segunda-feira, 30 de abril de 2012

Desejável sucesso africano


O Presidente interino e o PM da Guiné-Bissau foram presos e mantidos em parte incerta no golpe militar cujos líderes andam fugidos da opinião pública.

Foram libertados por intervenção da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental.

Além desse triunfo, os chefes militares desta comunidade obtiveram dos golpistas a anuência à presença de um seu contingente militar. Há alguma dissimulação na missão desta força, alegadamente para escoltar a saída dos angolanos da MISSANG.
Veremos se instala um dispositivo eficaz e se alcança a prometida reforma da defesa e segurança guineenses. É que a reforma visa simplesmente a erradicação dos autores morais e operacionais dos sucessivos golpes e assassínios.
E tem de ir bem mais longe, pois o paupérrimo país não pode suportar o estado-maior da Força Aérea sem aviões nem alimentar o ramo Marinha apesar de não ter quaisquer navios.
Os ainda “generais” e “almirantes” sabem isso muito bem, pelo que resistirão, sendo o êxito da operação aferido apenas pela neutralização da tutela das Kalashnikov.
Se a Guiné sadia e a CEDEAO, a MISSANG e a CPLP desalojarem os insubordinados dos quartéis, prenderem e julgarem os assassinos militares e jugularem o narcotráfico, então sim, África contabilizará um completo sucesso.
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Note bem:
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O Secretário de Estado para os Combatentes da Liberdade da Pátria continua sequestrado pela tropa amotinada.

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domingo, 29 de abril de 2012

Vício de pagar para dormir



Estado viciou médicos em horas extraordinárias

A declaração é do novo secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, veiculada pela Lusa.

O vício é tal que há médicos de serviço 24 horas seguidas. Seguidinhas, nem xixi nem sandocha...

24 horas de horas extraordinárias, para salários ainda mais extraordinários, é evidente. Ninguém trabalhar 24 horas seguidas. Nem nos tempos da escravatura.
Só descansam quando os seus préstimos têm menos procura, justifica-se a corporação de interesses.

É "a administração a enganar-se a ela própria", disse ainda o sindicalista, que não podia ter mais razão.

Esperamos agora as suas propostas para acabar com o engano, pondo os médicos a dormir nas suas casas em vez de comporem o pé-de-meia à conta do sono hospitalar.

Esta pedrada no charco pode valer muitas poupanças, pelo que vale uma rica chapelada.

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sábado, 28 de abril de 2012

Contra a invasão muçulmana

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O vídeo aponta tentativas de predomínio muçulmano em certas partes de Espanha: http://www.youtube.com/watch_popup?v=pOq1gJzJ8cM

A liberdade religiosa não pode ser usada para instalar o totalitarismo islâmico. Seja lá onde for.
O fanatismo, o esmagamento da dignidade da Mulher e a perversão do livre arbítrio tão arduamente conquistado à igreja católica não podem ser permitidos. Seria um recuo de séculos na civilização europeia e mundial.
A inquisição católica bastou: queimou vivos incontáveis inocentes, devastou famílias, espoliou bens e criou uma censura férrea à expressão de sentimentos, ideias e saber. Expulsou de Portugal judeus tão portugueses como os seus verdugos.
E o islamismo radical segue-lhe as pegadas obscurantistas. Onde domina nem a roupa se pode escolher, o alá é obrigatório por lei e as Mulheres são escravisadas por maridos, irmãos, primos. E são assassinadas à pedrada por dá cá aquela palha.

Nesta Europa livre não nos deixemos invadir por culturas bárbaras com disfarce religioso!

Se necessário anulem-se as nacionalidades europeias atribuídas a árabes, paquistaneses e outros e expulsem-de para as suas terras de origem.
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sexta-feira, 27 de abril de 2012

25 de Abril – Montra de liberdade e terror infame



Anteontem, a Avenida de Liberdade, apesar do tempo invernoso, encheu-se que nem um ovo. O 25 de Abril está bem vivo.



Aí se fez campanha.



Se promoveram causas.




Divulgou-se uma Casa-forte de Portugal:



O PC fez 2 em 1: saudou o 25 de Abril publicitando o seu 1º de Maio:



Também se apelou à libertação do jugo sionista:



E até se angariaram adesões a um novo partido:


Porém, desvirtuando a festa grande da liberdade, alguns comparsas do bando assassino basco infiltraram-se na desfile.

Ensombraram a celebração de ideais nobres, bem diferentes dos dos sanguinários terroristas que tiraram a vida a mais de 850 inocentes.



Permitir a participção de encobridores de crimes de sangue foi um deslize dos organizadores e é um desafio para as polícias bloquear a sua propaganda despudorada.


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Portugal protetor



O 25 de Abril chuvoso pedia proteção...



...mas o apelo patriótico não foi, certamente, obra da chuva.

Teve causa mais forte, apesar dos indignos papa-reformas de Belém e de S. Bento, das sucessivas mentiras de Passos e companhia e do descrédito do bando dos 230.

Essa chama, chama-se Portugal!!

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quarta-feira, 25 de abril de 2012

25 de Abril contra a mentira!



O Formigarras, solidário com os Capitães de Abril, também não participará em cerimónias oficiais comemorativas de mais um aniversário do 25 de Abril.

O papa-reformas cavaco e o passos troca-tintas, os ministros e seus secretários, a "reformada" assunção e os outros 229 deputados não merecem. Estão na via Sócrates, a da mentira.

Contra eles, estará com o povo, celebrando a esperança, a justiça e a honestidade.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Prenúncio de fim de "reinado" ?


O Ministério Público investiga obras do governo regional da Madeira.

No Estado só se podem autorizar despesas com dinheiro para as pagar (cabimentação). Porém, a notícia dava conta de arranjinhos com os empreiteiros, que só seriam pagos depois da obra feita e por orçamentos de anos seguintes.

Cá estaremos para ver se assim foi e se o arruaceiro chefe daquele governo regional pagará pelas infracções que tenha cometido ou mandado cometer.

Até lá, enquanto espero, dou por mim a pensar que reinado se abeira do fim: o do Jardim ou do PGR Monteiro?

???

25 de Abril atraiçoado


Contra a ganância!

As palavras, duras e sansatas, são de general Pires Veloso, um dos protagonistas do 25 de Novembro de 1975, que naquela década ficou conhecido como "vice-rei do Norte". Defende um novo 25 de Abril, de raiz popular, para acabar com "a mentira e o roubo institucionalizados". http://expresso.sapo.pt/vice-rei-do-norte-quer-um-novo-25-de-abril-mas-popular=f721081#ixzz1swRKYr5o

"Não compreendo como Mexia recebe 600 mil euros e há gente na miséria sem ter que dar de comer aos filhos. Bem pode vir Eduardo Catroga dizer que é legal e que os acionistas é que querem, mas isto não pode ser assim. Há um encobrimento de situação de favores aos mais poderosos que é intolerável. E se o povo percebe isso reage de certeza" disse.

Comentários para quê?

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domingo, 22 de abril de 2012

Juntei os trapinhos com a sexóloga

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Contito



Custa a assumir, mas andava desanimado. Tenho 50 anos, não sou velho, a careca não conta, foi a genética. A companheira, pessoa educada, esmerada na comunicação, subtilmente, como não quer a coisa, já não é como dantes e nem dores de cabeça tenho! Tou-te a topar, que tu és como a tua mãezinha, nunca vais directa à coisa, sempre da ladecos, boa rapariga, conhecemo-nos na Chamusca, gente séria, com cavalos, mas não descola. Em público nunca, nem nunca zangada, mais insinuada que amuada. E à espera.

Espera pela pancada, que hei-de resolver isto. Se não sou velho e se a falta de cabelo não quer dizer nada, descontado o frio que no Inverno me chamusca os miolos, ainda me vais ver de energia renovada!

Fui à consulta da sexóloga. Tinha de ser. Também já fiz análises e não morri, até já dei sangue e vou ao dentista. Tudo se trata com 50 anos, não vou é ao de família. Terras pequenas, sabe-se como é, vou a Lisboa, não vou pôr a Chamusca a cuscar.

Ouviu. Ouviu. Ouviu. Muito atenta. Tens uns olhos que se me entranham na alma. Pretos pretos, olhos de cobra, nem se vê a menina do olho. Voz suave, uma voz tão suave! Voz de pêlo de gato siamês, como o da Tia Edviges. Deixou-me os tímpanos a espernearem. Deve ser nervoso, é a primeira vez que me vejo nisto, até me distraí, repetiu várias perguntas. Eu estava era a ficar encafuado nos olhos pretos. Enrodilhado pela cobra.

Perguntas bem feitas. Como é que era, como foi que deu por isso, tem dores, como vamos de ureia, PSA e de stress? Cefaleias, sogra e tabaco? Coluna, jogo e snifagem? Ainda me palpou a pulsação. Só aí. Que sensação!

Tiradas as medidas, registou que estou limpo e não, não vejo razão. Animou-me. Psicologia. Aplicou-me a grelha Janshen-Khurtz com aferição Hite-Nord. É uma rica grelha, deu para amena cavaqueira, macia como a pele do tal gato, aquilo já não foi Khurtz e de Hite nem cheiro. Então como é, sou das barragens, vou muito ao Picoito, o Gerês tem belas vistas, já fui à do Castelo de Bode, o rio Homem é uma maravilha, tenho um cliente de Arouca, boa posta, não quer ver as turbinas da de Alqueva, belas turbinas, olhe que se come bem em Brinches, um dia, quem sabe!

Psicossomático, não pense nisso, distraia-se, corte no sal, nas gorduras e no branco. Daqui a um mês, diga-me como foi. Envenenou-me o sossego. Daí a um mês, contado dia-a-dia, hora-a-hora na última semana, lá estava caidinho. Então como foi? Não foi. A da Chamusca, nada. E vá de conversa renovada, Alqueva combinada, Brinches mesmo a calhar, somos compatíveis potenciais, que a escala não cala. Isto disse-me mais tarde, então já enleados.

Ambos teimosos, que a escala não disse tudo; demorámos 3 meses a estabilizar o lado da mesa de cada um, outro tanto em outros lados e 7 meses para consolidar o enleio. Tanta técnica, tanto kamasutra, tanta psicologia e demorámos 7 meses nesta consolidação! 7 meses... Ele há teoria que só lá vai com muita prática…

Mas estou curado, que é o que importa. Com prova provada: aquele amor de loirita desdentada nasceu às três da madrugada.



Lisboa a 31 de Outubro de 2007

sábado, 21 de abril de 2012

Que se foda o tabu do "Sol"



Na última Tabu, a revista do Sol, há uma entrevista a Jeremy Irons de que se tirou esta parte:
"O maior arrependimento que se pode ter no fim da vida é olhar para trás e ver que só se trabalhou. Os capitalistas é que inventaram isso. Fuck them."

Assim, tal e qual. Só o vermelho é Formigarras.

Que se saiba, o entrevistado não fala português, pelo que a entrevista terá sido traduzida. Tradução abruptamente travada quando o homem dispara um vernáculo da pesada. O Fuck them foi mantido, pois ficava mal escrever Que se fodam.

Num tempo em que não há filme, entrevista ou humor nos canais anglo-saxónicos sem coisas deste calibre e bem piores, não se alcançam as razões para tal pudor, como se os impropérios em inglês deixassem de o ser.

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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Fotografar Paris


15 - 19 Setembro 2012




Atividade organizada no âmbito do CAOS; não comercial, portanto.

Fotografar a Cidade Luz é um desafio de muitas tonalidades e objetivas. Dos vetustos monumentos à noite da Rive Gauche e à profundidade dos boullevards, das torres aos museus e aos contrastes noturnos do Sena e de Pigalle.

É um afã para as olho de peixe captarem grandes marcas da história e as teleobjetivas apanharem a cidade vista lá de cima, da Sacré Coeur ou da Eiffel.

Entre umas e outras os zooms terão muito que zunir no registo da amplitude dos sítios, da multiculturalidade e da arte a cada passo.

Limitada a 10 pessoas.

Pontos de encontro diários
O início dos percursos é previsível; o fim é onde os pés e as pilhas, a curiosidade e o cansaço nos levarem.

1º dia
10H00 – Obelisco da Place Concorde.
[ --> Tulherias, Louvre]
16H00 – Sacré Coeur
[ --> Place du Tertre, Montmartre, Pigalle]

2º dia
10H00 – Museu d’Orsay
[ --> Invalides, Torre Eiffel, Trocadéro]
16H00 – Arco do Trinfo
[ --> Arco de La Defense]

3º dia
10H00 – Opéra
[ --> Madelaine, Palais Royal]
16H00 – Notre Dame
[ --> Île de la Cité, Sorbonne, Quartier Latin]

4º dia
10H00 – Jardim Luxemburgo
[ --> Montparnasse, École Militaire, Champs de Mars]
16H00 – Centro Pompidou
[ --> Les Halles]

5º dia
10H00 – Parc de la Villette

Levar
– Máquina e objetivas, cartões de reserva, baterias e pilhas carregadas e carregadores.
– Atenção aos pormenores, olho vivo e dedo ágil.
– Calçado e vestuário adequados, o que pode implicar agasalhos;
– Pequena mochila;
– Cartão Europeu de Seguro de Doença (obtém-se na Segurança Social e na ADSE)
– Boa disposição.

Logística
A tratar pelos interessados como é habitual no CAOS.

Voos
Os voos ida e volta da Easyjet comprados a 2 de Abril, com partida de Lisboa às 19H25 do dia 14 de Setembro e regresso às 17H20 do dia 19, custaram cerca de 120 € por pessoa.
Este é apenas um valor de referência, pois os preços variam diariamente.
http://www.easyjet.com/asp/PT/Reservar/step1.asp

Alojamento
Apartamentos
http://www.only-apartments.com/
Neste operador foi reservado, em 2 de Abril, um apartamento para quatro pessoas por 465€.

Hotéis
http://destinia.com/home/pt
http://www.booking.com/
http://www.trivago.pt/

A atividade não tem seguro, cada qual vai por sua conta e risco.

Organizador
Manuel A. Madeira
mac.madeira@gmail.com
Telemóvel: 00 351 91 761 29 30





CAOS
Círculo de Atividades Oxigénio e Sol

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Dissolução do "estado" guineense


 


Os partidos da oposição guineense e o Comando Militar que protagonizou um golpe de Estado assinaram hoje em Bissau um acordo que dissolve o parlamento e cria um Conselho de Transição para marcar eleições num prazo de dois anos. http://expresso.sapo.pt/guine-bissau-militares-e-partidos-assinam-transicao=f720033#ixzz1sQSdXPh2

Dissolvida a assembleia nacional, presos o PR interino e o PM também vencedor da primeira volta das eleições presidenciais, está formalmente dissolvida a legitimidade dos golpistas.
E a partilha do poder da oposição com a tropa fandanga, além de ilegítima, também será transitória. Não tarda, outro gangue militar tomará o poder, mais uma vez efémero, que rateará com narcotraficantes e outras fações partidárias.
Uma e outra vez e mais outra, vezes sem conta, até ao dia em que algumas agências antidroga persuadam os seus governos a deitar a mão a quem tem esfrangalhado a Guiné-Bissau.

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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Pastor de rebanho pobre


Contito

Reedição
1ª edição: 8.Agosto.2008



Tanta paróquia boa neste santo Portugal e logo vim parar a uma pouco bafejada pelos favores divinos, o que torna complicada a vida de um pastor full-time ao serviço de Deus.

É uma cruz que carrego por penitência, só para Sua glória e a bem da salvação das almas do rebanho. É uma paróquia complicada. Muita despesa, o rebanho é pendular, só cá pára para dormir, poucos casamentos e baptizados e há bairros sem condições.

Os meus colegas mais novos lá se vão safando, são professores, médicos, jornalistas. Mas a crise paira… Já não há as senhoras amigas da igreja como quando iniciei o pastoreio. Vinham tratar dos paramentos, do arranjo das estatuetas dos santos e arcanjos, dos anjos e querubins. É de inteira justiça dizê-lo, os altares, os nichos e as estátuas estavam sempre impecáveis.

As senhoras mandavam as criadas limpá-los e lavar-lhes as roupas e as rendas e até da minha roupita tratavam. As criadas trabalhavam com gosto, por amor à fé, e ficava tudo num brinquinho. E as famílias tradicionais, com muita devoção, nunca se esqueciam de mim.

No Natal, Páscoa e assim, tinham sempre uma atenção, era um costume muito antigo. Convidavam-me lá para casa, onde eram servidos perus recheados, perdizes na púcara, bons ensopados no domingo de Páscoa e um vinhito e uns licores de bradar aos céus.

Seguiam-se as divinais sobremesas de papos de anjo, toucinho-do-céu e barrigas-de-freira. Eu e o senhor Cabo da GNR apreciávamos especialmente estas barrigas. E ficávamos muito agradecidos às almas caridosas que nos acolhiam no seu seio, que assim tinham as graças do Senhor.

De vez em quando lá vinha um cântaro de azeite, que também se gastava muito nas candeias! Um garrafão do produtor, um chibito ou um bacorinho também calhavam no seu devido tempo. E uns ensacados. Fruta, era a que a terra ia dando.

Ainda me lembro como as coisas eram direitas, todos sabiam o seu lugar, sem as confusões de hoje. Os Santos não invejavam Deus, os Arcanjos não eram gananciosos e os dogmas eram-no até demais.

Mesmo a Santíssima Trindade não se metia em especulações teleológicas. Agora é um fandango. O senhor Wojtyła, homem esclarecido, decidiu que não havia inferno. E eu aceitei, por amor ao Senhor.

Larguei essa venerável arma com que aspergia os pecadores confessos e os que eu via pelos caminhos tortuosos da luxúria, da pedofilia e da gula, os que andavam à beira da perdição, na corda bamba!

A crise tinha de dar nisto, eu bem sabia! Maus exemplos nos jornais, ateus no governo e poucas-vergonhas na televisão, é no que dá… Agora, a santidade que sucedeu à sumidade, mal se apanhou no poleiro, logo decretou que sim senhor, claro que há, claro que há inferno. É complicado, em que é que ficamos?!

Eu não usava muito, mas às vezes dava-me jeito: servia para esconjurar uns quantos impenitentes e, com a casa mais composta, sempre se ouvia tilintar um pouco mais nas oferendas ao Senhor.

A sociedade também está esquisita, não há humildade, há muito dinheiro em mãos de gente que não sabe o que custa a vida, que nunca trabalhou no duro e há tanta falta de fé... Também há a crise de vocações e para estar neste ramo é preciso muita, muita vocação!!!

Tal como no tempo do meu colega António Vieira, apascentar um rebanho pobre é complicado. Aqui é que o inferno me era útil. Era uma espécie de entidade reguladora, assustava, mesmo que depois as ovelhas negras se fizessem desentendidas…

Sempre refreava a preguiça, a soberba e o tráfico de droga que são pecados, antigos e novos, mas de pedra e cal na doutrina celestial. Numa perspectiva mais teológica, também sou do tempo em que presbíteros ou acólitos e monsenhores, cónegos ou diáconos, para seduzir quem avaliava, para subir na vida, não entravam na competição desenfreada em que hoje estamos atolados.

Respeitavam a hierarquia sagrada e se não chegasse a sua vez, paciência! Só a comunicação social eclesiástica, que propaga a verdade do Criador e não as ambições terrenas, é que não noticia as guerras intestinas entre iguais ou até nos níveis mais inferiores, sempre que algum prelado é chamado de volta ao regaço do Senhor.

Chega-se ao extremo de, mal se sabe que anda com a glicemia avariada, o colesterol de pantanas ou que as transaminases estão a dar de si, logo temos campanhas info e contra-info. Fazia falta um pouco mais de omnipotência… para impor respeito.

Algumas regras de simples bom-senso faziam falta, mas para cumprir mesmo, que a benquerença, o despojamento e o amor ao próximo estão em fim de estação, já ninguém lhes pega. Qual é a lei de Deus que permite que um fumador seja promovido a cardeal?! Pois consta que o senhor cardeal fuma muito, coitadinho do senhor cardeal que Deus guarde.

Como ele ainda é dos antigos, terá sido assombrado pela luz das trevas, se calhar é o seu braseiro terreno, que Deus lhe perdoe! Andam aí uns hereges a dizer que com o que ele fuma num dia dava para matar a fome a uma família de oito pobrezinhos, incluindo os velhotes, claro, que também são gente!

E também já me chegou aos ouvidos, mas eu nem quero acreditar, que um conhecido judas, dos que vai muito à televisão, o acusou de delapidar num mês, só em tabaco, o que daria para comprar livros para uma turma inteira de meninos de uma Missão em África. Ele há gente muito má, falam sem pensar na dignidade dos cargos. Eu, se tivesse o dinheiro que ele gasta por ano em tabaco, mandava era pôr um jacuzzi na minha casa de banho. Por causa da coluna, faziam-me bem umas hidromassagens. Tenho hérnias. Discais.

Paróquias há umas melhores que outras, não podia deixar de ser, e por isso são muito disputadas para engrandecimento do Senhor. A minha está sempre em apertos, mas não me queixo, tenho uma vida tranquila. Cumpro calmamente as obrigações eucarísticas da manhã e à tarde dou uma volta pelo redil.

Há ovelhas tresmalhadas numa rua de má fama, mas é gente de fora, se calhar até são ilegais. Outros casos vão-se amparando com a palavra do Senhor e a esperança no Além. Almoço tranquilamente, do que nem todos os meus colegas se podem gabar, pois em certas paróquias é um martírio, sempre num rebuliço, as matinas, a encomenda das almas, as missas à pressão, quase automáticas, mais valia porem lá um robô ou o Santana Lopes, que ia dar no mesmo.

Voltando à minha paróquia por Ele abençoada com sossego, ia eu a dizer que é também tranquilamente que faço as minhas orações depois de almoço. Sem pressas, com todo o tempo do mundo. Vou ser franco, passo pelas brasas entre orações… pronto, confesso por respeito ao sagrado dever de verdade, faço uma sesta. Não é pecado, acreditem, já confirmei.

Como se vê, tenho tido uma dura vida ao serviço do Senhor nesta paróquia de Cristo e por Ele esquecida. 24 horas por dia dedicado ao meu rebanho, tenho é esta amargura de sua eminência não atender os meus penitentes apelos ao reforço da verba mensal. Se é esse o calvário que Ele, na sua magnânime rectidão me impôs, suporto-o com esfuziante alegria para expiação dos meus pecados.

De resto, tenho pequenas compensações, as ovelhas tratam-me bem, são pessoas delicadas, também não havia razão para não serem assim comigo! Todos sabem que rezo missas a quem mas pede e enterro toda a gente com dignidade ecuménica, judeus e anabaptistas, jeovás e agnósticos. Em Seu louvor também não fujo a baptizar filhos de casamentos cruzados, de mães solteiras ou amancebadas, pobrezinhas claro, que mal têm uns euritos logo dizem que é união de facto.

Custa-me é o sofisma desse carneiro de bispo, um unhas-de-fome, que o Bom Deus bem precisava de iluminar com lâmpadas de muitos watt. Com os recursos que derrete em tinta para o cabelo já eu punha o jacuzzi e dizia adeus às dores das hérnias que, quer acreditem ou não, me moem mais que as cinco chagas de Cristo!


Lisboa, 2 de Abril de 2008


terça-feira, 17 de abril de 2012

Também a MAC tem ciclo de vida




Depois da notícia do fecho da Alfredo da Costa e da imediata contestação pública, o ministro veio pôr água na fervura. Não apagou o lume, mas a maternidade vai apagar-se. A prazo, será encerrada. Com cordões humanos ou sem eles.

E pela mesma razão que a levou ao sucesso e à adoração de alguns: a evolução dos conceitos de saúde pública.

A MAC foi um símbolo da queda a pique da nossa mortalidade infantil e materna num tempo de concentração da especialização.

Hoje, com hospitais modernos e bem equipados em valências críticas, a velha parteira de Lisboa está isolada, faltam-lhe algumas especialidades. E as instalações estão caducas.

Foi uma instituição prestimosa, o país agradece, mas o mundo não pára. Como não parou a construção de novos hospitais, como o Beatriz Ângelo, em Loures, inaugurado em janeiro. Preferirá uma grávida de Bucelas ir à MAC, como foram mãe, tias e vizinhas, em vez de ir à Ginecologia-Obstetrícia deste hospital, mais à mão?

É verdade que precisamos de uma maternidade altamente especializada para os casos complexos, de grande risco, e essa função tem-na a da Estefânia.
À medida que as famílias forem beneficiando da segurança e a qualidade dos serviços prestados a mães e a bebés na rede de assistência materno-infantil lisboeta, dissipar-se-á este saudosismo. Tal como o bairrismo, é uma saudável manifestação de vitalidade.

E bom será que tal energia ajude a abreviar a construção do Hospital Oriental de Lisboa onde muitos alfacinhas um dia verão as primeiras caretas dos seus pimpolhos.

Guiné – Povo chora do riso da tropa


Ontem, os golpistas da Guiné-Bissau fizeram um comunicado apelando à calma da população. Foi divulgado pelo blogue Ditadura do Consenso, de que se transcrevem estes dois preciosos nacos de hipocrisia.

"Quanto à possibilidade da Guiné-Bissau sofrer algum ataque militar externo a questão não passa da interpretação errada das notícias veiculadas pelos órgãos estrangeiros de comunicação social ou rumores levantados, com o propósito de confundir a opinião pública, por pessoas sobejamente conhecidas da nossa sociedade", diz também o comunicado.

São rumores de pessoas, acrescenta, "que se conformaram com a vida de corrupção, impunidade e assassinatos políticos", e "desprovidas de sentido patriótico, não habituadas a honestidade e ao clima da verdadeira democracia se pretende para breve instalar no país".

Desfaçatez? Indignidade? Manobra de diversão? Não; nada disso, simples humor negro.
Derrubar instituições eleitoralmente legítimas e prometer democracia nem caricatura é. São apenas palavras ocas, poeira para os olhos.
E acusar outrem de corrupção e de assassínios políticos sendo militares os assassinos e os mandantes do tráfico de drogas, só mesmo de cínicos cruéis.

O fosso entre as palavras e a realidade é tal que os redatores do texto do comunicado, quem o encomendou e deu ordem de publicação devem ter-se rido até mais não, chorando de tanto rir.

Mas quem chora a sério é a Guiné. De tristeza e vergonha.

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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Guineenses gritam à tropa amotinada

RTP

Bissau assistiu ontem a um grito de revolta da sociedade civil guineense. Largas dezenas de jovens mobilizados pelo Movimento Juvenil para a Paz manifestaram-se contra os golpistas militares.

Não obstante autorizada pelo auto proclamado Comando Militar, a manifestação foi violentamente atacada, havendo mesmo um ferido com arma branca, uma baioneta, supõe-se.

A velha máxima militar de que Ordem e contra ordem é desordem parece evidenciar que os golpistas não têm unidade nem linha de comando. Ou que estas se estão a esboroar.

Por outro lado, segundo o blogue Ditadura do Consenso, as duas centrais sindicais apelaram à greve geral até à "a reposição da ordem constitucional democrática".

São boas notícias para a Força de Interposição a aprovar pela ONU a pedido da CPLP.
Ao contrário de 1998, quando muitos jovens aderiram à tropa guineense para combater os exércitos do Senegal e da Guiné-Conacri, desta vez a tropa fandanga golpista está isolada.

Compreenda a sociedade que uma intervenção militar internacional visa apenas a estabilização da Guiné e a operação apenas intimidará os golpistas.

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domingo, 15 de abril de 2012

Batalhar pela Guiné-Bissau



O Conselho de Ministros da CPLP, reunido ontem em Lisboa tomou conhecimento, consternado, do golpe militar na Guiné-Bissau. Condena-o veementemente e exige a imediata reposição da ordem constitucional, da legalidade democrática e a conclusão do processo eleitoral.

Exige ainda a preservação da integridade física e a libertação imediata e incondicional de todos os titulares de cargos públicos e demais cidadãos sob custódia dos militares sublevados.

Até aqui é o habitual, vem nos manuais diplomáticos, incluindo a ameaça de sanções internacionais e a proibição de viagens, congelamento de ativos e a responsabilização criminal.

Onde a posição da CPLP fia mais fino é na constituição de uma força de interposição para a Guiné-Bissau.

Di-la de interposição, mas não passa de camuflagem terminológica, pois a sua missão só terá sucesso com um dispositivo de envergadura dotado de meios bélicos pesados.

A desejada garantia da ordem constitucional e a proteção das instituições e das autoridades legítimas são viáveis, pois Bissau é uma cidade pequena e a ocupação e defesa de alguns edifícios está ao alcance de unidades bem treinadas e equipadas. Mas por um período curto, como espaço de segurança para negociações de um Norte para a Guiné-Bissau.

O mesmo não se dirá dos outros objetivos da força: conclusão do processo eleitoral e concretização da reforma do setor de defesa e segurança.

Este é o nó górdio da instabilidade política, da criminalidade militar e da inoperância judicial da última década. A dita reforma, traduzida para linguagem comum, significa simplesmente a desmobilização de milhares de homens, muitos dos quais nunca tiveram outra ocupação em toda a sua vida.

Os numerosos “generais” e outros “oficiais” de alta patente que não sabem ler nem escrever, lutam desesperadamente contra o seu afastamento dos quartéis. E as gerações mais novas, soldados pé descalço em casernas degradadas e salários ínfimos agarram-se às armas como boias de ilusória salvação.

A dita força de interposição será vista como invasão estrangeira e estes militares mobilizarão a população contra ela e usarão todos os meios para a derrotar. Como fizeram aos contingentes do Senegal e da Guiné-Conacri, em 1998, aos quais provocaram elevado número de mortos e uma retirada humilhante.

Mesmo que expulsos de Bissau, a cidade não passará de reduto sitiado, frequentemente flagelada, sendo elevado o risco de muitas baixas.

A não ser que a CPLP consiga aliciar milhares de “generais”, “oficiais” e soldados com reformas em moeda forte e lhes compre as Kalashnikov e as RPG7, aquela sua força será mais de imposição que de  interposição. E terá muitas batalhas pela frente.

Vencendo-as, como se deseja, a realização da segunda volta das eleições presidenciais será a demonstração do seu sucesso e a certidão de nascimento de uma nova Guiné.




sábado, 14 de abril de 2012

Se há rei não há Democracia



Los indignados animan a participar en la manifestación en conmemoración de la II República bajo el lema "Si hay rey, no hay democracia" (Público espanhol)

Uma verdade incontestável.

Porquê badalar valores democráticos e permitir que um clã ocioso tutele todo um povo? Mesmo que simbolicamente...

Esta lógica democrática tem tanta verdade em Espanha como na Síria e na Coreia do Norte, no Reino Unido e no Catar, no Japão e no Nepal.

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sexta-feira, 13 de abril de 2012

O golpe sem máscara



O novo e previsível golpe aí está, desta vez sem disfarce. Ontem à noite as Kalashnikov e os RPG7 estilhaçaram a paz podre que pairava na Guiné-Bissau.

Veremos que fação suicida está a bombardear aquela martirizada terra. E veremos se os insurretos de há um ano são decapitados ou são eles a decapitar o que restava da aparência de Estado.

Depois da recente contestação à presença militar angolana, foi dado o passo seguinte, uma antecipação às medidas da reforma do setores de Defesa e Segurança.

Até agora não há  notícia de assassínios, apenas se sabendo que o presidente interino foi levado de sua casa por militares armados.

A CEDEAO e o Brasil já se pronunciaram contra esta sublevação, mas apenas em linguagem diplomática, coisa a que os golpistas ligam tanto como à constituição e às leis, às instituições e aos seus titulares, à pobreza do povo e à imagem externa do país.

Falta saber quem desencadeou mais este motim e o que têm feito os angolanos.

Este foi o texto escrito ontem. Não publicado.

E soube-se agora que o anterior golpista-chefe também foi preso pelos novos insubordinados. Quem com ferro mata...

O auto-intitulado Comando Militar assume as prisões deste, do PR e do PM e quer novas eleições. Até declara desejar "uma saída política para a crise e evitar que poder caia na rua".

A rua já está é pejada de despudor. A menos que a "comunidade internacioinal" aja com mão de ferro, a Guiné-Bissau voltará às trevas da idade média pelo gatilhos destes arvorados em senhores da guerra.

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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Liberdade adiada


O EXPRESSO diz que Mugabe regressa a casa e eu digo que a sua pata vai continuar a martirizar o Zimbabué.

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quarta-feira, 11 de abril de 2012

Luz à vista no Zimbabué



O ditador do Zimbabué, Robert Mugabe, 88 anos, está internado, em estado grave, num hospital de Singapura, avança o jornal inglês "Daily Mail".  http://expresso.sapo.pt/robert-mugabe-internado-em-singapura=f718210#ixzz1rj08IryV


Este homem transformou o grande exportador africano de milho no país com a maior dívida pública do mundo, 230,8% do PIB no ano passado, segundo a CIA. A mesma fonte aponta-lhe um desemprego de 95% (noventa e cinco por cento).

Estes números demonstram a morte desta economia, que a morte deste demente poderá ressuscitar.

Logo que feche os olhos, os zimbabueanos acordarão do pesadelo e verão uma luzinha ao fundo do túnel.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Corrupção imparável




Angola: Corrupção crescente
O nível de corrupção em Angola já afecta os direitos fundamentais, garantiu ontem à Lusa, em Luanda, o presidente da organização não-governamental Associação Justiça, Paz e Democracia, após a divulgação de um relatório sobre a corrupção no país. http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentID=FD773AB3-5CFA-4DDD-A902-9ED04C42ADDD&channelID=00000021-0000-0000-0000-000000000021

Será possível?
E lá voltamos a Gulbenkian e ao cabritismo.
Ouvi de um moçambicano, há um par de anos, que este corresponde a “cobranças” proporcionais às posições ocupadas num país. O manga de alpaca espreme quem atende ao balcão, o diretor cobra por assinaturas e lá mais para cima é um vê se te avias a perder de vista.
E a que propósito é Gulbenkian para aqui chamado!? Ele era só “Senhor 5%”…
A catana e a roda dentada da bandeira de Angola corresponde aos ícones comunistas foice e martelo. Estes representavam os trabalhadores agrícolas e industriais, porém, o símbolos proletários do MPLA converteram-se em marca de peculato, abuso de poder e enriquecimento ilícito.
Atualmente a roda dentada traduz o esmagamento da liberdade e a catana a devastadora pilhagem dos recursos de todo um povo em benefício de uma oligarquia ávida e despudorada.
Por isso a resposta à pergunta é sim.
Sim, aumenta a corrupção em Angola.
Basta ver a participação acionista da "corte" de Eduardo dos Santos em empresas portuguesas. E os parceiros angolanos das nossas grandes sociedades naquele país.
Dê aqui uma espreitadela: http://pt.wikipedia.org/wiki/Corrup%C3%A7%C3%A3o_em_Angola

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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sinal de retoma



Estão a ser contratados padres estrangeiros para paróquias católicas, segundo o EXPRESSO. Por “grande falta de vocações”, disse à Lusa um dirigente da unidade lisboeta da delegação em Portugal do Vaticano, citado pelo jornal.

É uma opinião, mal fundamentada, embora.

A verdade é que escolarização, a liberdade e a hipocrisia da hierarquia daquela organização ideológica será a causa do fenómeno. Só incautos não se dão conta do fosso entre a propaganda e o estatuto dos chefões da autoproclamada “santa madre igreja”. O último bispo católico com que me cruzei, no Minho, chegou de Mercedes, velho, mas Mercedes!


E que dizer da santidade do supremo chefe católico, que saltita entre o Palácio do Vaticano, o Palácio de Latrão em Roma e o Palácio de Verão em Castel Gandolfo. Num mundo com tanta fome e miséria… Habitasse ele três assoalhadas em vez de três palácios e ninguém lhe atiraria à cara os pecados de soberba e da vaidade.

A informação hoje não tem barreiras, mete-se-nos olhos dentro a cada passo e os jovens portugueses estão muito atentos, não lhes passa ao lado a hipocrisia católica.

Ora não é preciso ser bruxo para saber que jovens instruídos e generosos, disponíveis para ajudar quem precisa, não vão em cantigas que nada têm a ver com a prática dos chefes católicos.

É por essas e por outras que a importação de padres católicos vai continuar.

Sinal de retoma... da sagacidade!

domingo, 8 de abril de 2012

Sem chapéus nem palácios nem vaidades

Estamos na Páscoa católica, época propensa à reflexão. Formigarras reflectiu:

Última ceia de Jesus


Onde estão os chapéus espampanantes na última ceia de Jesus? Nem Cristo nem os seus seguidores os têm!



Onde estão as roupas exibicionistas? Ninguém as usa!




Onde eram os palácios luxuosos? Não tinham! Viviam em casas pobres, não em luxuosos palácios.



E viviam sem mordomos, criados e mercenários suíços? Não precisavam: queriam parecer o que eram - pobres.




Como os patrões católicos tudo mudaram!!!

Mais ano menos ano vamos assistir a novas queimas purificadoras. Queima-se tudo o que mostrar a pobreza de quem iniciou oficialmente a ideologia católica. Assim será relativizada a ostentação actual do aparelho político-administrativo católico.

Até a bíblia será rasurada para eliminar as passagens em que se fala de discípulos pobres como os pobres, caridade ou humildade.

E os pecados mortais da gula e do orgulho serão revogados para não darem má imagem dos chefões da dita organização. E assim parecerá que merecem o céu, seja lá isso o que for.

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sábado, 7 de abril de 2012

Ladrão hipócrita



O Presidente angolano pediu à UNESCO que acompanhe o combate à pobreza, porque em Angola muitas pessoas ainda “vivem mal”. http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentID=2EF9A52D-B34B-434A-87D8-21326046C5E7&channelID=00000021-0000-0000-0000-000000000021

Bom seria que a UNESCO respondesse: Porque a corte e a família do "presidente" de Angola roubam os angolanos.

Há três décadas instalado no poder, criou uma teia cleptomaníaca que usurpa os recursos que pertencem a todo o povo, incluído os que "vivem mal".

A filha Isabel, sua testa de ferro, é a comissionista por quem passam grandes investimentos estrangeiros em Angola. Sem a sua bênção nada avança sob pretexto da burocracia tentacular. E é a grande acionista das maiores empresas portuguesas.

Quem cabritos vende e cabras não tem...

Quisesse o Santos e muita gente viveria cada dia um pouco melhor. Bastava que nem uma gota de petróleo nem um quilate de diamante entrasse nos bolsos dos corruptos que usam o país como quinta privada.

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sexta-feira, 6 de abril de 2012

Páscoa – Um mito inexplicável





Luiz Fernando Veríssimo explica quase tudo.

A humanidade deve-lhe uma chapelada.



– Papai, o que é Páscoa?
– Ora, Páscoa é... bem... é uma festa religiosa!
– Igual ao Natal?
– É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua ressurreição.
– Ressurreição?
– É, ressurreição. Marta, vem cá!
– Sim?
– Explica pra esse garoto o que é ressurreição pra eu poder ler o meu jornal.
– Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendeu?
– Mais ou menos... Mamãe, Jesus era um coelho?
– O que é isso menino? Não me fale uma bobagem dessas! Coelho! Jesus Cristo é o Papai do Céu! Nem parece que esse menino foi batizado! Jorge, esse menino não pode crescer desse jeito, sem ir numa missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensou se ele solta uma besteira dessas na escola? Deus me perdoe! Amanhã mesmo vou matricular esse moleque no catecismo!
– Mamãe, mas o Papai do Céu não é Deus?
– É filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Você vai estudar isso no catecismo. É a Trindade. Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.
– O Espírito Santo também é Deus?
– É sim.
– E Minas Gerais?
– Sacrilégio!!!
– É por isso que a ilha de Trindade fica perto do Espírito Santo?
– Não é o Estado do Espírito Santo que compõe a Trindade, meu filho, é o Espírito Santo de Deus. É um negócio meio complicado, nem a mamãe entende direito. Mas se você perguntar no catecismo a professora explica tudinho!
– Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
– Eu sei lá! É uma tradição. É igual a Papai Noel, só que ao invés de presente ele traz ovinhos.
– Coelho bota ovo?
– Chega! Deixa eu ir fazer o almoço que eu ganho mais!
– Papai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?
– Era... era melhor,sim... ou então urubu.
– Papai, Jesus nasceu no dia 25 de dezembro, né?
– Que dia ele morreu?
– Isso eu sei: na Sexta-feira Santa.
– Que dia e que mês?
– (???)
– Sabe que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na Sexta-feira Santa e ressuscitou três dias depois, no Sábado de Aleluia.
– Um dia depois!
– Não três dias depois.
– Então morreu na Quarta-feira.
– Não, morreu na Sexta-feira Santa... ou terá sido na Quarta-feira de Cinzas? Ah, garoto, vê se não me confunde! Morreu na Sexta mesmo e ressuscitou no sábado, três dias depois! Como? Pergunte à sua professora de catecismo!
– Papai, porque amarraram um monte de bonecos de pano lá na rua?
– É que hoje é Sábado de Aleluia, e o pessoal vai fazer a malhação do Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.
– O Judas traiu Jesus no Sábado?
– Claro que não! Se Jesus morreu na Sexta!!!
– Então por que eles não malham o Judas no dia certo?
– Ui...
– Papai, qual era o sobrenome de Jesus?
– Cristo. Jesus Cristo.
– Só?
– Que eu saiba sim, por quê?
– Não sei não, mas tenho um palpite de que o nome dele era Jesus Cristo Coelho. Só assim esse negócio de coelho da Páscoa faz sentido, não acha?
– Ai coitada!
– Coitada de quem?
– Da tua professora de catecismo!

Luiz Fernando Veríssimo

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Guiné-Bissau entre o golpe e a esperança


A Guiné-Bissau vive um regime militar encapotado. O “general” António Indjai e os seus sicários depuseram, há um ano, outro militar golpista.
Os políticos eleitos, cobardes, meteram o rabo entre as pernas e abençoaram o golpista, chancelando a sua nomeação como “chefe de estado-maior general”. Desde então os processos dos assassínios de políticos e militares, por homens fardados, continuam engavetados. Há poucas semanas mais um militar foi assassinado por homens com fardas e Kalasnikov e não se conhecem quaisquer investigações.
Entretanto, Angola, a pedido do governo guineense e com apoio internacional, enviou uma missão de apoio à reforma do setor de Defesa e Segurança, a Missang, que está a reforçar.
Os angolanos, com décadas de experiência de guerra, não mandaram dois adidos de defesa e três diplomadas. Bem pelo contrário, estão a dotar a missão de capacidade operacional. As últimas notícias dão conta da chegada a Bissau de uns quantos veículos blindados e helicópteros angolanos para as centenas de soldados já no terreno.

Se Indjai e comparsas toleraram a presença angolana, foi na expectativa de que trazia pão para a tropa esfomeada e cimento para reparação dos quartéis em ruínas.
Agora, ao verem que Angola instalou um dispositivo militar com potencial de intervenção, exigem a retirada da Missang. Percebe-se porquê.
A partir do momento em que as forças angolanas tiveram dimensão, equipamento e mobilidade são uma ameaça para os golpistas de Indjai, para os outros assassinos à solta e para todos os que conspirem contra as instituições. A Missang não resistirá a sucessivas batalhas, mas poderá lançar golpes de mão que neutralizem rebeliões e deitam mão aos seus mandantes.

E foi deste imbróglio político, militar e diplomático, que veio uma ténue luzinha de esperança. O governo interino, dirigido pela senhora Adiato Nandigna, manifestou, em comunicado, a sua firme determinação em manter e reforçar a presença militar angolana no país.

Finalmente um gesto de coragem. De uma mulher. Determinação que pode ter garantido o futuro da Guiné-Bissau. Até que enfim alguém faz frente aos militares, que não se verga aos seus atropelos à lei e à ordem. Falta ver se os consegue travar.

Só os próximos tempos mostrarão se o Presidente a eleger em breve terá coragem, engenho negocial e firmeza para repor a obediência militar e dar à Guiné-Bissau um futuro.
Angola e a sua Missang, Portugal e a CPLP, a CDEAO e outros amigos podem ajudá-lo, mas só se os políticos guineenses quiserem aquartelar insurretos e restaurar a confiança interna e internacional no país.
Sem isso, ao próximo golpe militar sem pudor nem disfarce só falta a data.

???

terça-feira, 3 de abril de 2012

Mais um país livre?



Não é de bom tom elogiar uma ditadura, mas Suu Kyi fê-lo.

Acabada de ser eleita para o parlamento birmanês, a resistente à ditadura militar congratulou-se com uma “nova era” no país.

É esta flexibilidade, esta capacidade de fazer flic flac sem perder a face, que torna alguns políticos referências nacionais.

Ainda é cedo para antever o futuro, mas os militares no poder em Myanmar estão a abrir mão de algum desse poder.  É bom sinal.

E é igualmente positivo que uma mulher por eles perseguida dê o benefício da dúvida à transição do país para a democracia.

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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Casa da Justiça



Há pouco, a ministra da Justiça interrogou-se sobre a inteligibilidade de Vara e Juízo.
Tem toda a razão, ninguém entente. E quantos portugueses sabem o significado de Domus Iustitiae pregado em tantos e tantos tribunais!?

A origem romana dos nossos códigos não justifica tal elitismo. Nem o ímpeto iconoclasta do 25 de Abril o beliscou… Uma oportunidade perdida!
Os Cidadãos têm uma profunda ânsia de Justiça, querem-na acessível, eficaz e célere, mas não basta mudar o nome das instituições para a construir. O que está em jogo são as fundações culturais, legais e rotinas e não os rótulos.

Porém, se a mudança de nomes encabeçar um pacote de medidas que deem a Portugal uma Justiça credível, que venham as boas e simples palavras.
Nem é preciso muita originalidade, há em Lagos um edifício com um nome exemplar: Casa da Justiça.

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