quinta-feira, 27 de abril de 2017

Portugal - Três sinais de alarme


Lisboa, Metro Restauradores, 26.Abril.2017


A imagem exibe-os sem disfarce.

O governo e o município de Lisboa ignoram-nos e os Cidadãos resignaram-se. Focam-se no seu dia-a-dia, no ganha-pão e nos concertos, naquele gajo tão longe e no jogo de logo à noite, no besunto do "parece" e na saia que encolheu.

Além da expectativa de que a publicação no facebook faça o milagre.

Mas não há milagre de dê casa àquela alma, nem que lhe guarde os tarecos, lhe agasalhe os invernos.

Nem milagre que trave os estraga paredes, os engaiole, lhes bote juízo na mona.

Nem a próxima visita-relâmpago do papa católico inspirará governantes e autarcas a tirarem do espaço público aquelas desgraças. Era preciso um Estado de Direito, com leis a direito, sinais de Direito…

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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Monumento Ortográfico que os Velhos do Restelo devem visitar



O debate sobre o Acordo Ortográfico de 1990 vai longo, como longa é a arenga dos respetivos Velhos do Restelo.
É certo que de alguns acertos carece e que também muita falta faz a sua divulgação intensa. Ainda há quem bata o pé pelo facto sem c e a brigada do cagado muito precisa de consultar o Priberan [https://www.priberam.pt/DLPO/] ou o Portal da Língua Portuguesa  [http://www.portaldalinguaportuguesa.org/main.html?action=novoacordo].
Mas não é disso por que agora batalhamos.

Ficamo-nos pelo monumento aos Restauradores, em Lisboa, que todos bem conhecemos, e que tem um óbvio alerta ortográfico.


A frase está lá, com a grafia de 1886, com uma mensagem subliminar muito atual: o anacronismo da argumentação daqueles velhos.

Alguém alguma vez escreveu Subcripção !?
Alguém anos alguma vez escreveu Commissão !?

Ninguém. Excluídos, claro, historiadores, tradutores de clássicos e outros investigadores.

Pois não é preciso ser filólogo para ficar de sobrolho torcido ao ler aquelas palavras. Por uma simples razão: não fazem parte do nosso dia-a-dia.

Só constam de documentos seculares, quiçá de lápides, demonstrando que, com mais decretos ou menos gramáticas tipo livro único, a grafia muda com a mudança do tempo.

Ora como não lemos as letras uma a uma, mas as manchas das palavras que temos em memória, sempre que encontramos algo a mais ou a menos temos de recarregar a base de dados. A dita memória. Substituindo as manchas conhecidas, muitas muitas vezes, até colar a nova grafia.

É maçador, pois é. E quantas vezes temos de ir ao dicionário! E quando damos pela gralha depois de ela ter voado porta fora…

Porém, os Velhos do Restelo Ortográfico não querem essa maçada. Esse recomeço, esse tropeçar e continuar.

Por isso, o Monumento aos Restauradores é também um monumento à evolução da língua, não ao restauracionismo ortográfico. Restaurar que antiga grafia, a de D. Dinis, a de Camões ou a de 1911 !?

A não ser que os Velhos do Restelo Ortográfico promovam Subcripção de petição para a criação de Commissão que reponha a grafia de 1886.