quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Desmazelo no Parque Florestal de Monsanto


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Estas imagens, de há uma semana, não são únicas.

Repetem-se um pouco por todo o Parque Florestal. O abandono é evidente. Em estruturas, a Luneta dos Quartéis, os Moinhos do Mocho e o ex-Clube de Tiro a Chumbo (agora Tiro a Arco, mas o restaurante às moscas e várias instalações abandonadas), o restaurante panorâmico junto à FAP.

Assim como noutros domínios.

Imensas placas de identificação de pistas foram vandalizadas, faltando-lhes a chapa metálica com o respetivo nome. Carecem de urgente reposição do suporte informativo, não uma nem duas.

 Pista Rua Fria no cruzamento com a Estrada de Monsanto

Deveriam estar assim (e há muitas intactas), 

 

mas há demasiadas como esta



Tal como os bebedouros, uns sem pressão suficiente e outro com a concha cheia de água, o tubo de escoamento entupido. Só lá bebe quem não pensar nas consequências de tal imprevidência.



Os cínicos dirão que, ao menos, serve para as vespas saciarem a sede ou refrescar o ferrão. Mas não, falta manutenção!

Não há um canalizador que, uma vez por mês, os observe a todos e repare os avariados ou simplesmente os desentupa!?


Outro exemplo de negligência (38,735453 -9,185782]

2016

2012

É gritante como se deixa uma placa enferrujar a este ponto; a informação original foi  comida pela ferrugem. 

E não ontem nem anteontem. O abandono tem largos anos, ninguém duvide! Veja que a primeira foto do ex-sinal é deste ano e a seguinte de 2012. No mínimo meia dúzia de anos ao deus dará. 

Será por estar num local de difícil acesso!? Nem pensar, encontra-se à beira de uma bem conservada pista! Pista, note bem, caro leitor, estimada leitora, é um estradão de terra batida por onde facilmente circulam veículos de 4 rodas, incluindo carrinhas do Município de Lisboa ao serviço do Parque Florestal de Monsanto.

À falta de melhor é preferível arrancá-la… ao menos não exibe o amadorismo de quem deveria gerir o parque.


E como pode o município ter ali parques de merendas com mesas e bancos à sombra e água corrente e não os dotar de sanitários!? A resposta está nos inúmeros locais tapeteados de papel higiénico a 30 metros das mesas e bancos merendeiros…


Uma exceção à incúria relatada e a outras a que um dia voltaremos: as pistas, em geral, bem conservadas. Notam-se, aliás, trabalhos recentes de manutenção; a gravilha recente mostra-o, nalguns locais nem ainda acamou bem.


Já agora, quem queira gerir o parque tem de o conhecer e não é de carro. Uma boa parte pode ser percorrida em veículos, é verdade, porém a observação cuidada implica ver de perto, passar uma e outra vez nos locais, nos trilhos de acessos bem discretos e em recantos de escondidos encantos. Necessário, portanto, um gestor-zelador-caminheiro…


Tenha a Câmara Municipal de Lisboa interesse e acompanharemos quem tome em mãos as reparações do material do Pulmão de Lisboa que pedem cuidados imediatos.
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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Salazarismo de 1932-74 apouca Cidadãos de 2016




Estamos no auge dos incêndios florestais, com rara intensidade, muitas casas, matas e lameiros assaltados pelas labaredas.

E os seus donos, familiares, vizinhos e amigos, de coração nas mãos, o sangue em brasa e grande coragem combatem com as armas de que dispõem.

E as televisões mostram-nos incansáveis, desesperados e frustrados. Com toda a justiça.

Mas ao mesmo tempo que registam o seu esforço atribuem-lhes o estatuto de pobres diabos. Subliminarmente!

Por desconhecimento. Por seguidismo abúlico, "todos dizem assim"…

A verdade é que ser jornalista é ser curioso, saber um pouco de história de Portugal e pensar nas palavras que usa.

Pois os repórteres das frentes de combate aos incêndios não se cansam de mencionar populares exaustos, entrevistar populares que defendem as suas terras e de elogiar populares tão determinados.

Soubessem aquela pitada de história, tivessem estudado um pouco mais de propaganda e jamais citariam populares a enfrentar catástrofes pessoais.

Populares é um estigma, a forma depreciativa, minimizadora da dignidade cidadã, usada pela propaganda salazarista para mencionar pessoas comuns, Cidadãos anónimos ou pobres.

Cidadãos a quem o salazarismo colava o rótulo sub-reptício de "inferiores" aos instalados, aos "bem pensantes" e às "pessoas de bem".

Fossem Cidadãos lá bem do interior, do Alentejo, do Minho ou das Flores, arruaceiros alvo de notícias policiais ou Cidadãos de algum modo inconvenientes ao regime e eram etiquetados de populares nos jornais e na televisão. 

E esta técnica de propaganda pegou. Ora, passados tantos anos sobre o 25 de Abril, ainda há populares na boca de jornalistas!

Tantos livros depois, tantos artigos e debates radiofónicos e televisivos sobre a ideologia salazarista e ainda há quem vá beber ao livro de estilo da ditadura!!!

Como se não bastasse escrever Moradores e Vizinhos, Cidadãs e Cidadãos, ou simplesmente pessoas!


António Ferro, o ideólogo da propaganda salazarista, rejubilaria, lá do fundo da tumba, ao ver a sua peçonhenta bússola a orientar jornalistas. Em 2016!


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terça-feira, 26 de julho de 2016

30 ciganos cobardes

30 ciganos cobardes de Campo Maior
A notícia é de origem local:

Curiosamente, na notícia da SIC, cuja imagem encima este comentário, não foi usada a palavra ciganos!!!
Mas foram ciganos cobardes, não ingleses nem brasileiros cobardes, os agressores não foram russos cobardes nem irlandeses cobardes.
Foram 30 ciganos cobardes que, em matilha, atacaram um quartel a agrediram soldados da paz.
E esta não é uma situação rara. Grupos de ciganos ameaçam, agridem, oral e fisicamente, pessoas indefesas um pouco por todo o país.
Venham lá as caridosas almas da proteção étnica...

Venham, venham, mas tenham presente que estas tribos de portugueses demonstram que Portugal não é um Estado de Direito.

Senão vejamos, quantos miúdos ciganos acabam a escolaridade obrigatória!? E então as raparigas ciganas... Pois se a escolaridade é obrigatória, por que não obriga as famílias ciganas?
As almas pretensamente caridosas devem saber que o vandalismo cigano só pode ser travado com escolarização. Com a inoculação escolar do valor cidadania responsável!

Até lá, que as autoridades exerçam plenamente a autoridade, sem medo da chantagem cigana tantas vezes exercida por grupos cobardes. Um a um encolhem-se, não se vê um cigano sozinho de peito feito!

Ai se os soldados da paz de Campo Maior não fossem verdadeiros pessoas de paz e têm deitado a mão aos seus machados de paz profissionais...


sexta-feira, 22 de julho de 2016

Promissor revisionismo católico




O senhor papa católico esclareceu recentemente que não há brasas nem labaredas no inferno.
Boa. Boa, mas paradoxal! Então o anterior colega regimental não tinha já extinto o dito inferno!?

Adiante, que estão no bom caminho.

Voltemos ao senhor Francisco: proclamou igualmente que Adão e Eva são histórias da Carochinha, placebos low cost, portanto.

A verdade é que este revisionismo mitológico católico é promissor. Não tarda aí teremos mais um édito a reafirmar o caráter incorpóreo do ente supremo católico. Relembrar, apenas a relembrar, pois anda muito esquecido há muitos séculos.

E não surpreenderia que Francisco viesse para os telejornais atestar, à luz da relembrada imaterialidade deísta, que as estátuas que a simbolizam, assim como as dos santos e das santas são fruto de bíblico "artifício literário".

Se este varrimento conceptual persistir e se os Velhos do Restelo da Cúria Romana não fizerem um golpe de estado, assistir-se-á à maior migração estatuária da história da humanidade.

Não que seja já amanhã, que os museus por esse mundo fora ainda têm de ampliar os seus espaços de armazenamento para incorporar tamanho acervo de material ficcional.




Manuel A. Madeira
Alfragide, 20.Julho.2016

sábado, 11 de junho de 2016

Doze lembranças aos Velhos do Restelo Ortográfico





Eles atiram-se ao Acordo Ortográfico de 1990, muitos com tremendas confusões, outros com enorme desconhecimento e alguns por comodismo.

As línguas vivas vivem de renovação, o que tem acontecido com o português ao longo dos nossos séculos.

E confundir cágado com a grosseria desta palavra sem acento e iludir facto a propósito de uma certa fatiota é simples ignorância.

Mas invocar o Clã da Pharmácia para contestar os que aderiram ao dito acordo é simplista, tal como clamar pela grafia antiga.

Antiga de quando, do D. Dinis, da escrita camoniana ou da revisão ortográfica da Primeira República!?

Por ora, vamos ater-nos a palavras não tocadas pelo Acordo Ortográfico; simplesmente homógrafas mas com tónicas bem diferenciadas.

Isto como evidência de uma velha tradição que legitima igual forma da proposição para e da terceira pessoa do singular do verbo parar, para [fonia pára]. Apesar da óbvia desigualdade de pronúncias.


Eis essa dúzia que tantas vezes usamos e em que os respetivos contextos nos dizem como ler corretamente. Como também fazem os Velhos do Restelo Ortográfico.


1. Molho // Molho
Molho Portugália versus Molho de salsa.

2. Topo // Topo
Topo da pilha de livros versus Topo bem onde queres chegar.

3. Pega // Pega
Pega desasada versus Pega de cozinha.

4. Rota // Rota
Camisa rota versus Rota da seda.

5. Seca // Seca
Fruta seca versus Seca do Bacalhau.

6. Borra // Borra
Borra de café versus Borra-botas.

7. Corte // Corte
Fazer a corte à rapariga bonita versus Corte cirúrgico.

8. Greta // Greta
Tem uma greta no calcanhar versus Põe creme senão greta.

9. Besta // Besta
Deu de beber à besta versus Tiro ao alvo com besta medieval.

10. Rogo // Rogo
Assinatura a rogo versus Eu te rogo, faz-me esse favor…

11. Bola e // Bola
A  bola de carne de Guimarães é excelente versus Bola de ténis.

12. Boto // Boto
Pé Boto versus Boto açúcar no café.




quinta-feira, 19 de maio de 2016

Um quisto na cortesia hospitalar. Benigno.



Sempre fui corretamente tratado no Hospital da Luz. Com uma exceção.

Sempre ouvi Senhor aos atendedores e repete-se o Senhor no diálogo com os enfermeiros.

Volto a ouvir Senhor dos técnicos de imagiologia e não há telefonista que esqueça o Senhor.

De igual modo, os médicos de qualquer especialidade têm o Senhor na ponta da língua. Não me lembro de exceção médica neste domínio.

Conclusão, a generalidade dos profissionais do Hospital da Luz sabe o que é e pratica cortesia profissional. Com uma exceção, o quisto, o Laboratório de Análises Clínicas, no piso – 1.

O quisto é certamente benigno, suscetível, portanto, de fácil erradicação. A verdade é que todos os que trabalham naquela casa são feitos da mesma massa, massa moldável com o fermento profissional.

Mas apesar dessa mesma base, os clientes deste laboratório são apenas chamados pelo nome. Em flagrante contraste com o resto da instituição.

Maria, João, Frederico, Silvina, Teotónio. Sim, com os respetivos apelidos. Mas sem Senhor nem Senhora e nunca Senhora Dona, ou simplesmente Dona, o padrão convencional português de cortesia para mulheres.

Como se trata de um estabelecimento de saúde, basta a direção do hospital diagnosticar a maleita, perceber que tem um quisto no seu tecido social e administra a terapêutica.

Em três tempos, promova o gestor do Laboratório de Análises Clínicas a inoculação de Senhor na comunicação presencial dos seus técnicos e extirpa-se a exceção.

Uma ou outra resistência, um arrastar de pés, uns sorrisos amarelos, tudo isto pode ocorrer durante o tratamento de melhoria da cortesia. Pois pode, mas são efeitos secundários, igualmente benignos. E em pouco tempo os seus técnicos adotam Senhor, Senhora Dona e Dona como procedimento de rotina, tal como rotineira é a inserção da agulha na veia e a rotulagem dos tubos, o que tão bem sabem fazer.

Entretanto, o laboratório melhora a sua imagem, o hospital nivela por cima a qualidade do acolhimento e os profissionais são olhados com outros olhos. Olhos de retribuição da cortesia.

E adeus quisto!

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Quadrilheiro - Quadras em 3ª demão

Outra demão, nova versão!




Quadrilheiro


Rimando jogo pedrinhas
e atiro alguns abraços,
dou beijocas às gordinhas
e atormento madraços.


Trafulhas mando às urtigas
em trovas envinagradas,
à má-língua faço figas,
exalto caras lavadas.


Faço quadras quando calha
e à míngua de inspiração,
tapo com tinto da talha
moléstias na rimação.


São versos contra-corrente,
pedem cante à desgarrada,
não fadinho decadente
de gentinha amargurada.


Falam de coisas da vida,
da fortuna, dos quebrantos,
daquela vez de fugida
a lembrar certos encantos…


Rimo quadras destravadas;
sem as musas de Junqueiro
são em Aleixo inspiradas.
Confesso, sou quadrilheiro!



Manuel A. Madeira
18 de Maio de 2010
Rv 9.Maio.2016

quarta-feira, 2 de março de 2016

Como circular nas rotundas


Serviço Público Formigarras


A circulação nas rotundas tem novo modelo legal desde há vários meses e continua a haver quem não siga a regra do Código das Estrada.

Quiçá por desconhecimento...

Por isso, aqui fica uma forma muito intuitiva de aprender a nelas circular em segurança:


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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Miguel Relvas, diz-lhe alguma coisa? MARIANA MORTÁGUA


Transcrição integral com uma
única nota Formigarras
Relvas branqueado pelo Banco de Portugal!?




Miguel Relvas, diz-lhe alguma coisa?
02.02.2016
MARIANA MORTÁGUA
Banco Efisa, diz-lhe alguma coisa? Era o antigo banco de investimentos do BPN e que está parado desde 2009. Está longe de ser um banco relevante no sistema, mas tem uma mais-valia: uma licença bancária para operar em Portugal, Moçambique, Angola e na América Latina, que foi mantida à custa da injeção de dinheiros públicos, cerca de 52 milhões desde 2014.
Em julho de 2015, já depois de ter vendido o BPN, o Estado decide vender também o Banco Efisa, que até aí se encontrava dentro da Parvalorem, o veículo criado para gerir os restos do BPN. O Efisa é assim entregue à Pivot por 38 milhões de euros.
Na altura pouco se sabia da Pivot, a não ser que congregava investidores angolanos, norte-americanos e portugueses. Ficámos, no entanto, na semana passada, a conhecer um pouco mais desta história.
Miguel Relvas, diz-lhe alguma coisa? Foi secretário de Estado da Administração Local em 2004, altura em que ajudou a Tecnoforma - em que esteve Passos Coelho como administrador - a montar a fraude dos aeródromos. Mais tarde tornou-se número dois do primeiro-ministro Passos, e ministro dos Assuntos Parlamentares até abril de 2013.
Miguel Relvas já tinha sido consultor do banco de investimento do BPN antes da nacionalização. Na altura, o deputado e administrador da Kapaconsult (que tinha como único cliente o Efisa) era crucial para abrir as portas da política e dos negócios no Brasil .
Em 2012, foi o seu Governo a nomear Francisco Nogueira Leite, ex-administrador da Tecnoforma com Passos Coelho, para presidente da Parvalorem. Para além de chamar outros quadros próximos da Tecnoforma, Nogueira Leite manteve homens da confiança de Oliveira e Costa em lugares críticos da empresa. E foi ele, enquanto responsável máximo da Parvalorem, a conduzir a venda do Efisa à Pivot em 2015.
Já fora do Governo, é Miguel Relvas quem aparece, mais uma vez, a prestar serviços de consultoria à Pivot. Mas na semana passada o consultor Relvas foi promovido a acionista, e pede agora ao Banco de Portugal que ateste a sua idoneidade para ser dono de um banco, o Efisa.
Miguel Relvas e idoneidade, uma contradição nos termos capaz de arrancar uma boa gargalhada a qualquer um se não corresse o risco de vir mesmo a ser declarada.

DEPUTADA DO BE

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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Lamber as feridas eleitorais



O Marcelo vai ser um festival de pantominices, uma espécie de placebo mediático para as agruras nacionais.

Mas não é seguro que o PC, inspirado no sucesso da sua passeata caça votos na última Festa do Avante, a transfira para Fátima na expectativa de um milagre eleitoral.

Também é improvável que António Costa remodele o governo para consolar Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém, candidatos com quem dividiu a sua ambígua e fragilizante atitude.

O que é seguro é que além do eleito presidente, dois outros candidatos cantam vitória.

Marisa Matias, que ultrapassou largamente Edgar Silva, o candidato do PC, impondo a alternativa BE.

E Tino de Rans, que fez uma festarola lá na terra com os votos de mais de 150.000 brincalhões.

!!!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Nem misericordiosa nem santa


A praça de touros de Santarém é propriedade da Santa Casa da Misericórdia da cidade. Ou é por ela gerida ou foi-lhe concessionada.

Lá estão as marcas.


O símbolo central agora em destaque


Marcas que certificam a sua ausência de misericórdia para com os touros, pois esta palavra significa Compaixão solícita pela desgraça alheia (http://www.priberam.pt/dlpo/miseric%C3%B3rdia) e patrocinar o sofrimento dos animais nada tem de misericordioso.

Uma tal crueldade apoiada por uma casa da igreja católica ainda é mais paradoxal.

O que demonstra a tal casa nada tem de "santa", pois a barbaridade não é cultura, apenas uma medieva herança de brutalidade gratuita para gáudio da populaça. Abulicamente.


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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O Patriotismo e o Amor à Vida de Luaty Beirão

Texto integral de 
Rafael Marques de Morais
6 de Novembro de 2015
  
O rapper Luaty Beirão durante o seu período
de greve de fome, internado numa clínica de Luanda.
[Imagem original Maka Angola]

Em recente conferência de imprensa, o ministro do Interior, Ângelo de Barros Veiga Tavares, aludiu a uma conversa telefónica mantida entre nós a 20 de Outubro passado.

De forma expedita e cordial, o ministro acedeu ao meu pedido para visitar os 14 presos na Cadeia de São Paulo e recolher as suas mensagens para o Luaty Beirão, que se encontrava internado numa clínica de Luanda, em greve de fome. Já antes disso, todos os detidos tinham tentado, em vão, obter autorização dos serviços prisionais para visitarem Luaty, a quem pretendiam apelar directamente que acabasse com a greve. Temiam pela vida de Luaty.

Quando telefonei ao ministro Ângelo Tavares, ele pediu-me apenas que não revelasse o teor da nossa conversa ou o facto de ter sido ele a autorizar a diligência. Por uma questão de princípio, abstenho-me, por isso, de comentar aquilo que supostamente foi a nossa conversa. Para melhor esclarecimento da sociedade, cabe às autoridades divulgarem, na íntegra, a gravação da referida conversa.

Cabe-me, no entanto, reiterar o que é do domínio público e antecede as declarações do ministro. Obtive autorização oficial para visitar os 14 detidos e tive a oportunidade de conversar individualmente com todos eles, na presença de um alto oficial dos serviços prisionais.

É também do domínio público que todos eles escreveram mensagens individuais ao Luaty, solicitando-lhe que terminasse a greve de fome. Queriam-no vivo, queriam que desempenhasse o papel de líder moral, e agora têm-no finalmente junto de si. Da minha parte, apenas servi de ponte e fui portador desse desejo dos companheiros de causa de Luaty.

Nos encontros, tive a oportunidade de falar sobre a liberdade de expressão com alguns dos detidos. Por que motivo falei com os jovens sobre a luta pela liberdade de expressão enquanto foco principal das batalhas cívicas que se avizinham? Porque, justamente, a sua detenção foi (é) um dos muitos e constantes ataques à liberdade de expressão que se verificam na suposta democracia angolana. Estes jovens foram detidos porque estavam a ler um manual e a debater ideias sobre estratégias de resistência não-violenta contra a ditadura. Estavam a pensar. Cometeram o crime de pensar e discutir ideias.

A liberdade de expressão é um direito consagrado na Constituição Angolana, e é a essência para a demanda de todos os outros direitos, incluindo os direitos humanos, o direito à manifestação e a liberdade de imprensa. É também um direito constitucional sistematicamente violado pelo governo e pelas autoridades em Angola.

No Processo dos 17, o cerne do problema é inequivocamente a violação do direito à liberdade de expressão. Não é o facto de se terem organizado ou de terem saído à rua para se manifestarem.
O medo e a intriga, que têm paralisado a maioria dos cidadãos, são os vírus que têm sido usados contra o exercício pleno da liberdade de expressão.

Por uma questão de transparência, pedi aos serviços prisionais que fizessem cópias de todas as mensagens recolhidas para o Luaty para os arquivos de quem de direito. Assim procederam.

Nessa noite, fui à clínica, acompanhado pelo mesmo alto oficial dos serviços prisionais. Entreguei as mensagens ao Luaty e tivemos uma discussão mais acesa, bem à nossa maneira, sobre a visão e a estratégia de luta pela liberdade de expressão após a libertação de todos os presos políticos.

Partilhei com ele, por escrito, algumas ideias sobre como se pode criar um movimento pela liberdade de expressão e como ele poderia contribuir sobremaneira para uma luta cívica mais estruturada. Foi a palavra estrutura que causou polémica entre nós.

Com um sorriso e um abraço, o Luaty desfez a tensão que julgou pairar no ar. “Não fica zangado comigo, mô kota”, disse-me, brincando comigo. Informou-me que ponderava cuidadosamente sobre todas as propostas que lhe chegavam às mãos, por via daqueles que o visitavam.

Forneci o papel, com as ideias sobre a liberdade de expressão, ao oficial dos serviços prisionais, para que informasse os seus superiores. O Luaty escreveu também uma mensagem aos seus “manos” na Cadeia de São Paulo. Entregou-me a mensagem e eu entreguei-a ao oficial dos serviços prisionais para a fazer chegar aos destinatários.

Cabe-me reconhecer as inúmeras iniciativas de solidariedade em Angola, em Portugal e em várias partes do mundo para com os 15 presos políticos.

Em grande medida, essa solidariedade deveu-se ao heroísmo de Luaty Beirão, que passou 36 dias em greve de fome e, com isso, alertou o mundo para uma causa que deve ser de todos os angolanos de bem.

Conheço bem o Luaty e conheço o seu amor à vida. Só alguém altruísta como ele pode colocar a sua vida em risco, de forma voluntária, em defesa da vida de milhares de cidadãos que não têm voz nem defesa. É o amor à vida dos grandes soldados, que lutaram pela pátria e a defendem. O Luaty não tinha, nem terá, uma arma na mão para defender a pátria de salteadores. Fê-lo apenas com o seu protesto individual, e isso é muito mais corajoso.

A Mónica, sua esposa, a sua filha, a sua mãe, os 14 companheiros de causa e a solidariedade mundial proporcionaram ao Luaty, o amor, a irmandade, a amizade, o apoio e a vitória de que necessitava para continuar a sua luta, mais fortalecido.

O fim da greve, por si declarado, nada teve que ver com a minha intervenção. Servi apenas de ponte entre Luaty e os seus companheiros, quando eles mais precisavam de comunicar entre si.

Celebraremos, a 11 de Novembro, 40 anos de independência com a ironia de um apelo crescente que define o estado actual das relações entre o poder e a sociedade: “Liberdade já!”

Somos independentes, mas não temos liberdade.

Fonte:


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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Dois refugiados portugueses




Presentemente há milhares de refugiados africanos a procurar a Europa. E há-os igualmente do Médio Oriente, especialmente da Síria, mas também chegam pessoas desesperadas da Ásia.

E na mesma União Europeia tábua de salvação para muitos, dois portugueses são igualmente refugiados. Fogem do próprio povo.

A Passos Coelho, primeiro-ministro, e ao seu irrevogável conselheiro-mor Paulo Portas, autores de draconianas medidas "além da tróica", nem o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados pode ajudar.

De facto, o socorro chega-lhes apenas da PSP, através do seu Corpo de Segurança Pessoal, que, 24 horas por dia, lhes mantém um perímetro que os isola dos outros portugueses.

A verdade é que estes mesmos portugueses não esquecem as mentiras, os enganos e a demagogia que aqueles dois lhes impingiram durante a campanha eleitoral de 2011. E agem em conformidade, apontando-lhes o dedo onde quer que Passos e Portas se desloquem.

Lembram-se muito bem dos esgares e apertos de mão do Portas em tudo o que era feira e mercado municipal, onde ele se saracoteava a aspergir promessas a pataco. Como bom beato falso!

E nem o mais distraído se esquece das pomposas declarações do Passos a garantir integridade salarial aos mais frágeis e a jurar que não beliscaria as reformas aos avós nos lares que visitava. A garantia às tais miúdas numa escola esfumou-se mal se acomodou no poleiro.

Por isso, no caça votos que aí está, Portas e Passos só são vistos em espaços fechados, rodeados de correligionários, cordões de segurança e Corpo de Segurança Pessoal da PSP.

Adeus feiras e escolas, adeus pavilhões e arruadas. Nunca as suas aparições foram tão encenadas. E distantes do Zé Povinho. Movem-se apenas de redoma para redoma, que o povo, esse mandatário da soberania, é bom lembrar, se os apanha à mão diz-lhes das boas. Sem armas nem agressividade. Apenas fazendo ecoar a pobreza, a desesperança e a deceção pelas mentiras destes dois foragidos.

E Passos e Portas, fugindo da generalizada reação popular, refugiam-se na polícia, enclausurados pelas suas próprias falsidades.

Bom seria que não obtivessem asilo eleitoral em S. Bento nem na Teixeira Gomes.

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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Imigrantes africanos e asiáticos, corruptores europeus e paninhos quentes




Não há, nos dias que passam, qualquer dia sem notícias de imigrantes, naufrágios mediterrânicos e fronteiras apinhadas de gente aflita.

A aflição da fome e da morte, da perseguição e da desesperança tem trazido para a União Europeia muitos, muitos milhares de pessoas desesperadas.

Mas a fuga de tantos africanos e asiáticos é também fruto da cumplicidade europeia com corruptas quadrilhas, fingidas figuras de Estado. Disfarçadas de fato e gravata ou em vestido plissado, rapinam os seus países e roubam o futuro a muitos povos de África em parceria com traficantes europeus de vários negócios. Sob o oficialíssimo fechar de olhos dos Estados-Membros da União Europeia e da omnipresente Comissão que a lidera.

Ora a UE, em vez de apenas equacionar estratégias de apoio aos refugiados, tem, primordialmente, de criminalizar e levar a julgamento os "homens de negócios" UE cujas empresas, multinacionais e imperiais, suportam aqueles corruptos, com eles traficam e parasitam os recursos de povos esfomeados.

Até lá restam os paninhos quentes, patrulhas navais mediterrânicas e asilo a conta-gotas, sandes e água de litro e meio no desembarque, cães polícias e lágrimas de crocodilo.


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