quinta-feira, 8 de março de 2018
Ontem foi um grande dia para Portugal
Portugal exporta areia para Marrocos
https://www.tsf.pt/sociedade/interior/navio-espanhol-encalhado-junto-ao-bugio-9164451.html
Que melhor notícia podíamos ter, descontada a lotaria nacional, ou seja, a descoberta de petróleo no Algarve, no Minho e em Rabo de Peixe!?
Há males que vêm por bem: só o encalhamento de um barco no Bugio proporcionou a divulgação da notícia. Transporta areia de Portugal para um país que tem o Deserto do Saara dentro de portas!
Será areia fina, finíssima, quiçá granulada com subprodutos da espanhola Central de Almaraz...
Seja lá o que for, é uma alavanca do desenvolvimento português.
Venha lá o FMI dizer que não empurra os gráficos para cima, que o PIB e o Costa não rejubilam com este peso-pesado exportado!!!
+++
Cus anal fabetos fassão um AO depréça !
Apenas o título é Formigarras
Lamentável, o autor é desconhecido!
Quando eu escrevo a palavra acção, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o C na pretensão de me ensinar a nova grafia.
De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa.
Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim.
São muitos anos de convívio.
Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes CCC's e PPP's me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância.
Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: - não te esqueças de mim!
Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, sei que não falas, mas ainda bem que estás aí.
E agora as palavras já nem parecem as mesmas.
O que é ser proativo?
Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.
Depois há os intrusos, sobretudo o R, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato.
Caíram hífenes e entraram RRR's que andavam errantes.
É uma união de facto, e para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem.
Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os EEE's passaram a ser gémeos, nenhum usa ( ^^^) chapéu.
E os meses perderam importância e dignidade; não havia motivo para terem privilégios. Assim, temos janeiro, fevereiro, março, são tão importantes como peixe, flor, avião.
Não sei se estou a ser suscetível, mas sem P, algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.
As palavras transformam-nos.
Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos.
Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do C não me faça perder a direção, nem me fracione, e nem quero tropeçar em algum objeto.
Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um C a atrapalhar.
Só não percebo porque é que temos que ser NÓS a alterar a escrita, se a LÍNGUA É NOSSA ...? ! ? ! ?
Os
ingleses não o fizeram, os franceses desde 1700 que não mexem na sua língua e
porquê nós ?
Ou atão deichemos que os 35 por cento de anal fabetos afroamaricanos
fassão com que a nova ortografia se imponha bué depréça !
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
Duas mentiras de três órgãos flácidos
Túnel de Algés, 6.Jan.2018
O órgão é o IP – Infraestruturas de Portugal, SA, responsável pelo túnel da estação de comboios de Algés.
As mentiras são as da placa informativa da imagem. Pouco informa, está desatualizada há muitos anos. Muitíssimos, desde que a Escola Secundária deu de frosques, há uma década, há duas, sei lá...
Segunda mentira, o Instituto de Investigação Marítima mencionado na indiqueta* não existe, também morto há vários anos.
E esta mortandade desinformativa tem apenas uma explicação, a flacidez daquele órgão. Tanta que nem um único dos seus funcionários, um único subchefe, chefe, diretor ou administrador por ali passa ou dá uma espreitadela à nova pintura do túnel.
Informar corretamente os munícipes, os turistas e outros viandantes não é, pela amostra, tarefa relevante, digna da atenção do murcho órgão.
Pior, o desmazelo é contagioso; nem os gestores, chefes e diretores dos dois novos organismos alojados nas instalações do extinto instituto investigador se dão ao trabalho de promover a substituição da placa, atualizando a informação com as respetivas designações. Afinal são três os órgãos flácidos**.
Fotografia de 20 de Fevereiro de 2018
Nem falamos hoje do órgão-mor, o Ministério, que, nesta matéria, foi a banhos...
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* – Neologismo nascido à sombra de etiqueta, mas com dever indicativo, o que, neste caso, só faz parcialmente: a Docapesca existe.
** – Antónimo de vigoroso, atutante, genicoso.
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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
Vendilhões de mentiras mascaradas de cuidados de saúde
Pergunta à Entidade Reguladora de Saúde
6.Fev.2018
Se não é todos os dias, é quase, a descarada e
impune divulgação deste tipo de vigaristas. Porém, que se saiba, nada lhes acontece.
Agem impunemente a seu bel-prazer, iludindo pobres
e incautos sem que uma única entidade os belisque, os ponha na ordem, os
sancione.
Exercício ilegítimo de medicina, publicidade
enganosa, bruxaria ou pura aldrabice são opções de classificação penal destes
abusadores da fragilidade humana.
A sua publicidade, em papelinhos como este, de
75x108 mm, é distribuída às claras, nas bocas do Metro de Lisboa, em ruas
movimentadas e agora colocados nos para-brisas dos carros. Como se Portugal
fosse uma república de bananas, sem lei nem roque, nem Entidade Reguladora de
Saúde!!!
O que faz a ERS para travar estes vendilhões da
mentiras mascaradas de cuidados de saúde?
10 dias depois da pergunta, tarda a resposta.
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10 dias depois da pergunta, tarda a resposta.
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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018
Objetivos de Desenvolvimento do Milénio
Para que constem...
Clica na imagem para ver os 17 ODM
Em agosto de 2015, 193 países acordaram os seguintes 17 objetivos:
1.
Nenhuma pobreza ... Terminar com a
pobreza em todas as suas formas em todo o mundo.
2.
Nenhuma fome... Terminar com
a fome, alcançar a segurança alimentar e uma nutrição melhorada e promover uma
agricultura sustentável.
3.
Boa saúde ... Assegurar vidas saudáveis e promover o bem-estar para todos
e em todas as idades.
4.
Educação de qualidade ... Assegurar uma educação de qualidade, inclusiva e
equitativa, e promover oportunidades de formação contínua para todos.
5.
Igualdade de género... Alcançar uma igualdade de género e atribuir competências a
todas as mulheres e raparigas.
6.
Água limpa e saneamento ... Assegurar a disponibilidade e uma gestão sustentável da
água e saneamento para todos.
7.
Energia renovável e a preços acessíveis ... Assegurar o acesso a energia a preços acessíveis, fiável,
sustentável e moderna para todos.
8.
Bons empregos e economia ... Promover um crescimento económico sustentado, inclusivo e
sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos.
9.
Inovação e boa infraestrutura
... Construir uma infraestrutura sólida, promover uma industrialização
inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.
10.
Reduzir a desigualdade
... Reduzir a desigualdade nos países e entre países.
11.
Cidades e comunidades sustentáveis ... Tornar as cidades e povoamentos humanos inclusivos,
seguros, sólidos e sustentáveis.
12.
Utilização responsável de recursos ... Assegurar um consumo e padrões de produção sustentáveis.
13.
Ações no âmbito do clima...
Implementar ações urgentes para combater as alterações climáticas e os seus
impactos.
14.
Oceanos sustentáveis
... Conservar e utilizar de forma sustentável os oceanos, lagos e recursos
marinhos no sentido de um desenvolvimento sustentável.
15.
Utilização sustentável da terra ... Proteger, restaurar e promover uma utilização sustentável
dos ecossistemas terrestres, gerir as florestas de forma sustentável, combater
a desertificação e parar e reverter a degradação da terra e interromper a perda
de diversidade.
16.
Paz e justiça... Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o
desenvolvimento sustentável, assegurar o acesso de todos à justiça e construir
instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis.
17.
Parcerias para o desenvolvimento
sustentável ... Reforçar os
meios de implementação e revitalizar as parcerias globais no sentido de um
desenvolvimento sustentável.
domingo, 24 de dezembro de 2017
Votos sinceros de bom peru e bons abraços
Votos sinceros de bom peru e boa pinga, poucos fritos e muita fruta na graça do senhor... bacalhau e dos amigos do peito!
Não alimente o mercantilismo, dê abraços sinceros!
E se ainda for a tempo, lembre-se das toneladas de brinquedos que a miudagem põe a um canto mal rasga quilómetros de papel e abre milhões de sacos, caixas e caixinhas.
Mas depois não se lamurie da desflorestação, das chuvas ácidas e do tempo de pernas para o ar. É fruto da sua impensada adesão à onda da bondade por um dia. [Ou será apenas por umas horas!?]
Ofereça, sim, ofereça ao longo do ano, dê preciosidades, coisas apreciadas, não bugigangas para agradar aos pais e ao Pingo Doce.
Não importa em que data, nem que o "menino" não tenha mesmo nascido nem que o mitologia que o cerca não seja mais do que isso, uma ilusão, uma fugaz consolação para a frustração.
O que importa é que seja feliz sem ilusões comerciais nem competição prendeira.
Custa, mas faz-se, aos poucos que seja; a mim custou-me mudar, mas mesmo assim, transigi. Melhorarei!
terça-feira, 12 de dezembro de 2017
Primeira vez
Pela primeira vez na vida recebi votos de Boas Festas com IBAN*.
Não, nada devo ao interlocutor, nem nunca devi, tudo na hora foi pago, não é lembrete subtil.
O que não garanto é que não seja peçonha a que certas pessoas são mais atreitas, os subliminares emolumentos da profissão mais luzidios do que o natal cristão...
Lá que venha o endereço, o telefone dá sempre jeito, mas o IBAN!?
Pronto, nada de dramas, foi um gesto simpático, a fidelização de plantão, também não há rosas sem espinhos...
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* IBAN, para os menos rodados com operações bancárias, é a sigla de International Bank Account Number (Número Internacional de Conta Bancária).
quarta-feira, 22 de novembro de 2017
Zimbábue – Um golpe militar bom?
Há meses, numa sessão em Oeiras, o ativista pela liberdade em Angola Luati Beirão manifestou grandes reservas a um "25 de Abril" angolano.
Preferia, declarou, que o regime ditatorial de Eduardo dos Santos tivesse uma transição civil para um governo democrático.
E esta é, em geral, a posição dos cidadãos dos países reféns de ditadores. Quando os militares saem dos quartéis nunca se sabe ao que vão. E África conhece bem o historial de ditadores apeados por golpes de Estado militares rapidamente substituídos ditadores militares.
E entre ditador e ditador militar nem o diabo tem escolha...
Ora os militares zimbabueanos fizeram um golpe de Estado a que chamaram não golpe. Os tanques vieram para a rua e o mesmo aconteceu ao velho ditador Mugabe que matou milhares e esfomeou milhões.
Ninguém morreu e depois de algumas hesitações o cruel ditador despediu-se com uma carta. O zimbabueano comum pode chamar-lhe carta de alforria!
E se nenhum militar ocupar a cadeira presidencial também pode proclamar aos quatro ventos que o golpe não golpe foi um bom golpe!
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quarta-feira, 8 de novembro de 2017
Marcelo abençoa mitologia contracivilizacional
Antes de ler o comentário Formigarras vale a pena
ler o miolo da notícia.
Elogios à parte e
apartando a enorme lista de amigos do Marcelo, o sumo do artigo é o
reacionarismo desta fação católica, que criou colégio para rapazes e colégio
para raparigas!!!
Como se a vida não
fosse partilhada entre uns e outros, como se vivêssemos no tempo da parelha
ideológica Salazar-Cerejeira. Como que a querer ignorar as hormonas...
E o Estado, todos nós,
lá vamos subsidiar esta anacrónica forma de deseducar, que esta gente muito se
pendura no Orçamento de Estado.
Em 2017, o PR de um
Estado laico abençoa a atitude contracivilizacional de um aparelho mitológico.
Ai se houvesse deus...
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quinta-feira, 2 de novembro de 2017
Forum TSF alimenta subserviência nacional
Manuel Acácio, animador do Forum
TSF, em edição recente, em diálogo com outra juíza, fez referência ao contracivilizacional
da Relação do Porto como
“sotôr juiz”
Como se propaga a hipócrita subserviência
nacional…
Em conversas amenas do
dia-a-dia, estes magistrados são referidos por juízes, simplesmente juiz se for
o caso. Não há português que não o faça. Normal.
Mas se a discussão aquece, muda
o tom, chovem impropérios e todos os juízes de Portugal ficam de orelhas em
brasa.
Poucos portugueses têm uma
imagem positiva da justiça, poucos, pouquíssimos. E por isso são zurzidos nas
mesas de café. E os visados sabem disso.
Em contrapeso e com intenção
nada ingénua, muita gente que se vê nas malhas judiciais usa aquela forma para
bajular ou simplesmente para não criar arestas. Contudo, é uma expressão indigna
de um povo que tem um Estado de Direito. E é este Direito que faz dos
portugueses Cidadãos, não coitadinhos.
E Cidadãos dirigem-se com
dignidade a quaisquer interlocutores. Sem mesuras nem adulação oral ou escrita.
Ora, um programa que acalenta a desmontagem de “verdades feitas” propaga
esta anacrónica “doturice” nacional: “sotôr juiz”.
Pouco serão doutores de
doutoramento, mas todos são senhores, a primeira parte da corruptela “sotôr”.
Mas Manuel Acácio, que faz
programas equilibrados, que tira o gás aos intervenientes verborreicos e trava agressões
orais a figuras em discussão, deu corda a uma das piores pechas nacionais,
Manuel Acácio é melhor do que
esta sombra. Muito melhor.
Por isso, siga a banda, levante
a cabeça e estude a pauta…
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sexta-feira, 27 de outubro de 2017
Tradutor que não sabe português não traduz, finge!
Comentários para quê!?
Ao menos podia dar uma espreitadela ao Priberam:
https://www.priberam.pt/DLPO/grama
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
Patetice nacional cultiva Estado parolo
Incêndios, incêndios e mais incêndios e quanto mais Portugal
arde mais se evidencia a patetice que faz do Estado Português um Estado parolo.
A Fase Charlie foi antecipada, a Fase Charlie não foi
prolongada, a Fase Charlie deve corresponder ao período de maior risco
incêndios.
Que patetas estão nos mais altos escalões do combate aos
incêndios que não encontram palavras portuguesas para definir períodos de
perigosidade!?
Saberão estas pardas eminências que em Portugal se fala e
escreve português?
Patetas em bicos de pés, patetas que se julgam sábios por
usar a designação inglesa de uma letra, que a dizem como se estivessem a debitar
a douta fórmula da pólvora seca.
Patetas que a escrevem em leis, patetas que a vertem em
manuais, patetas que a lavram em ordens de serviço e os super patetas que a
aprovaram.
Além dos híper patetas que, nos ministérios, abençoaram este
ataque terrorista à língua do povo que lhes paga o pão que levam à boca!
Funcionários cegos pelo deslumbramento com a ilusória imagem do inglês e
abúlicos políticos pimpões traem a língua portuguesa.
Que grotesca gente, que por pobreza de espírito, por acéfalo
mimetismo pateta, incapazes de usar os miolos e valorizar a nossa língua, a
espezinham. Tristes patetas!!!
Ao que chegámos, patetas e mais patetas edificam Estado
parolo…
Senhor Bombeiro, Senhora
Socorrista, isto não é consigo, não se belisca, nem um pouco, quem sua e sofre
no combate aos terríveis incêndios que destroem Portugal.
O carapuço é para aqueles pobres
diabos que amesquinham a nossa língua.
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sexta-feira, 20 de outubro de 2017
Fora de jogo gramatical
Tive um professor de
português que censurava assim os nossos erros gramaticais:
– Duas palavras,
três asneiras!
Pois anteontem, aí pelas
20H00, num relato de futebol, a ironia do Dr. Mira foi virada do avesso. Três palavras, um erro apenas.
Num brado radiofónico, o
repórter lamentava:
– Meteu para fora
[da grande área]
Meter, só para dentro!!!
Entre o fora de
jogo e o frango gramatical!
quarta-feira, 18 de outubro de 2017
Escuta, animal!
Autor desconhecido,
embora a nota final deixe a dúvida
A foto veio abusivamente daqui:
Escuta,
companheiro de quatro patas
Meu
gato, minha porca, meu furão:
sacudi
o teu pelo com competência
vou
por-te trela de cetim e alpergatas
que
hoje é dia de alinharmos na tendência
-
ir jantar fora e fazer um figurão!...
Com
a norma obrigatória de entrar cão
há
q tomar decerto, precaução
e
eu peço perdão, mas assim penso:
Algumas
"prendas" intestinas surgirão
graciosas,
imprevistas, pelo chão
e
a cada sacudidela, não faz mal,
eu
como um pitéu q gosto imenso:
-
esparregado, com pêlos de animal…
Aliás,
nesta lei tão modernista
uma
breve rosnadela é inocente
se
o miúdo se assustar, é porque é parvo
o
animal está cheiinho de razão
alguém
q ralhe com o puto, para ser gente
E
se uma bufa, repentina e imprevista
circular,
perfumando a costeleta
nada
é que a pessoa não resista,
perdoando
alguma falta de etiqueta
São
bichos... Há que ser animalista
P’ra
ninguém nos chamar …bicho careta
os
meus, felizmente, estão treinados.
Nove
gatos, três cães, uma cadela
todos
limpos, vacinados, educados
falam
línguas, têm modos esmerados
treino
intenso, até dotes musicais;
se
acaso morderem uma canela
a
culpa é desses figurões ali sentados
a
arrastarem as cadeiras nos sobrados
e
a assustarem os pobres animais!
Sou
tão sensível e cuidadoso com os outros
que,
para a próxima vez que eu sair
para
jantar com a minha catatua,
eu
prometo vesti-la de brocados
lantejoulas,
adornos variados
pr’os
comensais não ficarem chocados
pelo
facto escandaloso de andar nua!
A
aranha, essa levo-a no bolso
para
nem sequer ser vista por ninguém;
vou-lhe
dando colherinhas de arroz doce
e
à socapa umas tirinhas do acém...
Já
a cabra Joana fica à porta;
vai
bramar possessa, quer entrar…
Mas
essa não tem maneiras a preceito
trepa
tudo... nao dava muito jeito
vou
ter que dar-lhe aveia para a calar
O
rafeiro alentejano é mais difícil
Com
aquele tamanhão ficar aconchegado
talvez
pedir a esta gente horrorosa
que
tenha respeito pelo bicho
e
se aperte um pouco mais para o outro lado
Já
pensei também ir com o cavalo,
mas
a porta mal pensada do Tavares
não
permite que ele jante ao meu lado
mesmo
com os direitos legislados!
Tem
q se acabar com isto em tais lugares!
Vou
reclamar até, urgentemente
por
verificar que a maior parte destes sítios
não
está devidamente apetrechada;
sem
whiskas, nem liteiras, nem aveia
nem
estrebarias, nem sequer fardos de palha
nem
ementas especiais pr’á rapaziada.
Somos
mesmo um país muito atrasado
Nestas
coisas de sair para jantar.
Eu
proponho, por isso, até bem mais:
Eles
entram.
Nós
esperamos um bocado.
E
se, no fim, nos deixarem "eles" entrar,
então
entramos nós, mas com cuidado.
O ficheiro é de Deolinda
Cruz.
Se for a autora está de parabéns!
No título, o Formigarras também abusou, acrescentou ,animal!
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
A mulher invulgar que deu o rosto à República
Texto integral de Katya Delimbeuf
Em 1910, uma jovem de 16
anos serviu de modelo para o Rosto da República ao escultor Simões de Almeida,
sempre sob o olhar atento da mãe. Chamava-se Hilda Puga e a sua vida foi plena
de aventuras. O Expresso conta-lhe a história de uma mulher invulgar, que
sobreviveu a dois cancros, esteve casada dois meses, foi rica mas teve
tornar-se costureira para sobreviver e morreu no dia em que celebrou 101 anos.
FOTOS CORTESIA DA FAMÍLIA PUGA
Até 1970, Hilda Puga andava nos bolsos de todos os
portugueses. Era dela o rosto das moedas de 5 escudos e de 50 centavos, fruto
do serviço patriótico que prestou muitos anos antes, quando a República foi
instaurada, em 1910. Ela, que "até era profundamente monárquica, muito
católica e reacionária", recorda o neto, Nuno Maia, 50 anos, "aceitou
o pedido do escultor Simões de Almeida por amor ao país." Hilda tinha 16
anos, e trabalhava numa camisaria na R. Augusta, na Baixa de Lisboa. Estava a
fazer uma entrega quando se cruzou com o escultor, que lhe achou graça e a
convidou para ser sua modelo.
.
Como Hilda era menor de idade, Simões de Almeida teve de pedir autorização à mãe dela, que lhe impôs duas condições: a primeira, ela própria teria de estar presente nas sessões - que duraram duas horas, durante um mês; e a segunda era que a filha teria de posar vestida. Foi esta, aliás, a razão que levou Hilda Puga a só falar abertamente deste episódio depois dos 90 anos... É que o busto de Simões de Almeida mostra uma mulher de amplo decote, e Hilda jura "que só tinha desabotoado um botão da camisa..."
Este poderia ser um episódio de relevo na vida de muita gente, mas para Hilda foi apenas um numa vida cheia de aventuras e reviravoltas. Nas primeiras está, por exemplo, uma viagem de barco de meses até ao Amazonas. Nas reviravoltas da vida estão a perda do pai e a passagem de menina rica a costureira.
Como Hilda era menor de idade, Simões de Almeida teve de pedir autorização à mãe dela, que lhe impôs duas condições: a primeira, ela própria teria de estar presente nas sessões - que duraram duas horas, durante um mês; e a segunda era que a filha teria de posar vestida. Foi esta, aliás, a razão que levou Hilda Puga a só falar abertamente deste episódio depois dos 90 anos... É que o busto de Simões de Almeida mostra uma mulher de amplo decote, e Hilda jura "que só tinha desabotoado um botão da camisa..."

Este poderia ser um episódio de relevo na vida de muita gente, mas para Hilda foi apenas um numa vida cheia de aventuras e reviravoltas. Nas primeiras está, por exemplo, uma viagem de barco de meses até ao Amazonas. Nas reviravoltas da vida estão a perda do pai e a passagem de menina rica a costureira.
DE LISBOA PARA
BELÉM DO PARÁ
O pai de Hilda, Tomás Garcia Puga, era um homem abastado,
proprietário da fábrica de tijolos da praça de Touros do Campo Pequeno
(Lisboa). Apaixonou-se pela empregada, com quem viveu a vida toda e de quem
viria a ter cinco filhos – mas o ato de amor custou-lhe o corte de relações com
a família de origem, que nunca aceitou uma união tida como
"inferior". Um revés nos negócios obrigou Tomás Puga a vender a
fábrica. Atraído pelo Eldorado da borracha no Novo Mundo, em finais do século
XIX, ruma a Iquitos, na Amazónia peruana, onde ergue um armazém geral. A vida
corre bem, tanto que, passados poucos anos, Tomás chama a família toda. Numa
longa viagem de mais de três meses, de "vapor, barco e piroga",
Hilda, a mãe e os quatro irmãos rumam de Lisboa até Belém do Pará.


Passaram-se três anos felizes na Amazónia, até que Tomás Puga adoece com beriberi, uma avitaminose provocada por deficiência de vitamina B1. O médico dita a sentença: Tomás tem de regressar a um clima temperado, sob pena de morrer. A família Puga embarca de novo, de regresso a Lisboa – mas o chefe de família não aguenta a viagem e morre a bordo, ao largo de Cabo Verde. O funeral é feito no mar. À chegada à Lisboa, sem o sustento da família, esperava-os a miséria.

Foi a educação dos anos de desafogo financeiro, que proporcionou aulas de piano, costura e bordado, que permitiu à mãe e às irmãs Puga sobreviverem. Hilda dedicou-se à costura – nunca deixou de costurar, a vida toda. "Fê-lo diariamente até aos 96 anos", conta o neto - "lençóis, toalhas, fardas de empregada, crochet", e ocupava-se muito em leituras. Mas a vida ainda lhe reservaria outros desafios.
Ainda antes dos 30 anos, Hilda teve um primeiro cancro de mama, que o pai do médico Gentil Martins retirou. Na mesma altura, casou-se, com um jornalista – foi a última das irmãs a fazê-lo. Mas também aqui não teve sorte, permanecendo casada escassos dois meses. Arremessou um candeeiro à cabeça do marido, e, apesar de muito católica, pediu o divórcio em 1932 (ainda antes da Concordata ser assinada em Portugal), somando para si mais um estigma social: o de mulher divorciada.
Não tornou a casar-se, e nunca teve filhos – mas criou como tal uma sobrinha, Emília, que lhe chamaria sempre "mamã". Aos 60 anos, Hilda teve um cancro na outra mama, e mais tarde, retirou outro tumor, na barriga. Cegou ainda de um olho, o esquerdo. A tudo isto sobreviveu. Com a costura, sustentava a mãe e filha "adotiva". Até que esta se casou, em 1957. Após 3 anos de vida em comum com Emília e o marido, optou por ir para um lar, aos 77 anos. Estava muito habituada ao seu espaço, e custava-lhe ter de prescindir da sua liberdade.
Onze anos mais tarde, sofreu o maior de todos os golpes:
Emília morria, de cancro de mama. Hilda remeteu-se à clausura total, no lar,
não saindo de lá durante uma década. Foi preciso nascer o primeiro sobrinho
neto para tornar a passar o Natal em família. Em 1991, parte uma perna e cai à
cama. Nessa altura, o seu maior problema era "não poder costurar".
Dois anos depois, falece, aos 101 anos. Morria o rosto da República, cuja
implantação se assinala esta quarta-feira.
+++++
domingo, 1 de outubro de 2017
Alentejanos e portugueses, obviamente!
Com a diatribe catalã num pico de turbulência, li de um concidadão a defesa da independência do Alentejo!!!
A lembrar Pitágoras:
Se o que
tens a dizer não é mais belo do que o silêncio, então cala-te.
Uma demonstração simples: Vasco da Gama, inequivocamente alentejano, fez o que fez em nome de Portugal. Os seus descobrimentos são obra de Portugal, mas o Alentejo também dele se orgulha, sente-o seu!
Claro que há diferenças entre o norte e as ilhas, as Beiras e a Bairrada, basta pensar nos sotaques com que falamos, nas receitas do que comemos e... nas regiões demarcadas vitivinícolas!
Na minha adolescência brincava-se às independências; minhotos "criavam" o Reino do Minho, os scalabitanos a República do Ribatejo e a rapaziada de Aljezur não prescindia do Reino Al-Maghrib!
Criancices, brincadeiras inconsequentes, naturalmente! Coisas da idade; imaturidade.
Ora, entre isso e os atuais delírios independentistas vai um fosso inultrapassável.
Nada tem a ver com o portuguesíssimo Alentejo, não passa de enrolo fantasioso.
[Escrito por um lisboeta postiço, porém, alentejano dos quatro costados.]
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