falei com os jovens sobre a luta pela liberdade de expressão enquanto foco principal das batalhas cívicas que se avizinham? Porque, justamente, a sua detenção foi (é) um dos muitos e constantes ataques à liberdade de expressão que se verificam na suposta democracia angolana. Estes jovens foram detidos porque estavam a ler um manual e a debater ideias sobre estratégias de resistência não-violenta contra a ditadura. Estavam a pensar. Cometeram o crime de pensar e discutir ideias.

A liberdade de expressão é um direito consagrado na Constituição Angolana, e é a essência para a demanda de todos os outros direitos, incluindo os direitos humanos, o direito à manifestação e a liberdade de imprensa. É também um direito constitucional sistematicamente violado pelo governo e pelas autoridades em Angola.

No Processo dos 17, o cerne do problema é inequivocamente a violação do direito à liberdade de expressão. Não é o facto de se terem organizado ou de terem saído à rua para se manifestarem.
O medo e a intriga, que têm paralisado a maioria dos cidadãos, são os vírus que têm sido usados contra o exercício pleno da liberdade de expressão.

Por uma questão de transparência, pedi aos serviços prisionais que fizessem cópias de todas as mensagens recolhidas para o Luaty para os arquivos de quem de direito. Assim procederam.

Nessa noite, fui à clínica, acompanhado pelo mesmo alto oficial dos serviços prisionais. Entreguei as mensagens ao Luaty e tivemos uma discussão mais acesa, bem à nossa maneira, sobre a visão e a estratégia de luta pela liberdade de expressão após a libertação de todos os presos políticos.

Partilhei com ele, por escrito, algumas ideias sobre como se pode criar um movimento pela liberdade de expressão e como ele poderia contribuir sobremaneira para uma luta cívica mais estruturada. Foi a palavra estrutura que causou polémica entre nós.

Com um sorriso e um abraço, o Luaty desfez a tensão que julgou pairar no ar. “Não fica zangado comigo, mô kota”, disse-me, brincando comigo. Informou-me que ponderava cuidadosamente sobre todas as propostas que lhe chegavam às mãos, por via daqueles que o visitavam.

Forneci o papel, com as ideias sobre a liberdade de expressão, ao oficial dos serviços prisionais, para que informasse os seus superiores. O Luaty escreveu também uma mensagem aos seus “manos” na Cadeia de São Paulo. Entregou-me a mensagem e eu entreguei-a ao oficial dos serviços prisionais para a fazer chegar aos destinatários.

Cabe-me reconhecer as inúmeras iniciativas de solidariedade em Angola, em Portugal e em várias partes do mundo para com os 15 presos políticos.

Em grande medida, essa solidariedade deveu-se ao heroísmo de Luaty Beirão, que passou 36 dias em greve de fome e, com isso, alertou o mundo para uma causa que deve ser de todos os angolanos de bem.

Conheço bem o Luaty e conheço o seu amor à vida. Só alguém altruísta como ele pode colocar a sua vida em risco, de forma voluntária, em defesa da vida de milhares de cidadãos que não têm voz nem defesa. É o amor à vida dos grandes soldados, que lutaram pela pátria e a defendem. O Luaty não tinha, nem terá, uma arma na mão para defender a pátria de salteadores. Fê-lo apenas com o seu protesto individual, e isso é muito mais corajoso.

A Mónica, sua esposa, a sua filha, a sua mãe, os 14 companheiros de causa e a solidariedade mundial proporcionaram ao Luaty, o amor, a irmandade, a amizade, o apoio e a vitória de que necessitava para continuar a sua luta, mais fortalecido.

O fim da greve, por si declarado, nada teve que ver com a minha intervenção. Servi apenas de ponte entre Luaty e os seus companheiros, quando eles mais precisavam de comunicar entre si.

Celebraremos, a 11 de Novembro, 40 anos de independência com a ironia de um apelo crescente que define o estado actual das relações entre o poder e a sociedade: “Liberdade já!”

Somos independentes, mas não temos liberdade.

Fonte:


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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Dois refugiados portugueses




Presentemente há milhares de refugiados africanos a procurar a Europa. E há-os igualmente do Médio Oriente, especialmente da Síria, mas também chegam pessoas desesperadas da Ásia.

E na mesma União Europeia tábua de salvação para muitos, dois portugueses são igualmente refugiados. Fogem do próprio povo.

A Passos Coelho, primeiro-ministro, e ao seu irrevogável conselheiro-mor Paulo Portas, autores de draconianas medidas "além da tróica", nem o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados pode ajudar.

De facto, o socorro chega-lhes apenas da PSP, através do seu Corpo de Segurança Pessoal, que, 24 horas por dia, lhes mantém um perímetro que os isola dos outros portugueses.

A verdade é que estes mesmos portugueses não esquecem as mentiras, os enganos e a demagogia que aqueles dois lhes impingiram durante a campanha eleitoral de 2011. E agem em conformidade, apontando-lhes o dedo onde quer que Passos e Portas se desloquem.

Lembram-se muito bem dos esgares e apertos de mão do Portas em tudo o que era feira e mercado municipal, onde ele se saracoteava a aspergir promessas a pataco. Como bom beato falso!

E nem o mais distraído se esquece das pomposas declarações do Passos a garantir integridade salarial aos mais frágeis e a jurar que não beliscaria as reformas aos avós nos lares que visitava. A garantia às tais miúdas numa escola esfumou-se mal se acomodou no poleiro.

Por isso, no caça votos que aí está, Portas e Passos só são vistos em espaços fechados, rodeados de correligionários, cordões de segurança e Corpo de Segurança Pessoal da PSP.

Adeus feiras e escolas, adeus pavilhões e arruadas. Nunca as suas aparições foram tão encenadas. E distantes do Zé Povinho. Movem-se apenas de redoma para redoma, que o povo, esse mandatário da soberania, é bom lembrar, se os apanha à mão diz-lhes das boas. Sem armas nem agressividade. Apenas fazendo ecoar a pobreza, a desesperança e a deceção pelas mentiras destes dois foragidos.

E Passos e Portas, fugindo da generalizada reação popular, refugiam-se na polícia, enclausurados pelas suas próprias falsidades.

Bom seria que não obtivessem asilo eleitoral em S. Bento nem na Teixeira Gomes.

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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Imigrantes africanos e asiáticos, corruptores europeus e paninhos quentes




Não há, nos dias que passam, qualquer dia sem notícias de imigrantes, naufrágios mediterrânicos e fronteiras apinhadas de gente aflita.

A aflição da fome e da morte, da perseguição e da desesperança tem trazido para a União Europeia muitos, muitos milhares de pessoas desesperadas.

Mas a fuga de tantos africanos e asiáticos é também fruto da cumplicidade europeia com corruptas quadrilhas, fingidas figuras de Estado. Disfarçadas de fato e gravata ou em vestido plissado, rapinam os seus países e roubam o futuro a muitos povos de África em parceria com traficantes europeus de vários negócios. Sob o oficialíssimo fechar de olhos dos Estados-Membros da União Europeia e da omnipresente Comissão que a lidera.

Ora a UE, em vez de apenas equacionar estratégias de apoio aos refugiados, tem, primordialmente, de criminalizar e levar a julgamento os "homens de negócios" UE cujas empresas, multinacionais e imperiais, suportam aqueles corruptos, com eles traficam e parasitam os recursos de povos esfomeados.

Até lá restam os paninhos quentes, patrulhas navais mediterrânicas e asilo a conta-gotas, sandes e água de litro e meio no desembarque, cães polícias e lágrimas de crocodilo.


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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Trova ética


Quadras



Ao tacho tão aferrado,
o Relvas pantomineiro
foi em Gaia destroçado
pelo povo marinheiro.


No Clube dos Pensadores
pensou lavar a imagem,
com sócios bajuladores
em ato de vassalagem.


Saiu-lhe a carta furada:
Grândola, trova pujante,
Vila Morena cantada,
denunciou o farsante.


Apupado por estudantes,
Dentro de ti, oh cidade,
com tais versos imponentes
exigindo dignidade.


Aldrabão desmascarado,
a chacota disfarçando,
gaguejou, atarantado,
a balada enxovalhando.


Com um esgar agonizante
e a boca arreganhada,
esfarrapou o belo cante
em voz de cana rachada.


Chegou emproado, pimpão:
negociatas fraternas,
sorrisos, apertos de mão.
Saiu de rabo entre as pernas!




Manuel A. Madeira
21 de Fevereiro de 2013


sábado, 15 de agosto de 2015

Quadras - Três bisnagas



Três bisnagas






Dores nas cruzes, nos artelhos;
e a gota dos joelhos,
os quebrantos à mistura
com os gases e a soltura.


É um rol de amarguras:
enxaquecas e tonturas,
falta de ar, palpitações,
os pecados, ruminações.


O catarro e a espertina,
a pieira matutina,
anemia, pé dormente.
Ai vigor d'antigamente...


A injeção, xaropadas,
três bisnagas, três pomadas,
comprimidos às mancheias,
o azul p'rás odisseias...


A cabeça num novelo;
e a dor de cotovelo!?
Ai os nervos, cataratas;
não há mezinhas baratas!


Enorme fé num milagre,
caçar moscas com vinagre,
mas a santa milagreira
faz vista grossa, matreira.


Resta apostar, jogar tudo,
viver em modo peitudo:
descartar a choradeira,
tornar a vida gaiteira.



© Manuel A. Madeira
11 de Agosto de 2015

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Os pobrezinhos - Uma muito atual crónica sociológica de António Lobo Antunes


Os pobrezinhos






"Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida.

Os pobres, para além de serem obviamente pobres (de preferência descalços, para poderem ser calçados pelos donos; de preferência rotos, para poderem vestir camisas velhas que se salvavam, desse modo, de um destino natural de esfregões; de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina), deviam possuir outras características imprescindíveis: irem à missa, baptizarem os filhos, não andarem bêbedos, e sobretudo, manterem-se orgulhosamente fiéis a quem pertenciam. Parece que ainda estou a ver um homem de sumptuosos farrapos, parecido com o Tolstoi até na barba, responder, ofendido e soberbo, a uma prima distraída que insistia em oferecer-lhe uma camisola que nenhum de nós queria: - Eu não sou o seu pobre; eu sou o pobre da menina Teresinha.

O plural de pobre não era «pobres». O plural de pobre era «esta gente». No Natal e na Páscoa as tias reuniam-se em bando, armadas de fatias de bolo-rei, saquinhos de amêndoas e outras delícias equivalentes, e deslocavam-se piedosamente ao sítio onde os seus animais domésticos habitavam, isto é, um bairro de casas de madeira da periferia de Benfica, nas Pedralvas e junto à Estrada Militar, a fim de distribuírem, numa pompa de reis magos, peúgas de lã, cuecas, sandálias que não serviam a ninguém, pagelas de Nossa Senhora de Fátima e outras maravilhas de igual calibre. Os pobres surgiam das suas barracas, alvoraçados e gratos, e as minhas tias preveniam-me logo, enxotando-os com as costas da mão:

- Não se chegue muito que esta gente tem piolhos.

Nessas alturas, e só nessas alturas, era permitido oferecer aos pobres dinheiro, presente sempre perigoso por correr o risco de ser gasto (- Esta gente, coitada, não tem noção do dinheiro) de forma de deletéria e irresponsável. O pobre da minha Carlota, por exemplo, foi proibido de entrar na casa dos meus avós porque, quando ela lhe meteu dez tostões na palma recomendando, maternal, preocupada com a saúde do seu animal doméstico

- Agora veja lá, não gaste tudo em vinho

o atrevido lhe respondeu, malcriadíssimo:
- Não, minha senhora, vou comprar um Alfa-Romeu

Os filhos dos pobres definiam-se por não irem à escola, serem magrinhos e morrerem muito. Ao perguntar as razões destas características insólitas foi-me dito com um encolher de ombros
- O que é que o menino quer, esta gente é assim
e eu entendi que ser pobre, mais do que um destino, era uma espécie de vocação, como ter jeito para jogar bridge ou para tocar piano.

Ao amor dos pobres presidiam duas criaturas do oratório da minha avó, uma em barro e outra em fotografia, que eram o padre Cruz e a Sãozinha, as quais dirigiam a caridade sob um crucifixo de mogno. O padre Cruz era um sujeito chupado, de batina, e a Sãozinha uma jovem cheia de medalhas, com um sorriso alcoviteiro de actriz de cinema das pastilhas elásticas, que me informaram ter oferecido exemplarmente a vida a Deus em troca da saúde dos pais. A actriz bateu a bota, o pai ficou óptimo e, a partir da altura em que revelaram este milagre, tremia de pânico que a minha mãe, espirrando, me ordenasse

- Ora ofereça lá a vida que estou farta de me assoar

e eu fosse direitinho para o cemitério a fim de ela não ter de beber chás de limão.
Na minha ideia o padre Cruz e a Saõzinha eram casados, tanto mais que num boletim que a minha família assinava, chamado «Almanaque da Sãozinha», se narravam, em comunhão de bens, os milagres de ambos que consistiam geralmente em curas de paralíticos e vigésimos premiados, milagres inacreditavelmente acompanhados de odores dulcíssimos a incenso.

Tanto pobre, tanta Sãozinha e tanto cheiro irritavam-me. E creio que foi por essa época que principiei a olhar, com afecto crescente, uma gravura poeirenta atirada para o sótão que mostrava uma jubilosa multidão de pobres em torno da guilhotina onde cortavam a cabeça aos reis"


Por António Lobo Antunes.


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sábado, 11 de julho de 2015

Tsipras – estratega burlesco



O PM grego leu livros de estratégia.
E leu livros de tática.

Alguns comentadores, muita gente incauta e uns tantos especialistas ficaram eufóricos com a convocação do referendo de há oito dias:
Grande homem, deu voz ao povo!!!

E quanto vibraram com folgada maioria do Não...

Note bem, caro leitor, prezada leitora, o Não foi o Não ao pacote de medidas exigidas pelo tróicos.

Pois bem, ainda os vivas ao "glorioso" Não estavam a secar nas gargantas e eis mais um piparote. O PM e chefe do Syriza põe os seus deputados a votar o Sim às referidas medidas, agora sob a camuflagem de terceiro resgate. Aprovadas esta madrugada, diferem em 0,000001% das que foram a votos e que Tsipras escondeu dos gregos. Foi a Comissão Europeia a divulgá-las.

Um partido, uma equipa política e um líder, quando se candidatam e vencem eleições, devem ter propósitos responsáveis.

Dentre eles, promover o desenvolvimento e a saúde financeira do país e melhorar as condições de vida dos concidadãos. Evitando, tanto quanto possível, o sofrimento do povo.

Tsipras fez exatamente o contrário. Como estratega burlesco, intimidou os gregos com o fecho dos bancos e a penúria dos pobres, acelerou e explorou a iminente bancarrota do país e mal se ufanou do Não pôs os deputados a votar Sim.

Legitimado pelo Não correu para o Sim !!!

Para dar o sim a Bruxelas, Washington e Frankfurt este folhetim era dispensável. Tal como o horror que transmitiu aos seus e aos que apoiam a Grécia no Euro.

Sempre a sorrir. Ele e o fujão Varoufakis. Muito riso, pouco siso!!!

A Grécia e a União Europeia bem dispensavam táticas doutros tempos, doutros países, agora mal plagiadas por irresponsáveis.

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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Varoufakis, outro fujão da laia do Vitor Gaspar



Ministro das Finanças grego demite-se

Outro Vitor Gaspar !!! 
Outro que foge irresponsavelmente.

Co-provocador de um terramoto e, cobardemente, com a casa em pantanas, mete o rabinho entre a pernas e volta para o doce refúgio universitário americano.

Parte pela porta dos fundos, sem "unhas" nem dignidade.

É este o destino dos "técnicos" alcandorados a políticos.

Tinha razão a Lagarde ao etiquetá-lo de criança. Um homem, um homem digno, especialmente um político, não cria problemas ao seu povo, resolve-os. E ele, com este comportamento traiu o povo grego.

Um político de corpo inteiro, um político sem máscara de intelectual, dá o corpo às balas, enfrenta as dificuldades, concebe soluções viáveis e não exercícios de diletantismo gratuito. Que ele fez. Mal.

Resta a esperança de outros negociarem bóias de salvação que dêem alguma esperança à Grécia, nesta hora de descalabro.

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sábado, 4 de julho de 2015

Taga taga




Foi a Sintra, foi à serra:
entre tojos e carvalhos,
estradões de musgo e terra,
palrou de ranho e pirralhos.


Bebeu água cristalina
na fonte das pedras manas;
ligeira como felina
mangou de escarpas maganas!


Fugiu de cobra rabicha,
tremeu com cães e canitos,
dois pulos por lagartixa,
arengou a passaritos.


Numa charca verdes algas
atulhada de girinos,
gabou verdinho por malgas,
endeusou os cimbalinos.


Contou histórias sem parança,
pinceladas de aguarela,
tingiu suor com folgança:
taga, taga, tagarela!





© Manuel A. Madeira
21 de Junho de 2015