terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Primeira vez


Pela primeira vez na vida recebi votos de Boas Festas com IBAN*.
Não, nada devo ao interlocutor, nem nunca devi, tudo na hora foi pago, não é lembrete subtil.
O que não garanto é que não seja peçonha a que certas pessoas são mais atreitas, os subliminares emolumentos da profissão mais luzidios do que o natal cristão...
Lá que venha o endereço, o telefone dá sempre jeito, mas o IBAN!?
Pronto, nada de dramas, foi um gesto simpático, a fidelização de plantão, também não há rosas sem espinhos...
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* IBAN, para os menos rodados com operações bancárias, é a sigla de International Bank Account Number (Número Internacional de Conta Bancária).

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Zimbábue – Um golpe militar bom?



Há meses, numa sessão em Oeiras, o ativista pela liberdade em Angola Luati Beirão manifestou grandes reservas a um "25 de Abril" angolano.

Preferia, declarou, que o regime ditatorial de Eduardo dos Santos tivesse uma transição civil para um governo democrático.

E esta é, em geral, a posição dos cidadãos dos países reféns de ditadores. Quando os militares saem dos quartéis nunca se sabe ao que vão. E África conhece bem o historial de ditadores apeados por golpes de Estado militares rapidamente substituídos ditadores militares.

E entre ditador e ditador militar nem o diabo tem escolha...

Ora os militares zimbabueanos fizeram um golpe de Estado a que chamaram não golpe. Os tanques vieram para a rua e o mesmo aconteceu ao velho ditador Mugabe que matou milhares e esfomeou milhões.

Ninguém morreu e depois de algumas hesitações o cruel ditador despediu-se com uma carta. O zimbabueano comum pode chamar-lhe carta de alforria!

E se nenhum militar ocupar a cadeira presidencial também pode proclamar aos quatro ventos que o golpe não golpe foi um bom golpe!

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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Marcelo abençoa mitologia contracivilizacional


Antes de ler o comentário Formigarras vale a pena ler o miolo da notícia.



Elogios à parte e apartando a enorme lista de amigos do Marcelo, o sumo do artigo é o reacionarismo desta fação católica, que criou colégio para rapazes e colégio para raparigas!!!

Como se a vida não fosse partilhada entre uns e outros, como se vivêssemos no tempo da parelha ideológica Salazar-Cerejeira. Como que a querer ignorar as hormonas...

E o Estado, todos nós, lá vamos subsidiar esta anacrónica forma de deseducar, que esta gente muito se pendura no Orçamento de Estado.

Em 2017, o PR de um Estado laico abençoa a atitude contracivilizacional de um aparelho mitológico. Ai se houvesse deus...

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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Forum TSF alimenta subserviência nacional



Manuel Acácio, animador do Forum TSF, em edição recente, em diálogo com outra juíza, fez referência ao contracivilizacional da Relação do Porto como
sotôr juiz

Como se propaga a hipócrita subserviência nacional…

Em conversas amenas do dia-a-dia, estes magistrados são referidos por juízes, simplesmente juiz se for o caso. Não há português que não o faça. Normal.

Mas se a discussão aquece, muda o tom, chovem impropérios e todos os juízes de Portugal ficam de orelhas em brasa.
Poucos portugueses têm uma imagem positiva da justiça, poucos, pouquíssimos. E por isso são zurzidos nas mesas de café. E os visados sabem disso.

Em contrapeso e com intenção nada ingénua, muita gente que se vê nas malhas judiciais usa aquela forma para bajular ou simplesmente para não criar arestas. Contudo, é uma expressão indigna de um povo que tem um Estado de Direito. E é este Direito que faz dos portugueses Cidadãos, não coitadinhos.

E Cidadãos dirigem-se com dignidade a quaisquer interlocutores. Sem mesuras nem adulação oral ou escrita.

Ora, um programa que acalenta a desmontagem de “verdades feitas” propaga esta anacrónica “doturice” nacional: sotôr juiz”.

Pouco serão doutores de doutoramento, mas todos são senhores, a primeira parte da corruptela “sotôr”.

Mas Manuel Acácio, que faz programas equilibrados, que tira o gás aos intervenientes verborreicos e trava agressões orais a figuras em discussão, deu corda a uma das piores pechas nacionais,

Manuel Acácio é melhor do que esta sombra. Muito melhor.

Por isso, siga a banda, levante a cabeça e estude a pauta…

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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Tradutor que não sabe português não traduz, finge!


Comentários para quê!?

Ao menos podia dar uma espreitadela ao Priberam:
https://www.priberam.pt/DLPO/grama





quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Patetice nacional cultiva Estado parolo


Incêndios, incêndios e mais incêndios e quanto mais Portugal arde mais se evidencia a patetice que faz do Estado Português um Estado parolo.

A Fase Charlie foi antecipada, a Fase Charlie não foi prolongada, a Fase Charlie deve corresponder ao período de maior risco incêndios.

Que patetas estão nos mais altos escalões do combate aos incêndios que não encontram palavras portuguesas para definir períodos de perigosidade!?

Saberão estas pardas eminências que em Portugal se fala e escreve português?

Patetas em bicos de pés, patetas que se julgam sábios por usar a designação inglesa de uma letra, que a dizem como se estivessem a debitar a douta fórmula da pólvora seca.

Patetas que a escrevem em leis, patetas que a vertem em manuais, patetas que a lavram em ordens de serviço e os super patetas que a aprovaram.

Além dos híper patetas que, nos ministérios, abençoaram este ataque terrorista à língua do povo que lhes paga o pão que levam à boca! Funcionários cegos pelo deslumbramento com a ilusória imagem do inglês e abúlicos políticos pimpões traem a língua portuguesa.

Que grotesca gente, que por pobreza de espírito, por acéfalo mimetismo pateta, incapazes de usar os miolos e valorizar a nossa língua, a espezinham. Tristes patetas!!!

Ao que chegámos, patetas e mais patetas edificam Estado parolo…

Senhor Bombeiro, Senhora Socorrista, isto não é consigo, não se belisca, nem um pouco, quem sua e sofre no combate aos terríveis incêndios que destroem Portugal.

O carapuço é para aqueles pobres diabos que amesquinham a nossa língua.


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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Fora de jogo gramatical





Tive um professor de português que censurava assim os nossos erros gramaticais:
– Duas palavras, três asneiras!

Pois anteontem, aí pelas 20H00, num relato de futebol, a ironia do Dr. Mira foi virada do avesso. Três palavras, um erro apenas.

Num brado radiofónico, o repórter lamentava:
– Meteu para fora [da grande área]

Meter, só para dentro!!!


Entre o fora de jogo e o frango gramatical!

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Escuta, animal!

Autor desconhecido, 
embora a nota final deixe a dúvida

A foto veio abusivamente daqui: 

Escuta, companheiro de quatro patas
Meu gato, minha porca, meu furão:
sacudi o teu pelo com competência
vou por-te trela de cetim e alpergatas
que hoje é dia de alinharmos na tendência
- ir jantar fora e fazer um figurão!...


Com a norma obrigatória de entrar cão
há q tomar decerto, precaução
e eu peço perdão, mas assim penso:
Algumas "prendas" intestinas surgirão
graciosas, imprevistas, pelo chão
e a cada sacudidela, não faz mal,
eu como um pitéu q gosto imenso:
- esparregado, com pêlos de animal…


Aliás, nesta lei tão modernista
uma breve rosnadela é inocente
se o miúdo se assustar, é porque é parvo
o animal está cheiinho de razão
alguém q ralhe com o puto, para ser gente


E se uma bufa, repentina e imprevista
circular, perfumando a costeleta
nada é que a pessoa não resista,
perdoando alguma falta de etiqueta
São bichos... Há que ser animalista
P’ra ninguém nos chamar …bicho careta


os meus, felizmente, estão treinados.
Nove gatos, três cães, uma cadela
todos limpos, vacinados, educados
falam línguas, têm modos esmerados
treino intenso, até dotes musicais;
se acaso morderem uma canela
a culpa é desses figurões ali sentados
a arrastarem as cadeiras nos sobrados
e a assustarem os pobres animais!


Sou tão sensível e cuidadoso com os outros
que, para a próxima vez que eu sair
para jantar com a minha catatua,
eu prometo vesti-la de brocados
lantejoulas, adornos variados
pr’os comensais não ficarem chocados
pelo facto escandaloso de andar nua!


A aranha, essa levo-a no bolso
para nem sequer ser vista por ninguém;
vou-lhe dando colherinhas de arroz doce
e à socapa umas tirinhas do acém...


Já a cabra Joana fica à porta;
vai bramar possessa, quer entrar…
Mas essa não tem maneiras a preceito
trepa tudo... nao dava muito jeito
vou ter que dar-lhe aveia para a calar


O rafeiro alentejano é mais difícil
Com aquele tamanhão ficar aconchegado
talvez pedir a esta gente horrorosa
que tenha respeito pelo bicho
e se aperte um pouco mais para o outro lado


Já pensei também ir com o cavalo,
mas a porta mal pensada do Tavares
não permite que ele jante ao meu lado
mesmo com os direitos legislados!
Tem q se acabar com isto em tais lugares!


Vou reclamar até, urgentemente
por verificar que a maior parte destes sítios
não está devidamente apetrechada;
sem whiskas, nem liteiras, nem aveia
nem estrebarias, nem sequer fardos de palha
nem ementas especiais pr’á rapaziada.


Somos mesmo um país muito atrasado
Nestas coisas de sair para jantar.
Eu proponho, por isso, até bem mais:
Eles entram.
Nós esperamos um bocado.
E se, no fim, nos deixarem "eles" entrar,
então entramos nós, mas com cuidado.
E com freio ferrado nos queixais.



O ficheiro é de Deolinda Cruz.
Se for a autora está de parabéns!


No título, o Formigarras também abusou, acrescentou ,animal!


segunda-feira, 16 de outubro de 2017

A mulher invulgar que deu o rosto à República


Texto integral de Katya Delimbeuf


Em 1910, uma jovem de 16 anos serviu de modelo para o Rosto da República ao escultor Simões de Almeida, sempre sob o olhar atento da mãe. Chamava-se Hilda Puga e a sua vida foi plena de aventuras. O Expresso conta-lhe a história de uma mulher invulgar, que sobreviveu a dois cancros, esteve casada dois meses, foi rica mas teve tornar-se costureira para sobreviver e morreu no dia em que celebrou 101 anos.

FOTOS CORTESIA DA FAMÍLIA PUGA

Até 1970, Hilda Puga andava nos bolsos de todos os portugueses. Era dela o rosto das moedas de 5 escudos e de 50 centavos, fruto do serviço patriótico que prestou muitos anos antes, quando a República foi instaurada, em 1910. Ela, que "até era profundamente monárquica, muito católica e reacionária", recorda o neto, Nuno Maia, 50 anos, "aceitou o pedido do escultor Simões de Almeida por amor ao país." Hilda tinha 16 anos, e trabalhava numa camisaria na R. Augusta, na Baixa de Lisboa. Estava a fazer uma entrega quando se cruzou com o escultor, que lhe achou graça e a convidou para ser sua modelo.
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Como Hilda era menor de idade, Simões de Almeida teve de pedir autorização à mãe dela, que lhe impôs duas condições: a primeira, ela própria teria de estar presente nas sessões - que duraram duas horas, durante um mês; e a segunda era que a filha teria de posar vestida. Foi esta, aliás, a razão que levou Hilda Puga a só falar abertamente deste episódio depois dos 90 anos... É que o busto de Simões de Almeida mostra uma mulher de amplo decote, e Hilda jura "que só tinha desabotoado um botão da camisa..."

Este poderia ser um episódio de relevo na vida de muita gente, mas para Hilda foi apenas um numa vida cheia de aventuras e reviravoltas. Nas primeiras está, por exemplo, uma viagem de barco de meses até ao Amazonas. Nas reviravoltas da vida estão a perda do pai e a passagem de menina rica a costureira.

DE LISBOA PARA BELÉM DO PARÁ


O pai de Hilda, Tomás Garcia Puga, era um homem abastado, proprietário da fábrica de tijolos da praça de Touros do Campo Pequeno (Lisboa). Apaixonou-se pela empregada, com quem viveu a vida toda e de quem viria a ter cinco filhos – mas o ato de amor custou-lhe o corte de relações com a família de origem, que nunca aceitou uma união tida como "inferior". Um revés nos negócios obrigou Tomás Puga a vender a fábrica. Atraído pelo Eldorado da borracha no Novo Mundo, em finais do século XIX, ruma a Iquitos, na Amazónia peruana, onde ergue um armazém geral. A vida corre bem, tanto que, passados poucos anos, Tomás chama a família toda. Numa longa viagem de mais de três meses, de "vapor, barco e piroga", Hilda, a mãe e os quatro irmãos rumam de Lisboa até Belém do Pará.

Passaram-se três anos felizes na Amazónia, até que Tomás Puga adoece com beriberi, uma avitaminose provocada por deficiência de vitamina B1. O médico dita a sentença: Tomás tem de regressar a um clima temperado, sob pena de morrer. A família Puga embarca de novo, de regresso a Lisboa – mas o chefe de família não aguenta a viagem e morre a bordo, ao largo de Cabo Verde. O funeral é feito no mar. À chegada à Lisboa, sem o sustento da família, esperava-os a miséria.
Foi a educação dos anos de desafogo financeiro, que proporcionou aulas de piano, costura e bordado, que permitiu à mãe e às irmãs Puga sobreviverem. Hilda dedicou-se à costura – nunca deixou de costurar, a vida toda. "Fê-lo diariamente até aos 96 anos", conta o neto - "lençóis, toalhas, fardas de empregada, crochet", e ocupava-se muito em leituras. Mas a vida ainda lhe reservaria outros desafios.

Ainda antes dos 30 anos, Hilda teve um primeiro cancro de mama, que o pai do médico Gentil Martins retirou. Na mesma altura, casou-se, com um jornalista – foi a última das irmãs a fazê-lo. Mas também aqui não teve sorte, permanecendo casada escassos dois meses. Arremessou um candeeiro à cabeça do marido, e, apesar de muito católica, pediu o divórcio em 1932 (ainda antes da Concordata ser assinada em Portugal), somando para si mais um estigma social: o de mulher divorciada.


Não tornou a casar-se, e nunca teve filhos – mas criou como tal uma sobrinha, Emília, que lhe chamaria sempre "mamã". Aos 60 anos, Hilda teve um cancro na outra mama, e mais tarde, retirou outro tumor, na barriga. Cegou ainda de um olho, o esquerdo. A tudo isto sobreviveu. Com a costura, sustentava a mãe e filha "adotiva". Até que esta se casou, em 1957. Após 3 anos de vida em comum com Emília e o marido, optou por ir para um lar, aos 77 anos. Estava muito habituada ao seu espaço, e custava-lhe ter de prescindir da sua liberdade.
Onze anos mais tarde, sofreu o maior de todos os golpes: Emília morria, de cancro de mama. Hilda remeteu-se à clausura total, no lar, não saindo de lá durante uma década. Foi preciso nascer o primeiro sobrinho neto para tornar a passar o Natal em família. Em 1991, parte uma perna e cai à cama. Nessa altura, o seu maior problema era "não poder costurar". Dois anos depois, falece, aos 101 anos. Morria o rosto da República, cuja implantação se assinala esta quarta-feira.
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domingo, 1 de outubro de 2017

Alentejanos e portugueses, obviamente!



Com a diatribe catalã num pico de turbulência, li de um concidadão a defesa da independência do Alentejo!!!

A lembrar Pitágoras:
Se o que tens a dizer não é mais belo do que o silêncio, então cala-te.

De facto, o alentejano faz parte de um povo, o português, com quem partilha um grande património histórico, linguístico e cultural (antropologicamente falando).

Uma demonstração simples: Vasco da Gama, inequivocamente alentejano, fez o que fez em nome de Portugal. Os seus descobrimentos são obra de Portugal, mas o Alentejo também dele se orgulha, sente-o seu!

Claro que há diferenças entre o norte e as ilhas, as Beiras e a Bairrada, basta pensar nos sotaques com que falamos, nas receitas do que comemos e... nas regiões demarcadas vitivinícolas!

Na minha adolescência brincava-se às independências; minhotos "criavam" o Reino do Minho, os scalabitanos a República do Ribatejo e a rapaziada de Aljezur não prescindia do Reino Al-Maghrib!

Criancices, brincadeiras inconsequentes, naturalmente! Coisas da idade; imaturidade.

Ora, entre isso e os atuais delírios independentistas vai um fosso inultrapassável.

Nada tem a ver com o portuguesíssimo Alentejo, não passa de enrolo fantasioso.


[Escrito por um lisboeta postiço, porém, alentejano dos quatro costados.]

sábado, 26 de agosto de 2017

Come sopa, poupa massa!




Beringelas, batatas e couve, curgetes e nabiça, nabo, alho francês e a panela a abarrotar.

Tudo por menos de 6 eurecos. Falta o gás, a água (sopa e lavagens), eletricidade (varinha), azeite, sal e gengibre e amortização de materiais. E mão-de-obra, muita obra, descasque, lava, corta e pica, muita paciência, ciência, persistência.

No Continente, 400 gramas de sopa de grão com espinafres, são 1,49 e a de coentros de 800 gramas vai para 2,59.

A panela de 8 litros, 8 mal medidos, não se vá entornar a despesa, convertendo litros em sopa, andará pelos 9 quilos, não muito longe disso. 9000 gramas dividos por 800 dá 11 pleganas de sopa comercial. Ou seja, mais coisa menos coisa, aquele grande barranhão custou-me tanto como três embalagens grandes do Belmiro.

Cala-te, olha os mercados à espreita, calculadoras em punho, a ganância de olho arregalado, amanhã ainda te entalas com esta propaganda à barateza caseira.

Minha rica avó, o congelador empanturrado, onde meto tanta sopa barata! Aquelas caixitas de 600 gramas (seiscentos, já agora, pessoal do Continente!) vão ter de ser empilhadas ao milímetro, nem sei o gelo não será escorraçado…


Larga lá o excel e vai para a mesa, come e cala, mas é…

!!!

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Mulheres – Autenticidade vence besuntos



Revolução grisalha: adeus tinturas, cabelos brancos estão na moda

A inteligência a desabrochar, a Mulher inteligente, livre de peias, desmontando a mitologia do “Parecer” e combatendo o negócio dos besuntos!!!

Parecer arranjada, parecer sofisticada, parecer bonita. Mulher bonita vê-se a olho nu, de olhos lavados, não a que os esborrata, pintalgando pálpebras e pestanas, mascarando a natureza.

Eureka !

Parabéns às mulheres que não se vendem aos besunteiros mercenários que usam as suas fragilidades para as mascarar.

Estaremos a caminho de uma nova era, a era de mulheres autoconfiantes, autênticas, cultoras da verdade facial!?

O mundo ficaria mais fresco, genuíno, limpo. Fala-se muito na natureza, mas muitas autoproclamadas ambientalistas aparecem-nos camufladas, mascaradas por tapumes cromáticos. Basta ver algumas deputadas, de quase todos os partidos. 

Criaturas que papagueiam o que não praticam. É vê-las como se tivessem mergulhado a cara num pote de azeite. E não se vêem ao espelho, pois se se vissem, rapidamente caíam em si, tão gordurentas se apresentam, a máscara escorrendo, os olhos enfarruscados, as faces de postiço vermelhão!


Esta nova tendência, este reconhecimento da verdade, a assunção do que a Mãe Natureza deu à Mulher vai demorar a instalar-se. A corrupção de vontades é muito forte, o negócio está instalado e vai lutar pelos milhões que o fingimento facial extorque a mentes maciçamente condicionadas.

A tenaz propagandística é feroz, começa nas menininhas, nas prendas besunteiras às maiorzinhas e a televisão, cereja cimeira, qual inoculação intravenosa, injeta o venenoso “Parece” a tenras cabeças.

Apresentadoras com três camadas de tinta, a base, o rosé e o esmalte fixador, mais o embonecamento da pele do contorno dos olhos e o risco à beira das pestanas fabricam um padrão.

Padrão mitológico, mas padrão. Mil vezes replicado com técnicas de propaganda – uma mentira mil vezes repetida até soar a verdade! – distorce nobres crianças, ilude raparigas, fabrica espantalhos.

E é este universo de presas fáceis do comércio do ilusionismo facial que começa a esboroar-se.

Quanto mais mulheres dele se demarcarem, como as da notícia, quantas mais mostrarem a sua beleza natural, mais o mundo melhora.

E como são bonitas mulheres sem tinta!

Altas ou magricelas, novas ou meia-idade, cabelo cenoura ou esbranquiçado, sardentas ou avozinhas, com rugas ou redondinhas, bonitas mulheres sem besuntos.


Eureka !

terça-feira, 25 de julho de 2017

Mau derrame de verde bom



Nota prévia
O visado é um produto respeitável, apesar do incidente.

Já me tinha acontecido encontrar garrafas deitadas não completamente cheias, apesar de terem a rolha apenas um pouco deslocada e só mais tarde me aperceber do chão pingado. Sempre de tinto.

Mas desta vez uma garrafa esvaziou-se com a expulsão completa da rolha, vertendo todo o vinho e salpicando o espaço.

Derrame


Rolha força e quebra a cápsula 

Rolha virgem de saca

Por precaução já açaimei as restantes garrafas, pois como mostram as imagens, duas rolhas já começaram a sair do gargalo.


Concluo como comecei: os Ponte de Negrelos já me proporcionaram muitos bons momentos, porém, carecem de uma solução que evite este tipo de desperdício.

Para os apreciadores da marca, e enquanto o produtor não a encontrar, sugiro trava-trolhas adequados.


Rodapé 1
Felicito a empresa por ter mantido o padrão rolha de cortiça. Rolha que é rolha é de cortiça, o resto é desvirtuar os vinhos…

Rodapé 2 
O vendedor restituiu-me o valor integral sem qualquer hesitação.


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Arte





Arte, sei lá o que é isso:
muito belas aguarelas,
arrojo, olhar fronteiriço,
às vezes lambuzadelas!



© Manuel A. Madeira
13 de Julho de 2017


segunda-feira, 26 de junho de 2017

Ressarcir e outras doenças na língua



Passos sobre as perdas e o sofrimento das pessoas de Pedrógão Grande:

 – O Estado tem de as ressarcir…”

Alguém me diz quantos portugueses sabem o que é ressarcir!?

Simplifiquemos, qual a percentagem de nossos concidadãos que perceberam o anterior Primeiro-Ministro!? E não só velhotes...

Bom, pelo menos o homem não perorou sobre paradigmas ou alavancamento, nem se alongou sobre esterotipos nem arrazoou acerca da problemática da incontinência… Nem salpicou de gringuês o manto das palavras ocas.

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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Jovens de hoje



Senhora de certa idade, talvez descompensada, caminha junto ao separador da 2ª Circular próximo da passagem aérea paralela à Av. Lusíada e no sentido do Campo Grande. A centímetros dos carros, sem qualquer proteção.

Um rapaz, na paragem de autocarros, avista-a, corre para ela e ajuda-a a subir para o separador de cimento. Mas não conseguiu descê-la para o outro lado e pediu ajuda. A correr, lá foi uma rapariga. Nem os dois conseguiram.

Entretanto, chega um outro jovem de porte atlético que a desceu e acompanhou para a segurança do passeio e dali escadas acima para a passagem aérea. Queria ir para a Damaia!

Jovens de hoje, dos bons.



Lisboa, 11:00 23.Junho.2017

domingo, 18 de junho de 2017

Jornalistas, não! Apenas papagaios salazaristas


Estou a ver reportagens na SIC e na RTP sobre a catástrofe que aflige Pedrógão Grande e concelhos limítrofes. E as senhoras, pagas como jornalistas, que comentam os acontecimentos, usam a agressão "populares" para identificar moradores, vizinhos, Cidadãos.

"Populares" era a forma depreciativa e minimizadora da dignidade cidadã com que a propaganda do Estado Novo se referia a pessoas comuns ou por ele malquistas.

Pessoas essas a que o salazarismo assim colava o atributo de "inferiores", arruaceiras ou de algum modo inconvenientes ao poder do Salazar e da sua corte.


Passados tantos anos sobre o 25 de Abril...
Tanta formação, tanta licenciatura em comunicação social...
Tantos livros, artigos e debates sobre a ideologia salazarista...

E ainda há jornalistas e rádios que vão beber ao livro de estilo da ditadura!!!


Desleixo municipal lisboeta ou como "gestores" e autarcas conspurcam o Parque Florestal de Monsanto.


O Município de Lisboa tem uma aplicação para que se façam sugestões de reparação, manutenção, é a naminharualx.cm-lisboa.pt e tem uma imagem a dizer “Eu cuido de Lisboa”. Eu, o Munícipe, porque a Câmara estimula a degradação, por omissão.

Num parque de merendas. O da Vila Guiné, atrás da Embaixada do México, que tem zonas mictodefecatórias há anos.

Óbvio e continuado estado de negligência municipal.

Nem ao diabo lembraria ter um parque de merendas sem casas de banho!!!
Merendar é comer e beber e quem come e bebe defeca e urina. Onde!? Atrás do cedro, ao lado do eucalipto ou no meio da moita. Com cuidado, muito cuidadinho para não pisar "frutos" de anterior merendador.

Senhores “gestores” do Parque Florestal de Monsanto e senhores autarcas: Casa de Banho em cada Parque de Merendas, rapidamente! E o da Vila Guiné não é o único sem ela.

Há dinheiro para obras eleitoralistas em grande escala, mas não há para higiene elementar. 
Oh Medina, não fiques encafuado no gabinete e onde há televisões!

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Portugal - Três sinais de alarme


Lisboa, Metro Restauradores, 26.Abril.2017


A imagem exibe-os sem disfarce.

O governo e o município de Lisboa ignoram-nos e os Cidadãos resignaram-se. Focam-se no seu dia-a-dia, no ganha-pão e nos concertos, naquele gajo tão longe e no jogo de logo à noite, no besunto do "parece" e na saia que encolheu.

Além da expectativa de que a publicação no facebook faça o milagre.

Mas não há milagre de dê casa àquela alma, nem que lhe guarde os tarecos, lhe agasalhe os invernos.

Nem milagre que trave os estraga paredes, os engaiole, lhes bote juízo na mona.

Nem a próxima visita-relâmpago do papa católico inspirará governantes e autarcas a tirarem do espaço público aquelas desgraças. Era preciso um Estado de Direito, com leis a direito, sinais de Direito…

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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Monumento Ortográfico que os Velhos do Restelo devem visitar



O debate sobre o Acordo Ortográfico de 1990 vai longo, como longa é a arenga dos respetivos Velhos do Restelo.
É certo que de alguns acertos carece e que também muita falta faz a sua divulgação intensa. Ainda há quem bata o pé pelo facto sem c e a brigada do cagado muito precisa de consultar o Priberan [https://www.priberam.pt/DLPO/] ou o Portal da Língua Portuguesa  [http://www.portaldalinguaportuguesa.org/main.html?action=novoacordo].
Mas não é disso por que agora batalhamos.

Ficamo-nos pelo monumento aos Restauradores, em Lisboa, que todos bem conhecemos, e que tem um óbvio alerta ortográfico.


A frase está lá, na grafia de 1886, com uma mensagem subliminar muito atual: o anacronismo da argumentação daqueles velhos.

Alguém alguma vez escreveu Subcripção !?
Alguém alguma vez escreveu Commissão !?

Ninguém. Excluídos, claro, historiadores, tradutores de clássicos e outros investigadores.

Pois não é preciso ser filólogo para ficar de sobrolho torcido ao ler aquelas palavras. Por uma simples razão: não fazem parte do nosso dia-a-dia.

Só constam de documentos seculares, quiçá de lápides, demonstrando que, com mais decretos ou menos gramáticas tipo livro único, a grafia muda com a mudança do tempo.

Ora como não lemos as letras uma a uma, mas as manchas das palavras que temos em memória, sempre que encontramos algo a mais ou a menos temos de recarregar a base de dados. A dita memória. Substituindo as manchas conhecidas, muitas, muitas vezes, até colar a nova grafia.

É maçador, pois é. E quantas vezes temos de ir ao dicionário! E quando damos pela gralha depois de ela ter voado porta fora…

Porém, os Velhos do Restelo Ortográfico não querem essa maçada. Esse recomeço, esse tropeçar e continuar.

Por isso, o Monumento aos Restauradores é também um monumento à evolução da língua, não ao restauracionismo ortográfico. Restaurar que antiga grafia, a de D. Dinis, a de Camões ou a de 1911 !?

A não ser que os Velhos do Restelo Ortográfico promovam Subcripção de petição para a criação de Commissão que reponha a grafia de 1886.