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terça-feira, 5 de julho de 2011

Aldrabão reconfirmado



Ao ler Sucessor de Sócrates tão aldrabão como Sócrates aqui publicado a 1 de Julho, o meu amigo João disse que eu exagerara. Palpita-me que És tão radical! lhe ficou debaixo da língua, a queimá-la com o esforço da contenção.
Fiquei a pensar e fui reler a prosa e consultar duas fontes geralmente bem informadas.
O Sol do mesmo dia titula Passos e Catroga já tinham previsto corte no subsídio http://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=23073

Ora o arranjo Coelho - Catroga precedeu as eleições, pelo que o agora PM sabia muito bem que corte faria se chegasse ao governo, apesar de ter calado a sua dimensão na campanha eleitoral!

E a justificação do imposto de 50% do subsídio de Natal, há dias, com estatísticas recentes do INE, não passa de oportunista poeira para os olhos com que enganou os Cidadãos. Enganou, João!

Para que o meu bom amigo, avesso a afirmações contundentes, não fique com amargos de boca, fui ainda a outro tira-teimas.
Aldrabão, segundo o http://www.priberam.pt/, é, sem tirar nem pôr, mentiroso, trapaceiro.
E se Passos Coelho não mentiu, omitiu, ludibriando os seus concidadãos, ou seja, aldrabou-os.


Oh João, se eu amaciasse isto estava também a aldrabar-te!
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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Formigarras também aconselha Passos

António Capucho aconselha Passos Coelho a desistir de Nobre http://www.publico.pt/Política/antonio-capucho-aconselha-passos-coelho-a-desistir-de-nobre_1499089

Eu também. E por razões humanitárias.

Seria injusto, quiçá patológico, afastar o médico do humanitarismo de que ele tanto se gaba.

Entre idas e vindas a meio mundo carenciado, reuniões com os seus familiares instalados na AMI e recolhas de fundos, o homem não pára.

Pará-lo agora frente a 229 deputados seria uma drástica redução de atividade. E sabemos bem no que dão as paragens bruscas. Até lhe podia dar uma coisinha, tanto mais que o seu curativo bisturi ali só iria lancetar as verbas que a tróica mandou remover cirurgicamente.

Liberte-o, pois, PPC da alta peanha de S. Bento e talvez Nobre nos liberte da sua lengalenga autopromocional.

!!!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Os sacrifícios que Cavaco não partilha

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Cavaco Silva quer "justiça na distribuição dos sacrifícios" http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1847449

Ótimo, pois que dê o exemplo, para não soar a falso. Diga aos concidadãos do que prescinde.

Enquanto esperamos, imagino o seu sacrificado discurso com as recomendações do consultor de imagem em parentisis reto.


Portugueses [pausa breve]

Neste momento difícil para Portugal [arraia miúda], quero partilhar com todos [enfatizar todos] os meus sacrifícios de estadista solidário.

Sabeis bem [esta fórmula cai que nem ginjas a Norte do Mondego] que tudo farei para que tenhamos uma verdadeira partilha de sacrifícios, incluído o supremo magistrado da Nação. [careta "financeira"]

Tanto quanto possível, já se vê [careta "patriótica"], pois sou uma figura de Estado e o Estado tem de ser digno, mais digno que os seus pobres Cidadãos [cara de pau].

A primeira grande medida de poupança presidencial foi a de eu próprio ter prescindido do ordenado de PR. Muito antes [esgar de Estado] da chegada da troica, o que mostra bem o meu amor à pátria. Não me queixo; ainda tenho umas reformas dos poucos anos em que trabalhei.

Também passarei a receber os embaixadores num fato normal [cerrar sobrolho], sem aba de grilo nem risquinhas de novo rico.

E irei almoçar em casa, a da rua do Possolo, que fica mais à mão, pagando do nosso bolso o que comemos e bebemos. Eu e a minha mulher [olhar enlevado], claro, sempre são duas pessoas a menos a pesar no Orçamento de Estado.

E nos jantares oficiais no Palácio da Ajuda, já dei ordens rigorosas para serem servidas feijoada "light" e mão de vaca confitada.

[Pausa longa]

Ciente da imperiosa necessidade de cortar na despesa corrente primária, reduzirei o número de fiéis do PSD ainda aboletados na presidência [ler depressa].

Como medida adicional, farei aos assessores e tradutores, aos peritos e conselheiros e aos consultores mais dótores o que fiz ao Lima: despeço-os por uma porta e voltam logo pela outra. [cara de pau +]

Ponderei igualmente os ganhos económicos que as minhas deslocações ao estrangeiro têm para o nosso país. Tomei, por isso, uma decisão de grande impacto.

Portugueses [bebericar para evitar pigarreio ruidoso]

Os encargos dessas viagens serão, doravante [uma palavra à Camões magnetiza], transferidos para o orçamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Assim mandam as regras de transparência dos países que, com estóica determinação, enfrentam a troica.

Finalmente [breve pausa e queixo erguido] quero dizer aos portugueses, olhos nos olhos, algo de que muito me orgulho, a suprema prova do meu desinteressado serviço público, do meu total desapego pelos cargos e dinheiros públicos.

Portugueses
[inspiração profunda]

Comunico-vos, com profundo sentido de Estado e sentido patriotismo, que desisto, por ora, da minha exigência de aviões novos para me transportar.

A Força Aérea garantiu-me que os Falcon só por azar aterram de emergência em Itália e que o céu me há-de proteger quando nele viajar. [pôr ar místico]

Tenho dito. [sair de cena em passo lento, entregando displicentemente a A4 ao oficial às ordens]


O refrão os portugueses conhecem-me, intercalado amiúde, aumenta, ainda mais, o efeito encantatório da retórica oca.

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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Cidadãos e políticos

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Um dia, um florista foi cortar o cabelo. Depois do corte, perguntou quanto devia. O barbeiro respondeu:

– Não é nada; esta semana faço voluntariado.

O florista saiu todo contente. No dia seguinte, ao abrir o estabelecimento, o barbeiro encontrou uma dúzia de rosas com um cartão de agradecimento.

Mais tarde, chegou o padeiro para cortar o cabelo. Quando quis pagar, o barbeiro disse:

– Não posso aceitar dinheiro esta semana, pois faço voluntariado.

Feliz, o padeiro sai todo contente e, no dia seguinte, deixa à porta do barbeiro uma dúzia de biscoitos, com uma palavra de agradecimento.

Depois, também veio um autarca e quando pretende pagar, o barbeiro responde:

– Não, esta semana é grátis. Faço voluntariado!

O autarca sai da barbearia encantado com a surpresa. No dia seguinte, quando o barbeiro chega, uma dúzia de autarcas estão à espera, fazendo bicha para cortar o cabelo gratuitamente.

Eis, meus amigos, a grande diferença entre os cidadãos comuns e os políticos que nos governam!!!


Nota da Redação
Chegou em francês e o departamento multilingue do Formigarras só traduziu. E ficou autarca por ser o mais próximo do original, embora simbolize muitos políticos da nossa praça.

Não se sabendo quem é o autor, mantém-se, contudo, a chapelada ao criativo, qual soldado  desconhecido da batalha pela ética política.

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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Os angolanos estão vivos, bem vivos

Os angolanos não foram anestesiados, apesar do esforço continuado dos meios de comunicação ao serviço da cleptocracia instalada. 

E não foram dominados pelos aparelhos ideológicos de que os cleptocratas mexem os cordelinhos.

Nem sequer foram hipnotizados com a longa campanha da reconstrução de infra-estruturas e o crescimento de dois dígitos. É verdade que todos os dias a TPA apresenta obras novas. E é igualmente verdadeiro que as imagens são sempre enquadradas por rasgados elogios das pessoas entrevistadas, em tom laudatório do regime e do “deus” Santos.

Os angolanos, a maioria, não a clique dominante, seus serviçais e beneficiários, sabem bem a enorme podridão em que o país está enterrado. E não a querem.

Ainda ontem aquela televisão nos mostrou dois episódios expressivos da malha da traficâncias vigente.

No primeiro, foi noticiado que fiscais autorizavam a construção de habitações num regime de 1 para 1: uma casa para si próprios e outra para o Cidadão construtor. Apareceu alguém a anunciar sanções aos delinquentes, mas estes são arraia-miúda.

Mais tarde, num programa sobre a seleção angolana de futebol, os comentadores, sem se alargarem nem porem nomes na ponta dos dedos, apontavam a ausência de ética para a desorganização da respectiva federação. As contas do Campeonato Africano das Nações estavam atrasadas porque havia dinheiros voláteis…

Apesar destas tropelias, já para não falar na filha Santos que movimenta milhões que brotam de batuta milagrosa, chegou-me de fora um sólido sinal de vitalidade angolana.

Veio de Moçambique. Sim, daí. Entrevistado pela Pública, a propósito da situação neste país, o cantor moçambicano Azagaia contou que num seu espectáculo em Angola, em Dezembro, o “presidente” foi vaiado por 6.000 angolanos. Ao vivo, ao perguntar “Quem vendeu a minha pátria?” milhares de vozes responderam: “Zedu, Zedu” (assim é conhecido Eduardo dos Santos).

E ao cantar “Ladrões fora, corruptos fora, assassinos fora” os assistentes disseram: “Zedu fora, Zedu fora”

Esta consciência cidadã dá esperança, a esperança de algum dia haver quem combata a corrupção em Angola. Melhor ainda seria a neutralização da teia de peculato... A começar por cima.

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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Passos Coelho fala-barato

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Passos Coelho: um dia não haverá dinheiro para pagar aos funcionários públicos http://www.publico.pt/Política/passos-coelho-um-dia-nao-havera-dinheiro-para-pagar-aos-funcionarios-publicos_1438142

PPC fez, com esta afirmação, o primeiro grande rombo na sua estratégia de se mostrar aos eleitores como promissor estadista.

Enquanto alertar é legítimo e dá votos, criar alarme é irresponsável e faz mossa na própria carapaça. Este alarido pode sair-lhe pela culatra, até mesmo cortar-lhe as asas, pois lembra a suspensão da democracia por seis meses, da sua antecessora.

A seguir este caminho entra no plano inclinado, na direcção da porta pequena de saída, pois o PSD tem sempre batalhões de reservistas à coca de deslizes, convertendo correligionários em massa picada... social-democrata.

Pedir desculpa não o desculpa... da trapalhada.

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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Auto-de-fé socrático

As gravações das escutas telefónicas a Sócrates vão ser queimadas. Como os autos-de-fé da inquisição católica, que os proclamava purificadores.

Se um qualquer pirata informático sacou uma cópia, lá se vai o efeito purificador, esturricando a calmante queima.

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sábado, 3 de abril de 2010

Falências do BPP e de Constâncio

O Banco Privado Português vai ser declarado falido.

O político agora retirado da cena política portuguesa e injectado politicamente no Banco Central Europeu fez uma gestão política dos dados do BPP que teve em mãos.

Se tivesse agido com rigor de supervisor, como era sua missão e para o que era muito bem pago, outro poderia ter sido o desenlace do BPP.

Não agindo consequentemente o seu nome ficará associado à falência daquele banco.

Faliu como governador do Banco de Portugal. E o PS de Sócrates premiou-o por isso.

Que estranho Portugal.

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quarta-feira, 31 de março de 2010

A manha de Inês Medeiros

O presidente da Assembleia da República garante que será tornada pública a decisão sobre o pagamento de ajudas de custo das viagens da deputada socialista Inês de Medeiros a Paris. Gama disse ainda ter conhecido a carta da deputada pela imprensa. «Li primeiro na imprensa, depois recebi-a», afirmou.
Na carta, Inês Medeiros salienta que «há muito tempo» que espera «pacientemente pela resolução desta muito desagradável situação». Não posso transigir com mais esta demora. Sinto-me obrigada a reagir», justificou a vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS. http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=167774

Chegou ao parlamento há dois dias e já tem a manha toda.

Dirige uma carta ao Presidente da AR tendo, porém, a deselegância de a mandar para a praça pública. O que mostra o que é a D. Inês.
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Ainda por cima ameaça: não pode transigir! Pois não transija, que eu também não. Não transijo em considerar esta trapalhada nada própria de um partido dito socialista. Tenho vergonha desta deputada-viajante!!!

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José Sócrates, le Portugais ensablé

Transcrição integral

Para os não leitores de francês sugiro que cliquem em http://www.liberation.fr/monde/0101625174-jose-s-crates-le-portugais-ensable e usem a tradução Google.



18/03/2010 à 00h00



José Sócrates, le Portugais ensablé

Rien ne va plus pour le Premier ministre socialiste, dont le nom est associé à des affaires de corruption sur fond de crise économique majeure.

Par FRANÇOIS MUSSEAU envoyé spécial à Lisbonne

L’inimitié d’une bonne partie des médias, une crise politique qui tourne au blocage institutionnel, une situation sociale explosive, un fiasco économique obligeant à des mesures drastiques à court terme… Comme si cela n’était pas suffisant, le bouillant José Sócrates (mollement réélu aux législatives de septembre 2009) doit désormais affronter une fronde du Parlement qui pourrait le forcer à la démission ou amener sa famille socialiste à lui trouver un successeur à la tête du gouvernement. Aujourd’hui commencent à Lisbonne les travaux d’une commission d’enquête parlementaire qui, pour la première fois depuis la fin de la dictature de Salazar, implique directement un Premier ministre. Et va le contraindre à comparaître physiquement, au mieux par écrit. «Le Portugal est un bateau ivre dans lequel le capitaine est le plus suspect de tout l’équipage», a asséné un chroniqueur de la chaîne privée SIC.

D’après les économistes, de tous les pays européens au bord du «décrochage», le Portugal est certainement le maillon le plus faible. Plus encore que la Grèce, le petit pays ibérique souffre de maux structurels, d’exportations en berne, d’une dette extérieure record et d’un déficit public de 9,3%. Bruxelles attend de Lisbonne des mesures concrètes pour respecter le «plan d’austérité» auquel José Sócrates s’est engagé. Mais ces mesures, qui promettent d’être draconiennes, se font attendre… D’autant que José Sócrates est encore affaibli par ses problèmes politico-judiciaires.

«réformateur». Ce qui ressemble fort à un procès politique est lié à un supposé cas d’interventionnisme. Pendant deux mois, un groupe de députés tentera de faire la lumière sur le rôle qu’a joué José Sócrates dans la tentative du géant Portugal Telecom (PT, contrôlé par le gouvernement socialiste) de racheter la télévision TVI, hostile au pouvoir. Il s’agit en somme de savoir si le leader socialiste a manœuvré pour placer la chaîne sous son joug. En juin 2009, devant le Parlement, Sócrates avait solennellement assuré ne rien savoir de telles tractations. Si cette commission d’enquête, qui va auditionner des dizaines de témoins, fait la preuve que le Premier ministre a menti, les jours de celui qui promettait de «transformer le Portugal en profondeur» seront comptés.

«Alors qu’il a pu être une partie de la solution pour le pays, Sócrates est aujourd’hui une partie du problème», résume José Manuel Fernandes, ancien directeur du quotidien de référence Público, dont le départ tient à ses relations tendues avec le leader socialiste. Comme d’autres nombreux détracteurs, Fernandes reconnaît que le tonitruant Sócrates a été, au début de son premier mandat - de 2005 à 2007 -, un chef de gouvernement courageux, qui a ramené un gros déficit à 3% (aujourd’hui de nouveau autour de 10%), réformé le système des retraites (âge légal et temps de cotisation augmentés), accru les recettes fiscales, créé 150 000 emplois, fait le ménage au sein de la haute administration… «Un bon bilan de réformateur volontariste, qui a su contenir à sa gauche et rassurer à sa droite, dit le politologue Manuel Villaverde Cabral. Il a mis à la porte pas mal de gens dans les hautes sphères, qui sont aujourd’hui autant d’ennemis.» Mais, si José Sócrates est autant ébranlé, c’est aussi parce que son parcours est jalonné de zones d’ombres et d’agissements suspects.

Depuis ses premiers pas municipaux dans la région de Beira Baixa, à l’est du pays, il a été mêlé à une dizaine de scandales. Un diplôme d’ingénieur obtenu dans des conditions suspectes, des permis de construire douteux accordés au sein de la municipalité de Castelo Branco, l’affaire «Face occulte» (des écoutes téléphoniques le lient avec un homme d’affaire véreux ayant un quasi-monopole sur les friches industrielles)… Ou encore l’affaire «Freeport», une société britannique ayant installé un centre commercial à Alcochete, en banlieue de Lisbonne, sur un terrain protégé… grâce au feu vert de Sócrates, alors ministre de l’Environnement ! «En réalité, à chaque fois, il n’y a aucune preuve formelle, dit José Manuel Fernandes. Mais rien n’est vraiment clair avec lui.»
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jeune loup. Energique et charismatique, doté d’une audace qui a électrisé une vie politique ankylosée, José Sócrates apparaît aussi comme un leader intransigeant, autoritaire et irascible, dont l’ambition dévorante en irrite plus d’un. «Son parcours, c’est celui d’un jeune loup sans idéologie, opportuniste, un pur produit d’appareil qui a escaladé les échelons la tête froide, le décrit Fernando Rosas, historien et député du Bloc de gauche. Il a toujours eu un côté borderline. Et puis ses accès d’autoritarisme lui valent une piteuse image dans des médias qui ne sont pas tendres avec lui.» Sócrates le leur rend bien : plusieurs journalistes de télé vedettes (Mário Crespo, Manuela Guedes…) ont dénoncé «la censure» exercée sur eux par le Premier ministre. Une commission d’éthique s’est mise en place en janvier pour éclaircir la question. «L’un des grands problèmes de Sócrates, c’est qu’il a perdu le soutien des élites, analyse José Manuel Fernandes, l’ancien patron de Público. On ne lui fait plus confiance, tout le monde a peur d’être trompé par ce personnage trouble et ambigu.»

Dans un sérail politique dominé par des doctores, ce socialiste sans titre prestigieux agace et rompt avec le statu quo. A la manière d’un Sarkozy portugais, Sócrates est un fonceur, un communicateur zélé qui a phagocyté son parti et personnalisé à l’extrême l’exercice du pouvoir. Autres similitudes : il ne craint pas de tailler dans le vif, supporte mal les critiques, perd facilement ses nerfs et cultive la perméabilité entre la sphère politique et celle des affaires - à l’instar de Jorge Coelho, un de ses proches, ancien ministre socialiste entré avec sa bénédiction dans le conseil d’administration du géant du BTP Mota-Engil.

A force de jouer avec le feu, José Sócrates se retrouve-t-il sur un siège éjectable, six mois seulement après sa difficile réélection (une courte majorité au Parlement) et alors que sa cote de popularité chute allègrement ? «A priori, tous les éléments l’accablent, explique Ricardo Costa, directeur adjoint de l’hebdo Expresso.Heureusement pour lui, les circonstances le protègent.» De l’avis général, le président de la République, Cavaco Silva, mentor du grand parti de la droite (PSD), n’a pas intérêt à convoquer des élections anticipées. Par souci de stabilité institutionnelle, et aussi parce qu’un scrutin aujourd’hui ne changerait sûrement pas beaucoup la donne. Jusqu’à janvier 2011, date de la présidentielle, Sócrates ne risque donc pas sa peau. Sauf si, bien sûr, la commission d’enquête parlementaire qui s’ouvre aujourd’hui exige sa démission.
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sacrifices. Même s’il reste en place, tous lui pronostiquent toutefois un chemin de croix jusqu’à la fin 2010. Après avoir concédé des largesses sociales, Sócrates va devoir appliquer d’ici peu le plan d’austérité dicté par Bruxelles via des coupes claires dans les dépenses sociales (santé, indemnités chômage, subventions, accès au RMI…). «Depuis dix ans, le pouvoir exige que les Portugais fassent des sacrifices, explique Manuel Villaverde Cabral, le politologue. Je ne crois pas qu’ils supporteront plus longtemps.»

José Sócrates, pris entre l’enclume sociale et le marteau financier ? «Il est pieds et poings liés, renchérit José Manuel Fernandes. Le modèle industriel portugais, vieux de cinquante ans, est moribond, et rien ne le remplace. Le pays ne produit qu’entre 30 et 40% de ce qu’il consomme. La marge de manœuvre de Sócrates est très faible.»

Pourra-t-il rebondir ? Ricardo Costa, de l’Expresso, et d’autres observateurs en sont convaincus : «Ce type a plus de vies qu’un chat. Il est très dur, très résistant, il sait encaisser les coups. Une vraie bête politique qui sait sortir ses griffes lorsqu’il est le plus affaibli.»

sexta-feira, 19 de março de 2010

Dois juizes terroristas


Acabo de ouvir dois juízes, ambos a dizer que os juízes podem fazer greve. Com paninhos mais ou menos frouxos, ambos os candidatos a vice-presidente do Conselho Superior de Magistratura estão em sintonia nesta matéria.

Juristas supõe-se que saibam alguma coisa de leis, de ética, de responsabilidade social, de dignidade das instituições. E a Lei principal de Portugal é a Constituição da República, que atribui aos tribunais o carácter de órgãos de soberania. Se os seus titulares, os juízes, fazem greve agridem violentamente o funcionamento esses mesmos órgãos de soberania, o que é terrorismo e não pode ser tolerado.

O PR tem o dever de promover a sua destituição imediata por ofensa grave ao Estado de Direito. Cavaco Silva é o responsável máximo pelo normal funcionamento das instituições, diz a nossa Constituição.

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Limpeza de Portugal


Entre os cerca de 100 mil voluntários que sábado vão ‘Limpar Portugal’ em mais de 10 mil pontos em todo o país, encontrar-se-á o próprio Presidente da República. Cavaco Silva vai integrar a acção em Sintra, contribuindo assim para a remoção de 70 mil toneladas de lixo espalhado em espaços verdes. http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=166258

É útil este exemplo, pois o Estado de Portugal precisa de profunda limpeza.

Porém, Cavaco Silva teria de ser destemido para dar uma grande vassourada e não se ficar pela recolha de um lixito sob os holofotes televisivos.

Sonho com vassouras, vasculhos e piassabas, esfregonas, sabonária, desengordurantes e coragem a rodos. E no sonho vejo muito lixo a esconder-se debaixo das carpetes de palácios e palacetes, sacudindo para longe olhares não comprometidos e jornais de investigação.

E ainda sonho que acordo a festejar a limpeza de Portugal, um país limpo, em que todos acreditam nos políticos, especialmente nos que mandam mais, um povo agradecido ao Presidente da República.

Pena ser um sonho. Um sonho de esperança, uma ambição de que não abdico: ter orgulho nas palavras e nas obras de quem foi eleito para nos ajudar a ser mais felizes.

?????

quarta-feira, 10 de março de 2010

Pimenta preventiva

Uma mulher do bairro de Raval dá uma bofetada no presidente da Câmara de Barcelona. Queixa-se da insegurança das ruas. http://www.publico.es/espana/300819/vecina/pega/bofeton/alcalde/barcelona

Dar estaladas, atirar tomates e ovos podres e até o arremesso de sapatos, agora na moda, são exemplos da pequena violência usada para repreender ou sancionar políticos.

São costumes de países civilizados onde não se prendem políticos irresponsáveis. Constituem mecanismos de controlo social de quem não cumpre os seus deveres, manipula os eleitores ou mente ao povo.

Um pouco de pimenta na língua dos meninos malcriados, no momemto certo, evitaria que dessem em políticos desonestos, mentirosos e "habilidosos". Poupá-los-ia a enxovalhos como o daquele autarca espanhol e os Cidadãos teriam orgulho nos seus representantes.

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quinta-feira, 4 de março de 2010

Uma "gaja" decente


Esta é a capa do SOL e a "gaja" é Ana Paula Vitorino, anterior Secretária de Estado dos Transportes.

Aí se lê que se opunha a negócios na REFER. Face ao historial de robalos, é uma mulher honesta.

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quarta-feira, 3 de março de 2010

Tudo falso

Há dias, o eterno presidente de Angola fez um discurso solene em que defendeu a probidade administrativa, anunciando medidas para moralizar a vida pública.


Entretanto, "O País" de Luanda, diz que Tudo se falsifica e publica uma reportagem demonstrativa:
Limites? Praticamente nenhuns. Quem quiser transformar-se da noite para o dia em licenciado, precisar de apagar todo o cadastro de crimes ou passar por um cidadão com os seus compromissos militares resolvidos, tem uma mão cheia de soluções. Só tem que dispor de dinheiro e descaramento quanto baste. Uma verdadeira indústria de falsificação funciona a todo o gás em Luanda.

Bilhetes de Identidade, cartas de condução, cédulas de nascimento, registos criminais e atestados médicos e de residência, estão entre os documentos mais solicitados. http://www.opais.co.ao/pt/opais/?id=1&det=10296&mid

O jornal também indica preços e condições para se conseguirem descontos.

A fazer fé na qualidade das falsificações relatadas, é provável que as tais medidas de moralização, dada a origem, sejam garantidas por um vistoso selo de contrafacção!

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Um judeu de princípios


Mordechai Vanunu passou 18 anos nas prisões israelitas por ter divulgado a existência do programa nuclear deste país. O antigo técnico nuclear Mordechai Vanunu responsável pela divulgação do programa militar nuclear de Israel, recusou novamente figurar entre os candidatos ao prémio Nobel da Paz. A razão apresentada por Vanunu é "não estar interessado na possibilidade de receber um prémio que [o Presidente israelita] Shimon Peres recebeu, uma vez que considera Peres o pai da bomba atómica israelita". Israel nunca reconheceu a existência de um arsenal nuclear. http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1503711&seccao=M%E9dio Oriente

A tecnologia inicial das armas nucleares sionistas foi fornecida por França depois de negociações secretas com Peres.

Vanunu, ao rejeitar um traço comum com um Nobel da Paz com as mãos sujas de  bombas nucleares, é certamente uma pessoa respeitável.

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Rapina eternizada

A nova Constituição de Angola, aprovada pela Assembleia Nacional no passado dia 21, teve 186 votos a favor, 2 abstenções e nenhum contra.

Um verdadeiro consenso, o que seria louvável não fossem as cláusulas que permitem a eternização de Eduardo dos Santos na presidência. Permite mais dois mandatos a quem já está há décadas...

[Artigo 109.º (Eleição) da Constituição aprovada]

1. É eleito Presidente da República e Chefe do Executivo, o cabeça de lista, pelo círculo nacional, do partido político ou coligação de partidos políticos mais votado no quadro das eleições gerais, realizadas ao abrigo do artigo 142.º e seguintes da presente Constituição.]

A corrupção tem, assim, continuidade assegurada.

Pobre Angola!

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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Que inveja da "Face Visível" alemã


O chefe de estado-maior da Alemanha, Wolfgang Schneiderhan, e um dos secretários de Estado da Defesa no país foram afastados de funções sob suspeita de terem dissimulado informações e provas num inquérito sobre um polémico raide mortal no Afeganistão em Setembro. http://www.publico.pt/Mundo/alemanha-chefe-de-estadomaior-demitido-por-causa-de-raide-no-afeganistao_1411487

Por outras palavras, o encobrimento, mesmo sem intervenção judicial, teve consequências.

O Governo podia ter ignorado o caso, podia ter mandado recado aos jornais para o abafarem e também o podia ter desmentido. Mas não, pôs o dedo na ferida.

Ética, meus senhores! Ética, foi o que o Governo de Alemanha demonstrou ter.

Urgente
Importar ética alemã em grande quantidade!

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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Aviso do Brasil

Chegou-me à mão este sintoma do desconforto brasileiro que, por cá, faz sentido com alguns dos nossos "representantes".



A devida vénia ao autor desconhecido.
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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Esfaimados pela regionalização

Mesquita Machado: Vejo com preocupação que não haja regionalização. É um imperativo para o salutar desenvolvimento de todas as zonas do país, sem excepção. Importa é que se faça. http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1417712

O que me procupa é que Portugal seja esfrangalhado com a regionalização.

Que se regionalizem países de grande dimensão, faz sentido. A Alemanha tem vários estados federados, mas tem 357.021 km². O o panorâma é o mesmo em Espanha com 504.030 km². Mas nós temos 92.152 km², boas comunicações, viárias e electrónicas! E os concelhos têm-se desenvolvido, pouco, mas têm melhorado, apesar de alguns municípios terem eleitos pouco fiáveis. E são poucos.

Regionalização para quê? Faz-me lembrar a regionalização da ilha do Príncipe, em São Tomé e Príncipe: um desperdício de recursos.

O que se vê é a gula de muitos por um bom naco de Portugal, que, espero, nunca seja fatiado a gosto de interesses ocultos.

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