Mostrar mensagens com a etiqueta Ética. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ética. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Alhos 560 e portugueses!



O 560 dos códigos de barras deveria significar Made in Portugal, mas já aqui apresentámos produtos em que isso não correspondia à realidade:

Um 560 associado a Made in China ou Produto de España significa que os embaladores e distribuidores iludem impunemente o comprador e que a entidade emissora dos códigos anda a dormir. Reflete ainda que Portugal não tem uma defesa do consumidor eficaz, que corrija aquela enganosa etiquetagem.

Quantos aos alhos, as coisas mudaram há bem pouco tempo. E para melhor.

...

De facto, o Continente, depois do Picnicão em Lisboa, passou a ter alhos 560 em que o 560 é verdadeiro, a acreditar na origem que o completa: Portugal.


Só por isto, a campanha publicitária da SONAE valeu a pena. Não basta apregoar o consumo patriótico, gerador de riqueza e de emprego de portugueses, há que ser consistente. E o senhor Belmiro deu agora o passo certo.

++++

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Cidadãos e políticos

.
Um dia, um florista foi cortar o cabelo. Depois do corte, perguntou quanto devia. O barbeiro respondeu:

– Não é nada; esta semana faço voluntariado.

O florista saiu todo contente. No dia seguinte, ao abrir o estabelecimento, o barbeiro encontrou uma dúzia de rosas com um cartão de agradecimento.

Mais tarde, chegou o padeiro para cortar o cabelo. Quando quis pagar, o barbeiro disse:

– Não posso aceitar dinheiro esta semana, pois faço voluntariado.

Feliz, o padeiro sai todo contente e, no dia seguinte, deixa à porta do barbeiro uma dúzia de biscoitos, com uma palavra de agradecimento.

Depois, também veio um autarca e quando pretende pagar, o barbeiro responde:

– Não, esta semana é grátis. Faço voluntariado!

O autarca sai da barbearia encantado com a surpresa. No dia seguinte, quando o barbeiro chega, uma dúzia de autarcas estão à espera, fazendo bicha para cortar o cabelo gratuitamente.

Eis, meus amigos, a grande diferença entre os cidadãos comuns e os políticos que nos governam!!!


Nota da Redação
Chegou em francês e o departamento multilingue do Formigarras só traduziu. E ficou autarca por ser o mais próximo do original, embora simbolize muitos políticos da nossa praça.

Não se sabendo quem é o autor, mantém-se, contudo, a chapelada ao criativo, qual soldado  desconhecido da batalha pela ética política.

+++

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Os angolanos estão vivos, bem vivos

Os angolanos não foram anestesiados, apesar do esforço continuado dos meios de comunicação ao serviço da cleptocracia instalada. 

E não foram dominados pelos aparelhos ideológicos de que os cleptocratas mexem os cordelinhos.

Nem sequer foram hipnotizados com a longa campanha da reconstrução de infra-estruturas e o crescimento de dois dígitos. É verdade que todos os dias a TPA apresenta obras novas. E é igualmente verdadeiro que as imagens são sempre enquadradas por rasgados elogios das pessoas entrevistadas, em tom laudatório do regime e do “deus” Santos.

Os angolanos, a maioria, não a clique dominante, seus serviçais e beneficiários, sabem bem a enorme podridão em que o país está enterrado. E não a querem.

Ainda ontem aquela televisão nos mostrou dois episódios expressivos da malha da traficâncias vigente.

No primeiro, foi noticiado que fiscais autorizavam a construção de habitações num regime de 1 para 1: uma casa para si próprios e outra para o Cidadão construtor. Apareceu alguém a anunciar sanções aos delinquentes, mas estes são arraia-miúda.

Mais tarde, num programa sobre a seleção angolana de futebol, os comentadores, sem se alargarem nem porem nomes na ponta dos dedos, apontavam a ausência de ética para a desorganização da respectiva federação. As contas do Campeonato Africano das Nações estavam atrasadas porque havia dinheiros voláteis…

Apesar destas tropelias, já para não falar na filha Santos que movimenta milhões que brotam de batuta milagrosa, chegou-me de fora um sólido sinal de vitalidade angolana.

Veio de Moçambique. Sim, daí. Entrevistado pela Pública, a propósito da situação neste país, o cantor moçambicano Azagaia contou que num seu espectáculo em Angola, em Dezembro, o “presidente” foi vaiado por 6.000 angolanos. Ao vivo, ao perguntar “Quem vendeu a minha pátria?” milhares de vozes responderam: “Zedu, Zedu” (assim é conhecido Eduardo dos Santos).

E ao cantar “Ladrões fora, corruptos fora, assassinos fora” os assistentes disseram: “Zedu fora, Zedu fora”

Esta consciência cidadã dá esperança, a esperança de algum dia haver quem combata a corrupção em Angola. Melhor ainda seria a neutralização da teia de peculato... A começar por cima.

+++++

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Carlos Queiroz: Foda-se! Caralho!

.
Laurentino Dias concorda com suspensão de Queiroz (DN).

Depois da intervenção do Secretário de Estado do Desporto, Carlos Queiroz desdobrou-se ontem em alegações jurídico-televisivas. Faz de conta que não invectivou os médicos da Autoridade Antidopagem de Portugal em missão oficial de controlo antidopagem.

Quer ganhar na secretaria o que perdeu em dignidade, com os impropérios na Covilhã, não se dando conta de quão burlesca é a sua argumentação.

Tire o leitor as suas próprias conclusões.

Estas foram as palavras de Queiroz:



Encontra informação mais detalhada no portal do Instituto do Desporto de Portugal (30/08/10 - Decisão da ADoP relativa ao Processo Disciplinar n.º 08/DISC-10/11 da Federação Portuguesa de Futebol) acessível em: http://www.idesporto.pt/ficheiros/file/Decis%EF%BF%BDo%20-%20Processo%20Disciplinar%20n_%EF%BF%BD%208-DISC-10-11%20da%20F_P_%20Futebol.pdf

----

domingo, 29 de agosto de 2010

políticos abusadores e fingidos


A ViaVerde, certamente escorada na lei, obriga os utilizadores de auto-estradas a pagar o identificador electrónico com que calcula o preço da utilização viária. Presta o serviço de cobrança aos concessionários das auto-estradas e força os utilizadores a pagar um instrumento dessa cobrança.

Nas SCUT acontecerá o mesmo. O acordo PS + PSD, convertido em lei, que Cavaco acaba de promulgar, prevê que o Dispositivo Electrónico de Matrícula seja pago pelos utilizadores. Tem outras opções, mas são amaciadores de opinião pública.

Porém, qualquer loja, supermercados incluídos, os bancos, as tesourarias das Finanças etc, etc, etc, suportam integralmente os custos das suas cobranças. Nem a Belmiro passa pela cabeça criar uma sobretaxa para financiar o talão das compras. Nas auto-estradas não! Nestas, os utilizadores pagam o identificador ou DEM à parte!

Foi o Estado, isto é, os políticos, o pr, os deputados e os membros do governo, incluindo o secretário de estado da defesa do Consumidor, quem assim decidiu. Alimentam este abuso comercial. É um abuso de posição dominante. Que contrasta com a atitude acomodatícia da maioria dos Cidadãos que, quando assumirem integralmente a Cidadania, condicionarão a cessação do abuso.

E que é que deve ser feito?

Simples: Fornecer o identificador ou o DEM gratuitamente, assim como a substituição de pilhas.

Obviamente, serão sempre os utilizadores a suportar os custos de exploração das auto-estradas, desde a manutenção do piso à sinalização e dos sistemas informáticos... aos identificadores e DEM. Através de uma parcela do que pagam pela utilização destas infra-estruturas.

Ora obrigar os Cidadãos a comprar uma peça que tem um valor irrelevante comparado com os encaixes e os lucros das operadoras é, além de caricato, ostentação de poder. Fingindo ignorar que quem cobra tem a obrigação de suportar todos os meios de cobrança com os proveitos gerados pelo negócio.

 ----

domingo, 2 de maio de 2010

Suíça tudo lava


Nada convicto de que a ética prevaleça, vendo ao preço de custo

Agoniza o segredo bancário suíço
Artigo de Gilles Lapouge




A Suíça tremula. Zurique alarma-se. Os belos bancos, elegantes, silenciosos de Basileia e Berna estão ofegantes. Poderia dizer-se que eles estão assistindo na penumbra a uma morte ou estão velando um moribundo. Esse moribundo, que talvez acabe mesmo morrendo, é o segredo bancário suíço.

O ataque veio dos Estados Unidos, em acordo com o presidente Obama. O primeiro tiro de advertência foi dado na quarta-feira.

A UBS - União de Bancos Suíços, gigantesca instituição bancária suíça - viu-se obrigada a fornecer os nomes de 250 clientes americanos por ela ajudados para defraudar o fisco. O banco protestou, mas os americanos ameaçaram retirar a sua licença nos Estados Unidos. Os suíços, então, passaram os nomes. E a vida bancária foi retomada, tranquilamente.
Mas, no fim da semana, o ataque foi retomado. Desta vez os americanos golpearam forte, exigindo que a UBS forneça o nome dos seus 52.000 clientes titulares de contas ilegais!

O banco protestou. A Suíça está temerosa. O partido de extrema-direita, UDC (União Democrática do Centro), que detém um terço das cadeiras no Parlamento Federal, propõe que o segredo bancário seja inscrito e ancorado pela Constituição federal.

Mas como resistir!

A União de Bancos Suíços não pode perder sua licença nos EUA, pois é nesse país que aufere um terço dos seus benefícios.

Um dos pilares da Suíça está sendo sacudido. O segredo bancário suíço não é coisa recente.

Esse dogma foi proclamado por uma lei de 1934, embora já existisse desde 1714. No início do século 19, o escritor francês Chateaubriand escreveu que neutros nas grandes revoluções nos Estados que os rodeavam, os suíços enriqueceram à custa da desgraça alheia e fundaram os bancos em cima das calamidades humanas. Acabar com o segredo bancário será uma catástrofe econômica. Para Hans Rudolf Merz, presidente da Confederação Helvética, uma falência da União de Bancos Suíços custaria 300 biliões de francos suíços ou 201 milhões de dólares.

E não se trata apenas do UBS. Toda a rede bancária do país funciona da mesma maneira. O historiador suíço Jean Ziegler, que há mais de 30 anos denuncia a imoralidade helvética, estima que os banqueiros do país, amparados no segredo bancário, fazem frutificar três triliões de dólares de fortunas privadas estrangeiras, sendo que os activos estrangeiros chamados institucionais, como os fundos de pensão, são nitidamente minoritários. Ziegler acrescenta ainda que se calcula em 27% a parte da Suíça no conjunto dos mercados financeiros "offshore" do mundo, bem à frente de Luxemburgo, Caribe ou o extremo Oriente.

Na Suíça, um pequeno país de 8 milhões de habitantes, 107 mil pessoas trabalham em bancos.

O manejo do dinheiro na Suíça, diz Ziegler, reveste-se de um carácter sacramental. Guardar, recolher, contar, especular e ocultar o dinheiro, são todos actos que se revestem de uma majestade ontológica, que nenhuma palavra deve macular e realizam-se em silêncio e recolhimento...
Onde páram as fortunas recolhidas pela Alemanha Nazi? Onde estão as fortunas colossais de ditadores como Mobutu do Zaire, Eduardo dos Santos de Angola, dos Barões da droga Colombiana, Papa-Doc do Haiti, de Mugabe do Zimbabwe e da Mafia Russa?

Quantos actuais e ex-governantes, presidentes, ministros, reis e outros instalados no poder, até em cargos mais discretos como Presidentes de Municipios têm chorudas contas na Suiça?

Quantas ficam eternamente esquecidas na Suíça, congeladas, e quando os titulares das contas morrem ou caem da cadeira do poder, estas tornam-se impossíveis de alcançar pelos legítimos herdeiros ou pelos países que indevidamente espoliaram?

Porquê após a morte de Mobutu, os seus filhos nuncam conseguiram entrar na Suíca? Tudo lá ficou para sempre e em segredo...

A agora surge um outro perigo, depois do duro golpe dos americanos.

Na minicúpula europeia que se realizou em Berlim, em preparação ao encontro do G-20 em Londres, França, Alemanha e Inglaterra (o que foi inesperado) chegaram a um acordo no sentido de sancionar os paraísos fiscais.

"Precisamos de uma lista daqueles que recusam a cooperação internacional", vociferou a chanceler Angela Merkel. No domingo, o encarregado do departamento do Tesouro britânico, Alistair Darling, apelou aos suíços para se ajustarem às leis fiscais e bancárias europeias. Vale observar, contudo, que a Suíça não foi convidada para participar do G-20 de Londres, quando serão debatidas as sanções a serem adotadas contra os paraísos fiscais.

Há muito tempo se deseja o fim do segredo bancário. Mas até agora, em razão da prosperidade económica mundial, todas as tentativas eram abortadas.

Hoje, estamos em crise.

Viva a crise!!!

Barack Obama, quando era senador, denunciou com perseverança a imoralidade desses remansos de paz para o dinheiro corrompido. Hoje ele é presidente. É preciso acrescentar que os Estados Unidos têm muitos defeitos, mas a fraude fiscal sempre foi considerada um dos crimes mais graves no país.

Nos anos 30, os americanos conseguiram laçar Al Capone.

Sob que pretexto? Fraude fiscal.

Para muito breve, a queda do império financeiro suiço!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Auto-de-fé socrático

As gravações das escutas telefónicas a Sócrates vão ser queimadas. Como os autos-de-fé da inquisição católica, que os proclamava purificadores.

Se um qualquer pirata informático sacou uma cópia, lá se vai o efeito purificador, esturricando a calmante queima.

-----

quarta-feira, 7 de abril de 2010

As mentiras de Mexia

Para justificar o seu salário esquizóide, o presidente da EDP afirmou que o valor astronómico recebido se devia à superação de objectivos. Primeira mentira.

Segunda mentira: o défice tarifário deve levar ao aumento do preço da electricidade.

E são mentiras porquê!?

Simplesmente porque tirar um tão elevado como vergonhoso ordenado do cofre da empresa é porque ele, o cofre, está a abarrotar. Não há défice tarifário, portanto. Pelo contrário, significa que o preço que os portugueses pagam pela electricidade é excessivo.

Pagássemos nós a energia a um preço justo e também a retribuição de Mexia seria justa, isto é, decente, mesmo que duplicasse os objectivos definidos.

-----

sábado, 3 de abril de 2010

Falências do BPP e de Constâncio

O Banco Privado Português vai ser declarado falido.

O político agora retirado da cena política portuguesa e injectado politicamente no Banco Central Europeu fez uma gestão política dos dados do BPP que teve em mãos.

Se tivesse agido com rigor de supervisor, como era sua missão e para o que era muito bem pago, outro poderia ter sido o desenlace do BPP.

Não agindo consequentemente o seu nome ficará associado à falência daquele banco.

Faliu como governador do Banco de Portugal. E o PS de Sócrates premiou-o por isso.

Que estranho Portugal.

-----

quarta-feira, 31 de março de 2010

José Sócrates, le Portugais ensablé

Transcrição integral

Para os não leitores de francês sugiro que cliquem em http://www.liberation.fr/monde/0101625174-jose-s-crates-le-portugais-ensable e usem a tradução Google.



18/03/2010 à 00h00



José Sócrates, le Portugais ensablé

Rien ne va plus pour le Premier ministre socialiste, dont le nom est associé à des affaires de corruption sur fond de crise économique majeure.

Par FRANÇOIS MUSSEAU envoyé spécial à Lisbonne

L’inimitié d’une bonne partie des médias, une crise politique qui tourne au blocage institutionnel, une situation sociale explosive, un fiasco économique obligeant à des mesures drastiques à court terme… Comme si cela n’était pas suffisant, le bouillant José Sócrates (mollement réélu aux législatives de septembre 2009) doit désormais affronter une fronde du Parlement qui pourrait le forcer à la démission ou amener sa famille socialiste à lui trouver un successeur à la tête du gouvernement. Aujourd’hui commencent à Lisbonne les travaux d’une commission d’enquête parlementaire qui, pour la première fois depuis la fin de la dictature de Salazar, implique directement un Premier ministre. Et va le contraindre à comparaître physiquement, au mieux par écrit. «Le Portugal est un bateau ivre dans lequel le capitaine est le plus suspect de tout l’équipage», a asséné un chroniqueur de la chaîne privée SIC.

D’après les économistes, de tous les pays européens au bord du «décrochage», le Portugal est certainement le maillon le plus faible. Plus encore que la Grèce, le petit pays ibérique souffre de maux structurels, d’exportations en berne, d’une dette extérieure record et d’un déficit public de 9,3%. Bruxelles attend de Lisbonne des mesures concrètes pour respecter le «plan d’austérité» auquel José Sócrates s’est engagé. Mais ces mesures, qui promettent d’être draconiennes, se font attendre… D’autant que José Sócrates est encore affaibli par ses problèmes politico-judiciaires.

«réformateur». Ce qui ressemble fort à un procès politique est lié à un supposé cas d’interventionnisme. Pendant deux mois, un groupe de députés tentera de faire la lumière sur le rôle qu’a joué José Sócrates dans la tentative du géant Portugal Telecom (PT, contrôlé par le gouvernement socialiste) de racheter la télévision TVI, hostile au pouvoir. Il s’agit en somme de savoir si le leader socialiste a manœuvré pour placer la chaîne sous son joug. En juin 2009, devant le Parlement, Sócrates avait solennellement assuré ne rien savoir de telles tractations. Si cette commission d’enquête, qui va auditionner des dizaines de témoins, fait la preuve que le Premier ministre a menti, les jours de celui qui promettait de «transformer le Portugal en profondeur» seront comptés.

«Alors qu’il a pu être une partie de la solution pour le pays, Sócrates est aujourd’hui une partie du problème», résume José Manuel Fernandes, ancien directeur du quotidien de référence Público, dont le départ tient à ses relations tendues avec le leader socialiste. Comme d’autres nombreux détracteurs, Fernandes reconnaît que le tonitruant Sócrates a été, au début de son premier mandat - de 2005 à 2007 -, un chef de gouvernement courageux, qui a ramené un gros déficit à 3% (aujourd’hui de nouveau autour de 10%), réformé le système des retraites (âge légal et temps de cotisation augmentés), accru les recettes fiscales, créé 150 000 emplois, fait le ménage au sein de la haute administration… «Un bon bilan de réformateur volontariste, qui a su contenir à sa gauche et rassurer à sa droite, dit le politologue Manuel Villaverde Cabral. Il a mis à la porte pas mal de gens dans les hautes sphères, qui sont aujourd’hui autant d’ennemis.» Mais, si José Sócrates est autant ébranlé, c’est aussi parce que son parcours est jalonné de zones d’ombres et d’agissements suspects.

Depuis ses premiers pas municipaux dans la région de Beira Baixa, à l’est du pays, il a été mêlé à une dizaine de scandales. Un diplôme d’ingénieur obtenu dans des conditions suspectes, des permis de construire douteux accordés au sein de la municipalité de Castelo Branco, l’affaire «Face occulte» (des écoutes téléphoniques le lient avec un homme d’affaire véreux ayant un quasi-monopole sur les friches industrielles)… Ou encore l’affaire «Freeport», une société britannique ayant installé un centre commercial à Alcochete, en banlieue de Lisbonne, sur un terrain protégé… grâce au feu vert de Sócrates, alors ministre de l’Environnement ! «En réalité, à chaque fois, il n’y a aucune preuve formelle, dit José Manuel Fernandes. Mais rien n’est vraiment clair avec lui.»
.
jeune loup. Energique et charismatique, doté d’une audace qui a électrisé une vie politique ankylosée, José Sócrates apparaît aussi comme un leader intransigeant, autoritaire et irascible, dont l’ambition dévorante en irrite plus d’un. «Son parcours, c’est celui d’un jeune loup sans idéologie, opportuniste, un pur produit d’appareil qui a escaladé les échelons la tête froide, le décrit Fernando Rosas, historien et député du Bloc de gauche. Il a toujours eu un côté borderline. Et puis ses accès d’autoritarisme lui valent une piteuse image dans des médias qui ne sont pas tendres avec lui.» Sócrates le leur rend bien : plusieurs journalistes de télé vedettes (Mário Crespo, Manuela Guedes…) ont dénoncé «la censure» exercée sur eux par le Premier ministre. Une commission d’éthique s’est mise en place en janvier pour éclaircir la question. «L’un des grands problèmes de Sócrates, c’est qu’il a perdu le soutien des élites, analyse José Manuel Fernandes, l’ancien patron de Público. On ne lui fait plus confiance, tout le monde a peur d’être trompé par ce personnage trouble et ambigu.»

Dans un sérail politique dominé par des doctores, ce socialiste sans titre prestigieux agace et rompt avec le statu quo. A la manière d’un Sarkozy portugais, Sócrates est un fonceur, un communicateur zélé qui a phagocyté son parti et personnalisé à l’extrême l’exercice du pouvoir. Autres similitudes : il ne craint pas de tailler dans le vif, supporte mal les critiques, perd facilement ses nerfs et cultive la perméabilité entre la sphère politique et celle des affaires - à l’instar de Jorge Coelho, un de ses proches, ancien ministre socialiste entré avec sa bénédiction dans le conseil d’administration du géant du BTP Mota-Engil.

A force de jouer avec le feu, José Sócrates se retrouve-t-il sur un siège éjectable, six mois seulement après sa difficile réélection (une courte majorité au Parlement) et alors que sa cote de popularité chute allègrement ? «A priori, tous les éléments l’accablent, explique Ricardo Costa, directeur adjoint de l’hebdo Expresso.Heureusement pour lui, les circonstances le protègent.» De l’avis général, le président de la République, Cavaco Silva, mentor du grand parti de la droite (PSD), n’a pas intérêt à convoquer des élections anticipées. Par souci de stabilité institutionnelle, et aussi parce qu’un scrutin aujourd’hui ne changerait sûrement pas beaucoup la donne. Jusqu’à janvier 2011, date de la présidentielle, Sócrates ne risque donc pas sa peau. Sauf si, bien sûr, la commission d’enquête parlementaire qui s’ouvre aujourd’hui exige sa démission.
.
sacrifices. Même s’il reste en place, tous lui pronostiquent toutefois un chemin de croix jusqu’à la fin 2010. Après avoir concédé des largesses sociales, Sócrates va devoir appliquer d’ici peu le plan d’austérité dicté par Bruxelles via des coupes claires dans les dépenses sociales (santé, indemnités chômage, subventions, accès au RMI…). «Depuis dix ans, le pouvoir exige que les Portugais fassent des sacrifices, explique Manuel Villaverde Cabral, le politologue. Je ne crois pas qu’ils supporteront plus longtemps.»

José Sócrates, pris entre l’enclume sociale et le marteau financier ? «Il est pieds et poings liés, renchérit José Manuel Fernandes. Le modèle industriel portugais, vieux de cinquante ans, est moribond, et rien ne le remplace. Le pays ne produit qu’entre 30 et 40% de ce qu’il consomme. La marge de manœuvre de Sócrates est très faible.»

Pourra-t-il rebondir ? Ricardo Costa, de l’Expresso, et d’autres observateurs en sont convaincus : «Ce type a plus de vies qu’un chat. Il est très dur, très résistant, il sait encaisser les coups. Une vraie bête politique qui sait sortir ses griffes lorsqu’il est le plus affaibli.»

sexta-feira, 19 de março de 2010

Dois juizes terroristas


Acabo de ouvir dois juízes, ambos a dizer que os juízes podem fazer greve. Com paninhos mais ou menos frouxos, ambos os candidatos a vice-presidente do Conselho Superior de Magistratura estão em sintonia nesta matéria.

Juristas supõe-se que saibam alguma coisa de leis, de ética, de responsabilidade social, de dignidade das instituições. E a Lei principal de Portugal é a Constituição da República, que atribui aos tribunais o carácter de órgãos de soberania. Se os seus titulares, os juízes, fazem greve agridem violentamente o funcionamento esses mesmos órgãos de soberania, o que é terrorismo e não pode ser tolerado.

O PR tem o dever de promover a sua destituição imediata por ofensa grave ao Estado de Direito. Cavaco Silva é o responsável máximo pelo normal funcionamento das instituições, diz a nossa Constituição.

-----

Limpeza de Portugal


Entre os cerca de 100 mil voluntários que sábado vão ‘Limpar Portugal’ em mais de 10 mil pontos em todo o país, encontrar-se-á o próprio Presidente da República. Cavaco Silva vai integrar a acção em Sintra, contribuindo assim para a remoção de 70 mil toneladas de lixo espalhado em espaços verdes. http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=166258

É útil este exemplo, pois o Estado de Portugal precisa de profunda limpeza.

Porém, Cavaco Silva teria de ser destemido para dar uma grande vassourada e não se ficar pela recolha de um lixito sob os holofotes televisivos.

Sonho com vassouras, vasculhos e piassabas, esfregonas, sabonária, desengordurantes e coragem a rodos. E no sonho vejo muito lixo a esconder-se debaixo das carpetes de palácios e palacetes, sacudindo para longe olhares não comprometidos e jornais de investigação.

E ainda sonho que acordo a festejar a limpeza de Portugal, um país limpo, em que todos acreditam nos políticos, especialmente nos que mandam mais, um povo agradecido ao Presidente da República.

Pena ser um sonho. Um sonho de esperança, uma ambição de que não abdico: ter orgulho nas palavras e nas obras de quem foi eleito para nos ajudar a ser mais felizes.

?????

quinta-feira, 18 de março de 2010

Segurança com pesos e contra-pesos



Com um poder sem fiscalização tudo pode acontecer, até crimes cometidos por quem tem o dever de os combater.

Mesmo que a investigação referida no DN não dê frutos judiciários, pelo menos dá um sinal a quem tenha tentações menos legítimas. A pedagogia da insegurança é boa para o povo, o povo miúdo.

++++

quinta-feira, 4 de março de 2010

Uma "gaja" decente


Esta é a capa do SOL e a "gaja" é Ana Paula Vitorino, anterior Secretária de Estado dos Transportes.

Aí se lê que se opunha a negócios na REFER. Face ao historial de robalos, é uma mulher honesta.

+++++

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Uma mulher decente


A Secretária de Estado da Igualdade sugere Governadora para o Banco de Portugal. E há uma petição em torno de Teodora Cardoso. (SOL)

 O Banco de Portugal precisa de alguém com seriedade insuspeita, técnico qualificado sem medo de enfrentar interesses instalados e verdadeiramente independente dos partidos.

Os últimos governadores não preencheram estes requisitos, sendo a maioria, se não todos, barões ou afilhados dos partidos. E Constâncio, coitado, chumbou na supervisão, embora o PS o tenha premiado com uma promoção por incompetência para o BCE.

Teodora Cardoso é boa técnica, tem muita experiência macro-econométrica internacional e é bruta.

Ficaríamos mais seguros com ela no BP.
+++++

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Um judeu de princípios


Mordechai Vanunu passou 18 anos nas prisões israelitas por ter divulgado a existência do programa nuclear deste país. O antigo técnico nuclear Mordechai Vanunu responsável pela divulgação do programa militar nuclear de Israel, recusou novamente figurar entre os candidatos ao prémio Nobel da Paz. A razão apresentada por Vanunu é "não estar interessado na possibilidade de receber um prémio que [o Presidente israelita] Shimon Peres recebeu, uma vez que considera Peres o pai da bomba atómica israelita". Israel nunca reconheceu a existência de um arsenal nuclear. http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1503711&seccao=M%E9dio Oriente

A tecnologia inicial das armas nucleares sionistas foi fornecida por França depois de negociações secretas com Peres.

Vanunu, ao rejeitar um traço comum com um Nobel da Paz com as mãos sujas de  bombas nucleares, é certamente uma pessoa respeitável.

+++++

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Virgindade jornalística

O socialista Arons de Carvalho acusou Mário Crespo de ter tentado que ele, então secretário de Estado da Comunicação Social, “interferisse na RTP, junto da administração”, para que o jornalista voltasse a ser correspondente em Washington e retirasse o processo disciplinar que lhe movera. http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1498058

Crespo terá muita razão, mas não é de uma pureza extra-virgem.

O jornalista agora ouvido na Assembleia da República tem pecadilhos no seu próprio folhetim. Na sua crónica censurada no JN fez uma omissão que explica muita coisa. Ao descrever os recados de Sócrates para o "executivo" de um canal de televisão omitiu o nome deste. Que certamente sabia.

Porquê? Porque esse "executivo" é seu colega na SIC do Balsemão que lhe deu emprego num momento de aperto e ao qual está muito grato, como disse numa entrevista.

A credibilidade de Mário Crespo foi beliscada ao omitir o nome do colega, Nuno Santos, como se soube depois.

--

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

SEF rega reunião com tinto farto


Dois lombinhos de tamboril, dois peixes-galo fritos com açorda, um bife à portuguesa, dois queijos de Estremoz, fruta, água e três garrafas de vinho. Conta: 116 euros. "É para assinar", disse um dos cinco clientes, identificando-se como quadro do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, para espanto do gerente de um conhecido restaurante em Paço de Arcos. E saíram, assim, sem mais nem menos. Depois do pedido de explicações do "i", o SEF apressou-se a pagar a conta.

A direcção do SEF confirma o almoço, referindo que ocorreu "no âmbito de uma reunião de trabalho". http://www.ionline.pt/conteudo/43885-tamboril-peixe-galo-e-bife-conta-dos-estrangeiros-e-fronteiras

Grande reunião de trabalho, regada com três garrafas de vinho para cinco profissionalllõõõõeeesss. Glu glu...

Só quando a coisa estalou na praça pública o SEF meteu o rabinho entre as pernas e pagou, para secar a fonte.

Nada digno de um organismo policial que tem deveres éticos, muito para lá das normas do fundo de maneio...

---

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ética verus "jeitinho"

O comissário e os quatro agentes da PSP de Chaves condenados por terem favorecido um ex-agente da Polícia Judiciária que conduzia alcoolizado podem ser demitidos. A proposta consta do relatório final do processo disciplinar. Os visados recorreram. http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Policia/Interior.aspx?content_id=1478645

Espero que sejam afastados da polícia, embora receie que não.

Suspeito que alguém lhes fará o que eles fizeram ao PJ: um "jeitinho" num Portugal de "jeitosos".

Infelizmente, a muitos níveis.

???