sábado, 26 de agosto de 2017

Come sopa, poupa massa!




Beringelas, batatas e couve, curgetes e nabiça, nabo, alho francês e a panela a abarrotar.

Tudo por menos de 6 eurecos. Falta o gás, a água (sopa e lavagens), eletricidade (varinha), azeite, sal e gengibre e amortização de materiais. E mão-de-obra, muita obra, descasque, lava, corta e pica, muita paciência, ciência, persistência.

No Continente, 400 gramas de sopa de grão com espinafres, são 1,49 e a de coentros de 800 gramas vai para 2,59.

A panela de 8 litros, 8 mal medidos, não se vá entornar a despesa, convertendo litros em sopa, andará pelos 9 quilos, não muito longe disso. 9000 gramas dividos por 800 dá 11 pleganas de sopa comercial. Ou seja, mais coisa menos coisa, aquele grande barranhão custou-me tanto como três embalagens grandes do Belmiro.

Cala-te, olha os mercados à espreita, calculadoras em punho, a ganância de olho arregalado, amanhã ainda te entalas com esta propaganda à barateza caseira.

Minha rica avó, o congelador empanturrado, onde meto tanta sopa barata! Aquelas caixitas de 600 gramas (seiscentos, já agora, pessoal do Continente!) vão ter de ser empilhadas ao milímetro, nem sei o gelo não será escorraçado…


Larga lá o excel e vai para a mesa, come e cala, mas é…

!!!

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Mulheres – Autenticidade vence besuntos



Revolução grisalha: adeus tinturas, cabelos brancos estão na moda

A inteligência a desabrochar, a Mulher inteligente, livre de peias, desmontando a mitologia do “Parecer” e combatendo o negócio dos besuntos!!!

Parecer arranjada, parecer sofisticada, parecer bonita. Mulher bonita vê-se a olho nu, de olhos lavados, não a que os esborrata, pintalgando pálpebras e pestanas, mascarando a natureza.

Eureka !

Parabéns à mulheres que não se vendem aos besunteiros mercenários, que usam as suas fragilidades para as mascarar.

Estaremos a caminho de uma nova era, a era de mulheres autoconfiantes, autênticas, cultoras da verdade facial!?

O mundo ficaria mais fresco, genuíno, limpo. Fala-se muito na natureza, mas muitas autoproclamadas ambientalistas aparecem-nos camufladas, mascaradas por tapumes cromáticos. Basta ver algumas deputadas, de quase todos os partidos. Criaturas que papagueiam o que não praticam. É vê-las como se tivessem mergulhado a cara num pote de azeite. E não se vêem ao espelho, pois se se vissem, rapidamente caíam em si, tão gordurentas se apresentam, a máscara escorrendo, os olhos enfarruscados, as faces de postiço vermelhão!


Esta nova tendência, este reconhecimento da verdade, a assunção do que a Mãe Natureza deu à Mulher vai demorar a instalar-se. A corrupção de vontades é muito forte, o negócio está instalado e vai lutar pelos milhões que o fingimento facial extorque a mentes maciçamente condicionadas.

A tenaz propagandística é feroz, começa nas menininhas, nas prendas besunteiras às maiorzinhas e a televisão, cereja cimeira, qual inoculação intravenosa, injeta o venenoso “Parece” a tenras cabeças.

Apresentadoras com três camadas de tinta, a base, o rosé e o esmalte fixador, mais o embonecamento da pele do contorno dos olhos e o risco à beira das pestanas fabricam um padrão.

Padrão mitológico, mas padrão. Mil vezes replicado com técnicas de propaganda – uma mentira mil vezes repetida até soar a verdade! – distorce nobres crianças, ilude raparigas, fabrica espantalhos.

E é este universo de presas fáceis do comércio do ilusionismo facial que começa a esboroar-se.

Quanto mais mulheres dele se demarcarem, como as da notícia, quantas mais mostrarem a sua beleza natural, mais o mundo melhora.

E como são bonitas mulheres sem tinta!

Altas ou magricelas, novas ou meia-idade, cabelo cenoura ou esbranquiçado, sardentas ou avozinhas, com rugas ou redondinhas, bonitas mulheres sem besuntos.


Eureka !

terça-feira, 25 de julho de 2017

Mau derrame de verde bom



Nota prévia
O visado é um produto respeitável, apesar do incidente.

Já me tinha acontecido encontrar garrafas deitadas não completamente cheias, apesar de terem a rolha apenas um pouco deslocada e só mais tarde me aperceber do chão pingado. Sempre de tinto.

Mas desta vez uma garrafa esvaziou-se com a expulsão completa da rolha, vertendo todo o vinho e salpicando o espaço.

Derrame


Rolha força e quebra a cápsula 

Rolha virgem de saca

Por precaução já açaimei as restantes garrafas, pois como mostram as imagens, duas rolhas já começaram a sair do gargalo.


Concluo como comecei: os Ponte de Negrelos já me proporcionaram muitos bons momentos, porém, carecem de uma solução que evite este tipo de desperdício.

Para os apreciadores da marca, e enquanto o produtor não a encontrar, sugiro trava-trolhas adequados.


Rodapé 1
Felicito a empresa por ter mantido o padrão rolha de cortiça. Rolha que é rolha é de cortiça, o resto é desvirtuar os vinhos…

Rodapé 2 
O vendedor restituiu-me o valor integral sem qualquer hesitação.


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Arte





Arte, sei lá o que é isso:
muito belas aguarelas,
arrojo, olhar fronteiriço,
às vezes lambuzadelas!



© Manuel A. Madeira
13 de Julho de 2017


segunda-feira, 26 de junho de 2017

Ressarcir e outras doenças na língua



Passos sobre as perdas e o sofrimento das pessoas de Pedrógão Grande:

 – O Estado tem de as ressarcir…”

Alguém me diz quantos portugueses sabem o que é ressarcir!?

Simplifiquemos, qual a percentagem de nossos concidadãos que perceberam o anterior Primeiro-Ministro!? E não só velhotes...

Bom, pelo menos o homem não perorou sobre paradigmas ou alavancamento, nem se alongou sobre esterotipos nem arrazoou acerca da problemática da incontinência… Nem salpicou de gringuês o manto das palavras ocas.

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sexta-feira, 23 de junho de 2017

Jovens de hoje



Senhora de certa idade, talvez descompensada, caminha junto ao separador da 2ª Circular próximo da passagem aérea paralela à Av. Lusíada e no sentido do Campo Grande. A centímetros dos carros, sem qualquer proteção.

Um rapaz, na paragem de autocarros, avista-a, corre para ela e ajuda-a a subir para o separador de cimento. Mas não conseguiu descê-la para o outro lado e pediu ajuda. A correr, lá foi uma rapariga. Nem os dois conseguiram.

Entretanto, chega um outro jovem de porte atlético que a desceu e acompanhou para a segurança do passeio e dali escadas acima para a passagem aérea. Queria ir para a Damaia!

Jovens de hoje, dos bons.



Lisboa, 11:00 23.Junho.2017

domingo, 18 de junho de 2017

Jornalistas, não! Apenas papagaios salazaristas


Estou a ver reportagens na SIC e na RTP sobre a catástrofe que aflige Pedrógão Grande e concelhos limítrofes. E as senhoras, pagas como jornalistas, que comentam os acontecimentos, usam a agressão "populares" para identificar moradores, vizinhos, Cidadãos.

"Populares" era a forma depreciativa e minimizadora da dignidade cidadã com que a propaganda do Estado Novo se referia a pessoas comuns ou por ele malquistas.

Pessoas essas a que o salazarismo assim colava o atributo de "inferiores", arruaceiras ou de algum modo inconvenientes ao poder do Salazar e da sua corte.


Passados tantos anos sobre o 25 de Abril...
Tanta formação, tanta licenciatura em comunicação social...
Tantos livros, artigos e debates sobre a ideologia salazarista...

E ainda há jornalistas e rádios que vão beber ao livro de estilo da ditadura!!!


Desleixo municipal lisboeta ou como "gestores" e autarcas conspurcam o Parque Florestal de Monsanto.


O Município de Lisboa tem uma aplicação para que se façam sugestões de reparação, manutenção, é a naminharualx.cm-lisboa.pt e tem uma imagem a dizer “Eu cuido de Lisboa”. Eu, o Munícipe, porque a Câmara estimula a degradação, por omissão.

Num parque de merendas. O da Vila Guiné, atrás da Embaixada do México, que tem zonas mictodefecatórias há anos.

Óbvio e continuado estado de negligência municipal.

Nem ao diabo lembraria ter um parque de merendas sem casas de banho!!!
Merendar é comer e beber e quem come e bebe defeca e urina. Onde!? Atrás do cedro, ao lado do eucalipto ou no meio da moita. Com cuidado, muito cuidadinho para não pisar "frutos" de anterior merendador.

Senhores “gestores” do Parque Florestal de Monsanto e senhores autarcas: Casa de Banho em cada Parque de Merendas, rapidamente! E o da Vila Guiné não é o único sem ela.

Há dinheiro para obras eleitoralistas em grande escala, mas não há para higiene elementar. 
Oh Medina, não fiques encafuado no gabinete e onde há televisões!

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Portugal - Três sinais de alarme


Lisboa, Metro Restauradores, 26.Abril.2017


A imagem exibe-os sem disfarce.

O governo e o município de Lisboa ignoram-nos e os Cidadãos resignaram-se. Focam-se no seu dia-a-dia, no ganha-pão e nos concertos, naquele gajo tão longe e no jogo de logo à noite, no besunto do "parece" e na saia que encolheu.

Além da expectativa de que a publicação no facebook faça o milagre.

Mas não há milagre de dê casa àquela alma, nem que lhe guarde os tarecos, lhe agasalhe os invernos.

Nem milagre que trave os estraga paredes, os engaiole, lhes bote juízo na mona.

Nem a próxima visita-relâmpago do papa católico inspirará governantes e autarcas a tirarem do espaço público aquelas desgraças. Era preciso um Estado de Direito, com leis a direito, sinais de Direito…

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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Monumento Ortográfico que os Velhos do Restelo devem visitar



O debate sobre o Acordo Ortográfico de 1990 vai longo, como longa é a arenga dos respetivos Velhos do Restelo.
É certo que de alguns acertos carece e que também muita falta faz a sua divulgação intensa. Ainda há quem bata o pé pelo facto sem c e a brigada do cagado muito precisa de consultar o Priberan [https://www.priberam.pt/DLPO/] ou o Portal da Língua Portuguesa  [http://www.portaldalinguaportuguesa.org/main.html?action=novoacordo].
Mas não é disso por que agora batalhamos.

Ficamo-nos pelo monumento aos Restauradores, em Lisboa, que todos bem conhecemos, e que tem um óbvio alerta ortográfico.


A frase está lá, na grafia de 1886, com uma mensagem subliminar muito atual: o anacronismo da argumentação daqueles velhos.

Alguém alguma vez escreveu Subcripção !?
Alguém alguma vez escreveu Commissão !?

Ninguém. Excluídos, claro, historiadores, tradutores de clássicos e outros investigadores.

Pois não é preciso ser filólogo para ficar de sobrolho torcido ao ler aquelas palavras. Por uma simples razão: não fazem parte do nosso dia-a-dia.

Só constam de documentos seculares, quiçá de lápides, demonstrando que, com mais decretos ou menos gramáticas tipo livro único, a grafia muda com a mudança do tempo.

Ora como não lemos as letras uma a uma, mas as manchas das palavras que temos em memória, sempre que encontramos algo a mais ou a menos temos de recarregar a base de dados. A dita memória. Substituindo as manchas conhecidas, muitas, muitas vezes, até colar a nova grafia.

É maçador, pois é. E quantas vezes temos de ir ao dicionário! E quando damos pela gralha depois de ela ter voado porta fora…

Porém, os Velhos do Restelo Ortográfico não querem essa maçada. Esse recomeço, esse tropeçar e continuar.

Por isso, o Monumento aos Restauradores é também um monumento à evolução da língua, não ao restauracionismo ortográfico. Restaurar que antiga grafia, a de D. Dinis, a de Camões ou a de 1911 !?

A não ser que os Velhos do Restelo Ortográfico promovam Subcripção de petição para a criação de Commissão que reponha a grafia de 1886.


segunda-feira, 27 de março de 2017

Herança afundada

Para as ampliar clique nas imagens 


A Baía do Seixal, do lado da Amora, pode ter tido cais ou ancoradouro, estaleiro ou fundeadouro, não é certo.

O que é garantido é que lá estão restos de barcos – os especialistas chamar-lhe-ão navios ? – atolados, ao abandono.




Pedem museu e estão em espera de verba?
São inutilidades a aguardar melhor oportunidade para remoção?
Ou trata-se simplesmente de técnica de decomposição lenta do madeirame de modo alimentar fauna e flora ribeirinhas?






terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A opinião duma brasileira sobre Portugal

 O aconchego é sempre bom, mesmo de fora !


Dentre as coisas que mais detesto, duas podem ser destacadas: ingratidão e pessimismo.

Sou incuravelmente grata e optimista e, comemorando quase 2 anos em Lisboa, sinto que devo a Portugal o reconhecimento de coisas incríveis que existem aqui - embora me pareça que muitos nem percebam.

Não estou dizendo que Portugal seja perfeito. Nenhum lugar é. Nem os portugueses são, nem os brasileiros, nem os alemães, nem ninguém.

Mas para olharmos defeitos e pontos negativos basta abrir qualquer jornal, como fazemos diariamente. Mas acredito que Portugal tenha certas características nas quais o mundo inteiro deveria inspirar-se.

Para começo de conversa, o mundo deveria aprender a cozinhar com os portugueses.
Os franceses aprenderiam que aqueles pratos com porções minúsculas não alegram ninguém.
Os alemães descobririam outros acompanhamentos além da batata.
Os ingleses aprenderiam tudo do zero.

Bacalhau e pastel de nata? Não. Estamos falando de muito mais.
Arroz de pato, arroz de polvo, alheira, peixe fresco grelhado, ameijoas, plumas de porco preto, grelos salteados, arroz de tomate, baba de camelo, arroz doce, bolo de bolacha, ovos moles.

Mais do que isso, o mundo deveria aprender a se relacionar com a terra como os portugueses se relacionam.
Conhecer a época das cerejas, das castanhas e da vindima.
Saber que o porco é alentejano, que o vinho é do Douro.
Talvez o pequeno território permita que os portugueses conheçam melhor o trajeto dos alimentos até a sua mesa, diferente do que ocorre, por exemplo, no Brasil.

O mundo deveria saber ligar a terra à família e à história como os portugueses.
A história da quinta do avô, as origens trasmontanas da família, as receitas típicas da aldeia onde nasceu a avó.
O mundo não deveria deixar o passado escoar tão rapidamente por entre os dedos. E se alguns dizem que Portugal vive do passado, eu tenho certeza de que é isso o que os faz ter raízes tão fundas e fortes.

O mundo deveria ter o balanço entre a rigidez e a afecto que têm os portugueses.

De nada adiantam a simpatia e o carisma brasileiros se eles nos impedem de agir com a seriedade e a firmeza que determinados assuntos exigem.
O deputado Jair Bolsonaro, que defende ideias piores que as de Donald Trump, emergiu como piada e hoje se fortalece como descuido no nosso cenário político. Nem Bolsonaro nem Trump passariam em Portugal. Os portugueses - de direita ou de esquerda - não riem desse tipo de figura, nem permitem que elas floresçam.

Ao mesmo tempo, de nada adianta o rigor japonês que acaba em suicídio, nem a frieza nórdica que resulta na ausência de vínculos.

Os portugueses são dos poucos povos que sabem dosar rigidez e afecto, acidez e doçura, buscando sempre a medida correta de cada elemento, ainda que de forma inconsciente.

Todos os países do mundo deveriam ter uma data como o 25 de Abril para celebrar. Se o Brasil tivesse definido uma data para celebrar o fim da ditadura, talvez não observássemos com tanta dor a fragilidade da nossa democracia. Todos os países deveriam fixar o que é passado e o que é futuro através de datas como essa. Todo o idioma deveria carregar afecto nas palavras corriqueiras como o português de Portugal carrega.

Gosto de ser chamada de miúda. Gosto de ver os meninos brincando e ouvir seus pais chama-los carinhosamente de putos.

Gosto do uso constante de diminutivos. Gosto de ouvir ”magoei-te?” quando alguém pisa no 
meu pé. Gosto do uso das palavras de forma doce.

O mundo deveria aprender a ter modéstia como os portugueses - embora os portugueses devessem ter mais orgulho desse país do que costumam ter.

Portugal usa suas melhores características para aproximar as pessoas, não para afastá-las.

A arrogância que impera em tantos países europeus, passa bem longe dos portugueses.

O mundo deveria saber olhar para dentro e para fora como Portugal sabe.

Portugal não vive centrado em si próprio como fazem os franceses e os norte americanos. Por outro lado, não ignora importantes questões internas, priorizando o que vem de fora, como ocorre com tantos países colonizados.

Portugal é um país muito mais equilibrado do que a média e é muito maior do que parece. Acho que o mundo seria melhor se fosse um pouquinho mais parecido com Portugal. Essa sorte, pelo menos, nós brasileiros tivémos.


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Ruth Manus é advogada e professora universitária e assina um blogue no Estado de São Paulo, Retratos
26/11/2016

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Besuntos - Quadras retocadas




Aparecem lambuzadas,
fingidos beiços, vermelhões,
mostram cabeças vergadas
a trapaceiros vendilhões.


Escravas da propaganda
do ilusório "parece",
calam o "ser" em demanda;
os besuntos como prece.


Os olhos enfarruscados,
toda a fronha pintalgada,
pelos e poros tapados,
a beleza renegada.


Mesmo carinhas larocas
sarapintam com esfregalho;
depois das tintas baldrocas
cultivam ar de espantalho.


Nem muito finas pestanas
se safam desta borrada,
o olhar por persianas
dá sinal de carneirada.


A decadência assumida,
cativas da impostura,
natureza reprimida,
a face caricatura.


Só mulher inteligente,
de lucidez comprovada,
sadia naturalmente,
sorri de cara lavada.



© Manuel A. Madeira
16 de Dezembro de 2014
[V2 24.Jan.2017]

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Amor benfiquista acorrentado



Em muitas cidades, o amor, o amor eterno e o amor jurado é certificado a cadeado nas pontes fluviais.

E a chave desse amor é ternamente afastada da ranhura, lançada ao rio.

Essas pontes são tabeliães do compromisso, tal como as águas mansas arrecadam as chaves das juras ardentes, cuja ferrugem certifica a eternidade dos amores acorrentados.

Pois Lisboa andava arredada dessa onda. Até há pouco.

E chegou-nos agora pela via desportiva. Desportiva e benfiquista.

O Benfica instalou, frente ao pavilhão das modalidades, uma estrutura em rede com as letras que o identificam. E vende cadeados SLB.

Pois ainda a tinta está viçosa e já lá tem inúmeras proclamações metálicas.

Não há, contudo, informação sobre se as chaves foram atiradas ao Tejo em ato de fé, a exemplo de Paris.

E talvez também nunca se saiba se, como no amor ao outro ou à outra, um dia, uma mau dia, dia de mau resultado, alguém andará mortinho por desencantar a malfadada chave mesmo que ferrugenta…





!!!



domingo, 27 de novembro de 2016

Fidel Castro morreu ontem, morreu um ditador



Um ditador, sim, que viveu como nababo, enquanto o povo cubano está na penúria.

É verdade que melhorou a educação e a saúde, tal como é verdade que ainda há um ano ou dois me disse um turista que adoeceu em Cuba que ali só lhe fizeram análises rudimentares.

Teve um sonho, ele e outros, pois teve, o sonho de derrubar um ditador, mas rapidamente o sonho se tornou pesadelo. Começado com centenas de assassínios, a seu mando e do argentino Che Guevara. Derrotado um ditador, imediatamente outro, Fidel Castro, tomou o seu lugar!

E a ditadura continua, agora pela mão de ferro do mano Raul, como se de uma monarquia se tratasse.

Que a História não absolverá.
Mas que a Liberdade a substitua! Rapidamente.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Desleixo informativo do Porto de Lisboa



A Administração do Porto de Lisboa anda muito ocupada.
Há muito, muito tempo…

Tanto, que não se deu conta de que a Escola Secundária provisória que estava em frente ao atual IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera foi removida há vários anos.
Há dez, à volta disso e mesmo mais?

Mas ninguém do seu Conselho de Administração, ninguém dos vários escalões de gestão ou nenhum dos seus profissionais dos vários ofícios se deu conta disso.

A placa continua lá, obsoleta, a exibir o desleixo portuário!

E a mesma obsolescência caracteriza a linha seguinte da placa que deveria ser informativa: o Instituto Português de Investigação Marítima também não existe há vários anos. Foi substituído pelo IPMA – Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

O presidente e os vogais do supracitado Conselho de Administração têm Mercedes, Audi ou BMW? 

Merecem-nos!?

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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Lisboa atacada por terroristas urbanos…

… e abandonada por políticos sem urbanidade


Ontem, a cidade tinha certificados de negligência policial, judicial e política.

Na Rua do Passadiço os sinais de trânsito tinham esta marca vândala:





E a Rua de Santa Justa, numa parede de bom material de um edifício muito bem conservado, o massacre era este:



Uma terrível ferrete da impunidade que grassa na Capital de Portugal.

Portugal entregue por irresponsáveis a terroristas impunes.


Até quando!?

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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Desmazelo no Parque Florestal de Monsanto


38,735933 -9,186479



Estas imagens, de há uma semana, não são únicas.

Repetem-se um pouco por todo o Parque Florestal. O abandono é evidente. Em estruturas, a Luneta dos Quartéis, os Moinhos do Mocho e o ex-Clube de Tiro a Chumbo (agora Tiro a Arco, mas o restaurante às moscas e várias instalações abandonadas), o restaurante panorâmico junto à FAP.

Assim como noutros domínios.

Imensas placas de identificação de pistas foram vandalizadas, faltando-lhes a chapa metálica com o respetivo nome. Carecem de urgente reposição do suporte informativo, não uma nem duas.

 Pista Rua Fria no cruzamento com a Estrada de Monsanto

Deveriam estar assim (e há muitas intactas), 

 

mas há demasiadas como esta



Tal como os bebedouros, uns sem pressão suficiente e outro com a concha cheia de água, o tubo de escoamento entupido. Só lá bebe quem não pensar nas consequências de tal imprevidência.



Os cínicos dirão que, ao menos, serve para as vespas saciarem a sede ou refrescar o ferrão. Mas não, falta manutenção!

Não há um canalizador que, uma vez por mês, os observe a todos e repare os avariados ou simplesmente os desentupa!?


Outro exemplo de negligência (38,735453 -9,185782]

2016

2012

É gritante como se deixa uma placa enferrujar a este ponto; a informação original foi  comida pela ferrugem. 

E não ontem nem anteontem. O abandono tem largos anos, ninguém duvide! Veja que a primeira foto do ex-sinal é deste ano e a seguinte de 2012. No mínimo meia dúzia de anos ao deus dará. 

Será por estar num local de difícil acesso!? Nem pensar, encontra-se à beira de uma bem conservada pista! Pista, note bem, caro leitor, estimada leitora, é um estradão de terra batida por onde facilmente circulam veículos de 4 rodas, incluindo carrinhas do Município de Lisboa ao serviço do Parque Florestal de Monsanto.

À falta de melhor é preferível arrancá-la… ao menos não exibe o amadorismo de quem deveria gerir o parque.


E como pode o município ter ali parques de merendas com mesas e bancos à sombra e água corrente e não os dotar de sanitários!? A resposta está nos inúmeros locais tapeteados de papel higiénico a 30 metros das mesas e bancos merendeiros…


Uma exceção à incúria relatada e a outras a que um dia voltaremos: as pistas, em geral, bem conservadas. Notam-se, aliás, trabalhos recentes de manutenção; a gravilha recente mostra-o, nalguns locais nem ainda acamou bem.


Já agora, quem queira gerir o parque tem de o conhecer e não é de carro. Uma boa parte pode ser percorrida em veículos, é verdade, porém a observação cuidada implica ver de perto, passar uma e outra vez nos locais, nos trilhos de acessos bem discretos e em recantos de escondidos encantos. Necessário, portanto, um gestor-zelador-caminheiro…


Tenha a Câmara Municipal de Lisboa interesse e acompanharemos quem tome em mãos as reparações do material do Pulmão de Lisboa que pedem cuidados imediatos.
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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Salazarismo de 1932-74 apouca Cidadãos de 2016




Estamos no auge dos incêndios florestais, com rara intensidade, muitas casas, matas e lameiros assaltados pelas labaredas.

E os seus donos, familiares, vizinhos e amigos, de coração nas mãos, o sangue em brasa e grande coragem combatem com as armas de que dispõem.

E as televisões mostram-nos incansáveis, desesperados e frustrados. Com toda a justiça.

Mas ao mesmo tempo que registam o seu esforço atribuem-lhes o estatuto de pobres diabos. Subliminarmente!

Por desconhecimento. Por seguidismo abúlico, "todos dizem assim"…

A verdade é que ser jornalista é ser curioso, saber um pouco de história de Portugal e pensar nas palavras que usa.

Pois os repórteres das frentes de combate aos incêndios não se cansam de mencionar populares exaustos, entrevistar populares que defendem as suas terras e de elogiar populares tão determinados.

Soubessem aquela pitada de história, tivessem estudado um pouco mais de propaganda e jamais citariam populares a enfrentar catástrofes pessoais.

Populares é um estigma, a forma depreciativa, minimizadora da dignidade cidadã, usada pela propaganda salazarista para mencionar pessoas comuns, Cidadãos anónimos ou pobres.

Cidadãos a quem o salazarismo colava o rótulo sub-reptício de "inferiores" aos instalados, aos "bem pensantes" e às "pessoas de bem".

Fossem Cidadãos lá bem do interior, do Alentejo, do Minho ou das Flores, arruaceiros alvo de notícias policiais ou Cidadãos de algum modo inconvenientes ao regime e eram etiquetados de populares nos jornais e na televisão. 

E esta técnica de propaganda pegou. Ora, passados tantos anos sobre o 25 de Abril, ainda há populares na boca de jornalistas!

Tantos livros depois, tantos artigos e debates radiofónicos e televisivos sobre a ideologia salazarista e ainda há quem vá beber ao livro de estilo da ditadura!!!

Como se não bastasse escrever Moradores e Vizinhos, Cidadãs e Cidadãos, ou simplesmente pessoas!


António Ferro, o ideólogo da propaganda salazarista, rejubilaria, lá do fundo da tumba, ao ver a sua peçonhenta bússola a orientar jornalistas. Em 2016!


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